Deputado reeleito agradece votação em Ituverava

O deputado federal reeleito, Arlindo Chinaglia, esteve em Ituverava, onde concedeu entrevista e agradeceu a expressiva votação que teve na cidade, onde recebeu 1.289 votos, sendo o segundo mais votado nas urnas do município.

O deputado federal, que teve mandato na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo e se prepara para o oitavo no Congresso Nacional, falou sobre o que motiva continuar na política e os fatores que considera que favoreceram sua reeleição.

Chinaglia, que estava acompanhado do ex-vereador, José Sérgio Cerqueira, e o jovem ituveravense, Pedro Sbern, falou sobre sua expectativa para o futuro Legislativo Federal, com a nova composição eleita de deputados federais e projetos que pretende continuar atuando.

Progresso: Quantos mandatos o senhor exerceu e o que motiva o a continuar na política?

Arlindo Chinaglia: Tive um de deputado estadual e sete de federal, preparando para o oitavo.

Os motivos são os mesmo de quando comecei a participar dos movimentos estudantis na Universidade Federal de Brasília. Todos sabem que o Brasil é um país rico, onde pouca gente tem muito dinheiro e muitos vivem situação difícil. Hoje temos 33 milhões de pessoas passando fome e mais de 100 milhões de pessoas com insegurança alimentar. Em situação de desemprego, a pessoa não consegue pagar comida, a energia e outros custos essenciais. Enfim, se pegarmos a grande maioria da população brasileira, ganha de um a dois salários-mínimos, em torno de R$ 2 mil por mês.

Minha motivação na política é contribuir para resolver problemas em que os mais vulneráveis são os mais atingidos, estar à disposição para tentar promover uma vida adequada para vivermos em uma sociedade justa, menos desigual, menos violenta, então nossas motivações são sempre as mesmas e temos que entender que às vezes você passa a vida toda tentando resolver algumas coisas, e nem sempre se consegue tudo, mas podemos deixar algo de bom se tentarmos.

Progresso: A que fatores o senhor atribui a sua reeleição?

Arlindo Chinaglia: É um reconhecimento porque depois de tantos anos as pessoas me conhecem e me julgam. Tem discursos de ocasião. Se você tem uma candidatura qualquer e mesmo sem ter um trabalho relevante, há um discurso, que como deputado federal vou representar a cidade, não vai. Vou representar a região e ninguém fala como vota a região de Ituverava. Não temos o voto distrital e aí falam: nós queremos a renovação, aí perguntamos: quer renovar mais pessoas? Mas precisa saber que o antigo uma vez deputado ou deputada defende ou vai defender.

Progresso: O senhor que já foi presidente da Câmara Federal, com toda sua experiência, o que o senhor espera do futuro Legislativo Federal?

Arlindo Chinaglia: Sempre tem muita relação com quem ganhou eleição presidencial, e todo presidente tem que trabalhar para construir uma maioria o Congresso. Todos nós sabemos o peso que tem o centrão. Já fui líder dos governos Lula e Dilma e a gente tem que ter capacidade de, a partir de um projeto de nação, a partir daquilo que sabidamente vai beneficiar pessoas, se torna difícil para qualquer um ficar contra, então, além de necessário, é plenamente possível formar maioria para defender as boas causas.

Progresso: Quais projetos o senhor pretende apresentar ou defender no novo mandato?

Arlindo Chinaglia: A primeira lei aprovada no Brasil que obriga os planos de saúde ressarcirem o SUS, quando um de seus conveniados utiliza o SUS é proposta minha. Outra proposta ainda como deputado estadual: o deputado como representação popular, se tiver a necessidade de fazer uma investigação para saber se o dinheiro público é usado ou não, acessar de maneira adequada os arquivos dentro do serviço público.

Então, quando você é oposição não é fácil aprovar projetos e como oposição, ainda como deputado estadual, denunciei na época o ministro Magri de receber salário como funcionário da CPFL e eu com dois meses de meu primeiro mandato de deputado federal denunciei o escândalo do Sivam e, quando provei resultou numa economia para os cofres públicos que paga meus oito mandatos e sobra dinheiro, porque eu sabia que não conseguiria aprovar projetos sendo oposição, então atuei na fiscalização do governo.

A atuação depende de quem é o presidente. Quando o deputado é o presidente da Câmara, por exemplo, a prioridade não é apresentar projetos ou líder de bancada. Tudo depende do momento.

Por exemplo, é justo que servidores públicos ganhem um tratamento diferenciado. Sou médico do Ministério da Saúde e do Hospital do Servidor Público do Estado de São Paulo, não posso acumular salários, de médico com o deputado, mas têm carreiras que podem, então quero prestar mais atenção em determinados temas que a população não vê, além dos temas do desemprego, distribuição de renda, fome, Bolsa Família, Minha Casa Minha Vida, que são políticas que deram certo e temos que retomar.

Progresso: Sobre a votação que o senhor teve em Ituverava, como o senhor pretende retribuir?

Arlindo Chinaglia: Foram 1.289 votos, uma belíssima votação e estou vindo aqui para agradecer os amigos que me apoiaram. Você sabe que nunca falo antes o que vou fazer, mas sempre procuro ajudar a cidade, porque eu não tenho controle do processo orçamentário.

A emenda não é tarefa principal de um deputado, a minha tarefa principal é defender quem precisa. Alguém traz R$ 500 mil para a cidade, mas se este deputado votou a favor da emenda constitucional que por 20 anos impede de aumentar um centavo acima da inflação da saúde, educação, assistência social, segurança pública, esse deputado trouxe dinheiro para o município ou durante 20 anos ele vai ajudar a depenar este município?

Então o debate de emenda é atrasado e não estou dizendo que se nós não apontarmos e explicarmos para a pessoa o seguinte: o orçamento quem tem que gerenciar é o prefeito e quem tem que fiscalizar são os vereadores. No federal, é o presidente da República e assim por diante.

Acho que temos que elevar o nível da política. É fundamental as pessoas participarem da política. Quando fui relator geral do orçamento em 2011, inventei e aprovei o que foi por mim apelidado de ‘emenda de iniciativa popular’ e enviei ofícios para todos os prefeitos e presidentes de Câmara Municipais para fazerem audiências públicas e a população escolher aonde que iria este dinheiro, mas isso era um benefício a luz do dia e tinha o fator mais importante que era chamar a atenção de todas as pessoas sobre o que é o orçamento e uma forma de colocar a população para vigiar.

O debate de emendas é atrasado e sei que isto dá voto, tenho mais de 60 títulos de cidadão pelo estado a fora e falo no dia que recebo o título, quando as pessoas me elogiam pelo dinheiro que levei, mas eu não sou cofre, sou um deputado federal, e represento interesses da população, é para isso que fui eleito.

Progresso: Mais alguma coisa o senhor gostaria de acrescentar?

Arlindo Chinaglia: Além de agradecer, dizer que o que o Brasil precisa é de uma democracia consolidada. Precisamos no Brasil, construir um país a partir do Judiciário, do Ministério Público, do respeito às instituições, é um desafio e aí voltarmos aos temas da política que vale a pena que são as questões democráticas, do respeito dos direitos, trabalhar para que o cidadão brasileiro consiga se aposentar dignamente e assim vai. Desejo que, garantida a democracia, se possa acabar com a fome, devolver a cidadania para as pessoas e recuperar empregos e, é isso que me anima, voltando à sua pergunta