O Fechamento do Cine Rosário

Ituverava em Reminiscência

Este nosso trabalho testemunhado e pesquisado tem objetivo relembrar, mostrar nossa história, aspectos historiográficos e demográficos, um apanhado dos panoramas culturais, sociais, políticos e administrativos, meios de transporte, vias de comunicação e outros informes importantes, elaborados e pesquisados pelo escritor Celso Barbosa Sandoval.

Em data de 31 de dezembro último, o Cine Rosário foi fechado, encerrando seu funcionamento que vinha desde o ano de 1938. Não indagamos do empresário do Rosário, das razões que o levaram a tomar tal decisão, porque elas aí estão evidentes e palpáveis, não sendo necessária nenhuma perspicácia para analisá-las: a grande influência exercida pela televisão, um pouco de desinteresse do público pela cinematografia, a qualidade dos filmes e os preços dos ingressos.

 Aliás, a crise do cinema vem desde suas raízes, com declínio e quase falência de estúdios produtores, os mais ricos dos Estados Unidos da América do Norte, como a Metro-Goldwyn-Mayer, a Century Fox e outras, chegando também, a cinemas luxuosos das capitais dos estados e do interior, que foram forçados a encerrar suas atividades.

O nosso tradicional Cine Rosário, não podendo fugir a essas circunstâncias negativas, também foi fechado, não mais se acendendo suas luzes e seus luminosos, que ornamentavam e traziam movimentação noturna àquele local central da avenida Dr. Soares de Oliveira.

Presenciamos o lançamento da primeira pedra do prédio do Rosário, em 1938. Foi considerado como o cinema mais moderno e confortável da região. Foram seus idealizadores e proprietários os Irmãos Nunes (Michel, Dib e Jorge Nunes), cidadãos progressistas que também foram fundadores da Rádio Cultura de Ituverava.

O dia da inauguração do Rosário foi de verdadeira festa para a cidade. O filme que o inaugurou (ainda nos lembramos perfeitamente) foi “O General morreu ao amanhecer” estrelado por Gary Cooper, Akim Tamiroff e Jean Arthur. Duas sessões superlotadas, enquanto que o antigo Cine Santa Cecília, já começando a sofrer o peso da concorrência, com sua sala quase vazia, exibia também um clássico do cinema “Sonhos de uma noite de verão”.

A partir daí o Cine Rosário passou a ser preferido pelo público, pois exibia as melhores produções cinematográficas das empresas distribuidoras existentes, exceto as da Metro- Goldwyn-Mayer, que concedia exclusivamente ao Santa Cecília.

Pelo palco do Rosário também desfilaram artistas e cantores famosos da época, como Francisco Alves, Orlando Silva, Carlos Galhardo e outros, que se apresentavam causando muito sucesso. Também abrigou companhias teatrais famosas como as de Eva Todor, Procópio Ferreira, Nino Nelo e outros, que aqui se apresentavam em memoráveis récitas.

Depois dos Irmãos Nunes o Cine Rosário passou para a direção de vários empresários, entre os quais a Empresa Pedutti, que fazia uma espécie de monopólio de cinemas; Irmãos Curi; Abdala; Cordaro e Henares, Salvador Cordaro Cruz, que por último o arrendou ao Sr. Celso, empresário do Regina, sob cuja direção esteve até o dia do seu fechamento, fato que não deixou de causar tristeza a muitos que o viram funcionar durante tantos e tantos anos, inclusive para nós, que presenciamos o lançamento da pedra fundamental e agora do crepúsculo do Cine Rosário (há cerca de 50 anos).

As várias fases do Cine Rosário que faz parte da história de Ituverava: Imagem mais recente do prédio que abrigou o tradicional cinema, outra da fachada durante o dia e durante a noite com sua atraente iluminação para a época; em seguida outra fachada mais antiga com os filmes em cartazes.

Os jovens Isaias, Salvador Cordaro Cruz, Aníbal Barbosa e Archibaldo Moreira Coimbra, no período que a avenida ainda era de terra, na ocasião com barro devido a chuva, mas a presença do Cine-Rosário ao fundo.

Nesta foto, mostrando a avenida hoje Dr. Soares de Oliveira já com calçamento em paralelepípedo. O Cine Rosário era localizado onde atualmente está a loja da rede Americanas no centro de Ituverava.