O Astro Ituveravense: Marcelo Tas

Marcelo Tas, filho do advogado Ézio Athayde de Souza e para nós ituveravenses (Marcelo Tristão Athayde de Souza) orgulho do nosso povo que jamais escondeu suas origens e sempre que entrevistado revela ter nascido em Ituverava , terra de seus pais e avós. Marcelo, como revela a entrevista 20 horas, já fez de tudo e promete fazer muito mais. O ex-âncora do CQC é um mestre de auto-reinvenção e chegou já questionando o mundo ao redor e a si mesmo.

Em uma segunda-feira, três horas antes de entrar em cena, Marcelo Tristão Athayde de Souza ou simplesmente Marcelo Tas, âncora do CQC, um dos programas de maior audiência da Rede Bandeirantes de Televisão, chega aos estúdios para conceder a entrevista que resultou nesse perfil. Ele se desculpa pelo tempo apertado, diz que precisou esgueirar-se pelos engarrafamentos de trânsito de São Paulo e reclama, à sua maneira sempre peculiar, de falta de tempo: “24 horas num dia não bastam!”

Notava-se de cara que a conversa teria de ser longa, tamanho é o arsenal de histórias e a capacidade de contá-las deste menino.

 51 anos, dois casamentos e três filhos – Luiza, de 20, do primeiro, Miguel, 8, e Clarissa, 4, do segundo. (quando esta matéria foi divulgada, hoje Marcelo está com 63 anos).

E de onde teria vindo essa veia cético-política do conhecido apresentador, cronista, blogueiro, radialista, intérprete de livro falado, apresentador de programa infantil em canal a cabo da TV brasileira e ator de comédias nacionais? (Hoje também atuando nas mídias digitais.)

“Ah, vem de Ituverava, onde nasci. Lá do meu avô paterno, João Athayde, um homem simples e muito inteligente que começou como carroceiro, conseguiu estudar, criar uma família com sete filhos e tornar-se prefeito da cidade. Jânio Quadros dormiu na casa dele. E eu estava lá! Por ser o neto mais velho, acompanhava meu avô em tudo que ele fazia – tirava leite das vacas da fazenda dele, acompanhava de perto o trabalho dos peões e até o parto dos animais.

 Um dia ele acordou com uma gripe forte e eu, muito metido, fui substituí-lo nos trabalhos do campo. Tinha 12 anos e me sentia senhor do mundo. Entre outras tarefas, ajudei a desatolar uma vaca. Foram oito horas de trabalho árduo. Quando voltei para vê-lo, contei a façanha ao meu avô. E ele me perguntou. ‘Você deixou a vaca onde?’. E eu: ‘No cimentado, perto do curral’. ‘Menino burro’, disse ele, ‘não aprende nada’. Tem que deixar na terra, o cimento esfria à noite e ela vai morrer de frio. Você não aprendeu ainda?’. Dito e feito. No dia seguinte, a vaca estava morta. Mas eu tinha aprendido a lição: questionar sempre!”.

Filho de um professor de Educação Física e de uma pedagoga, Tas, apesar de pertencer à turma do fundão, sempre foi bom aluno. Cansado da vida tranquila que levava no início da adolescência, em Ituverava, juntou um grupo de amigos e, sem que seus pais soubessem, tomou um ônibus, foi a Barbacena, em Minas, e se inscreveu na EPCAR – Escola Preparatória de Cadetes do Ar. De todos os que prestaram só ele passou. “Essa foi só a primeira parte. Havia uma série de testes que tinham de ser feitos no Rio. Aí, meu pai me levou. E, pela primeira vez na vida, voei em um DC3, avião do tempo da Segunda Guerra, de pára-quedistas”.

Depois de passar em todos os exames, seguiu para o colégio militar. Eram os tempos da ditadura, e ele não teve o aval do irmão do meio, João Athayde de Souza Neto, um apaixonado pelo comunismo.

Tas estudava em Barbacena e, quando chegavam as férias, pegava carona em todos os vôos possíveis e imagináveis com comandantes de aeronaves da FAB. Assim conheceu o Nordeste, na Amazônia, o Sul, o Centro-Oeste. Até que resolveu sair da EPCAR sem concluir o curso. Para tanto, precisava falar com o brigadeiro na direção da escola. O diálogo foi assim: “O senhor sabe o que está fazendo?, perguntou o brigadeiro. “Sei, sim, senhor!”, respondeu o aluno. “Sabe quanto custou para a União a sua educação?”. Imagino, senhor!”. “Pois eu vou lhe mostrar”, disse. E mostrou o número mais estratosférico que Tas já havia visto até então…

Depois disso cursou Engenharia, mas foi na TV que o menino se destacou. O repórter Ernesto Varela que zombava das personalidades políticas (todos vão se lembrar do episódio com Paulo Maluf), Prof. Tibúrcio do premiado Programa Infantil Rá-Tim-Bum (onde também foi um dos criadores), TV Pirata da Rede Globo, Vitrini também na Cultura, o polêmico CQC da Band, e hoje no Provocações, de volta à Cultura onde tem participações como comentarista em programas jornalísticos e vários trabalhos na internet.

Um dos primeiros personagens de Tas, Repórter Ernesto Varela.