Professor João Béber Filho – 1941

   Em 1941, surgiu um professor muito jovem em nosso estabelecimento de ensino, o Ginásio Municipal de Ituverava. O seu nome, a princípio dito pelos alunos com a transposição do acento tônico: Beber por Béber, modificação fonética essa chamada hiperbibasmo, tornou-se chalaça na escola. Mas, afável no trato, mestre por vocação, dedicado à carreira que abraçara, procurando sempre os alunos para fazer-se eles amigo em menos de um mês tinha conquistado a admiração não só da escola, mas da cidade inteira.
   E o seu nome que fora proferido pelos alunos, no início, com gracejo, era respeitado e acatado por todos. Este professor, recém-chegado, chamava- se JOAO BÉBER FILHO.
   Não havia atividade escolar ou social em nossa cidade que não emprestava o brilho de sua inteligência. Até de nosso orfeão, dirigido pela notável professora Chamena Cáixe Barbosa Lima, esposa do saudoso prof. Cícero Barbosa Lima Júnior, o qual era uma beleza de força expressiva na harmonia do canto que emitia, João Béber Filho era solista e dos bons.
   As atividades lítero-esportivas de nossa escola sucediam-se uma após outra, e a maior de todas se realizava a 6 de julho. Era o dia Do GLECA – Grêmio Litero-Esportivo “Castro Alves”, nosso centro estudantil. João Béber Filho foi o conferencista do ano de 1942.
   Tema de sua conferência: OS AMORES DE CASTRO ALVES. Sobre Eugênia Câmara, Sini, Ester, Consuelo, Julieta, Marion e tantas outras prediletas de nosso bardo, discorreu com maestria pedagógica, mas quando declarou o poema A VEZ PRIMEIRA QUE FITEI TERESA, o seu coração pulsou forte, amante, sofredor e, enquanto não se casou com sua TEREZA, o coração não sossegou.
   Casado, coração sereno, redobrou suas atividades no Magistério, descrevendo uma trajetória ascendente, brilhante, abrindo caminhos seguros para as gerações que se sucediam nos bancos escolares, passando do velho Ginásio Municipal de Ituverava, comprado pelo Estado em 1950, para o Ginásio Estadual de Ituverava, como professor de Matemática, a mesma disciplina que lecionava no antigo Ginásio Municipal, efetivando-se por concurso público no cargo logo após.
   O Ginásio Estadual de Ituverava cresceu. De Ginásio para Ginásio e Escola Normal; e de Ginásio e Escola Normal para Colégio e Escola Normal e de Colégio e Escola Normal para Instituto de Educação “Cap. Antônio Justino Faleiros”. Com o crescimento do estabelecimento, cresceu também o corpo docente em quantidade e, especialmente, em qualidade, destacando-se, entre outros, os seguintes professores: Dr. Antônio Barbosa Lima; José Geraldo Evangelista, que deixou uma obra extraordinária sobre a história de Ituverava, intitulada: “CRÔNICA DE ITUVERAVA”, resultado de uma pesquisa séria sobre a origem de Ituverava que merece o nosso respeito e gratidão; José Ferreira de Assis, Guido Krahenbuhl, Adauto; Myriam Abud Francisco; Aparecido Cavalcanti; Lannoy Dorin; Guilhermina Tetralda de Lima Coimbra; Antonino Amêndola; Inah Ribeiro Moysés; Alexandre Miguel; Manuel Lázaro Pereira, Paulo Ernesto Nave; Erivani Ribeiro; Nádia Chaebub; Dora Maluf; Diva França, professores esses, que na sua maioria, foram colegas do prof.
   João Béber Filho até a sua aposentadoria. De lá para cá, fazem parte do corpo docente do Instituto de Educação “Cap. Antônio Justino Faleiros” professores extraordinários, verdadeiros mestres cujos nomes não declinamos agora por absoluta falta de espaço nesta “FOLHA”.
   Em 1964 João Beber Filho era diretor-substituto do então Colégio Estadual e Escola Normal “Cap. Antônio Justino Faleiros”, depois Instituto de Educação. Trabalhador incansável, dinâmico, fez da escola uma das mais conceituadas da região que, pelo padrão de ensino, atraia jovens de Guará, Miguelópolis, Igarapava, Buritizal e até de São Joaquim da Barra.
   Antes, porém, de aposentar-se, ainda como diretor substituto, informou-nos de que, por telefone, recebera a notícia do sr. Inspetor Enzo Melchior, segundo a qual o nosso colégio havia sido contemplado com um ginásio orientado para o trabalho.
   Dias após a essa comunicação, foi convocado para participar de uma reunião em São Paulo na qual seriam trados assuntos educacionais, principalmente os que relacionavam com o novo ensino médio para a realidade brasileira de então denominado Ginásio Pluricurricular.
   Depois dessa reunião, voltou encantado com que ouvira. Não deixava passar oportunidade sem explicar a filosofia do novo ensino. Seu entusiasmo dava-nos à impressão de estar vivendo antecipadamente a nova realidade do ensino secundário.
   Parecia que algo viria completar o seu longo e dignificante trabalho no Magistério e que sua carreira no ensino estava começando naquele ano, tal era o ardor com que falava do novo ginásio. Quando o Estado construiu o prédio da nova escola nos fundos do terreno do Instituto de Educação “Cap. Antônio Justino, Falleiros”, acompanhou o andamento das obras com sofreguidão, porque estava em seus planos aposentar-se assim que a nova escola estivesse funcionando.
   O que lhe passava pela cabeça já sabíamos eram máquinas movimentando-se, eram meninos e meninas sendo adestrados para a realidade brasileira. Aposentado em 19 de março de 1968, como professor de Matemática, mas com uma experiência de direção excepcional, logo é a contratado para exercer o “cargo” de diretor administrativo da CTPGIP (Centro de Treinamento de Professores de Ginásios Integrados e Pluricurriculares) aliás, com muita justiça, porque soubera corresponder o que dele esperavam, quando da organização e instalação dos ginásios pluricurriculares como diretor administrativo do CTPGIP, não se esqueceu um dia da escola que vira nascer e desenvolver-se proveu-a de recursos necessários a um bom ensino, ciente de que a escola que fora o seu verdadeiro lar por muitos e muitos anos, não poderia deixar de continuar a apresentar, nessa nova estrutura escolar em nosso Estado, o padrão de ensino que a tem colocado entre as-melhores da região naquela época.
   Hoje, o CTPGIP ainda continua a prestar relevantes serviços ao ensino profissional, só que com outro nome: CENAFOR (Centro Nacional de Formação Profissional) e, aí ainda continuou operante, dinâmico, o nosso estimado PROFESSOR JOÃO BÉBER FILHO.

Celso Barbosa Sandoval

Este nosso trabalho testemunhado e pesquisado tem objetivo relembrar, mostrar sobre nossa história, aspectos historiográficos e demográficos, um apanhado dos panoramas culturais, sociais, políticos e administrativos, meios de transporte, vias de comunicações e outros informes importantes, elaborados e pesquisados pelo escritor Celso Barbosa Sandoval.