Helvio Nunes da Silva “Zito”: Retrato de um homem do povo

Breve história, contada a muitas vozes, daquele que foi o maior político da Alta Mogiana

Continuação da edição anterior

As obras

“Quando o Zito entrou como prefeito, faltava água aqui em Ituverava. E ele entrou com entusiasmo para resolver esse problema. Furou dois poços artesianos e não teve sucesso, então fez uma reunião na Câmara para explicar que precisava fazer uma estação de tratamento, utilizando água do rio. A cidade não tinha recursos, mas ele ‘bateu’ para São Paulo e conseguiu um empréstimo através do governo. Construiu a estação, que está aí há mais de 34 anos, e ainda tem água para duas Ituveravas.” (Jayme Titotó Pereira Barbosa, presidente da Câmara de Vereadores de Ituverava).

“Conheci o Zito na época em que ele estabeleceu o passe escolar gratuito, para ajudar os alunos provenientes da zona rural.” (Norival de Freitas Matos, o “Gabirú”, ex-vereador e comerciante).

“Foi graças ao trabalho de Zito, conseguindo o Curso normal noturno aqui em Ituverava, que consegui estudar.” (Lúcio Adalberto Lima Machado, prefeito de Ituverava).

“A primeira rua asfaltada – a Voluntários de Ituverava – foi o Zito que pôs. Também alargou as estradas vicinais do município. Depois ele foi deputado, passou a fazer esse papel a nível regional. Cidades como Aramina, Buritizal, Ribeirão Corrente, o Zito praticamente criou. Fez ginásios, escolas e muitas outras obras.” (Jayme Titotó).

“Foi um processo muito complicado para conseguir a Faculdade de Filosofia aqui em Ituverava. Tivemos que trabalhar com muitas forças políticas. Só conseguimos porque, nesse tempo todo, trabalhei em uma parceria estreita e contei com a orientação do deputado Zito.”

“A participação do deputado também foi fundamental na construção do Centro Cultural aqui da cidade. Quando o Centro teve que ser reconstruído depois de um incêndio, o Zito também ajudou a arranjar verbas para a obra.” (Dr. Archibaldo Moreira Coimbra, ex-prefeito de Ituverava).

“Na gestão do meu pai, João Augusto Freitas, foi graças ao trabalho de Helvio que se construiu uma escola industrial. Conseguiu também um financiamento da Caixa Econômica Estadual, graças ao qual papai conseguiu asfaltar em torno de 200 quarteirões da cidade.” (Carlos Augusto Freitas, ex-prefeito de Igarapava).

“Em Ribeirão Corrente, uma das primeiras coisas que ele conseguiu foi o ginásio. Depois obtivemos o asfalto ligando nossa cidade a Franca. Casas populares, uma agência do Banespa, uma praça para a qual ele conseguiu verba com a Secretaria do Esporte e Turismo… Tudo isso foi conseguido pelo Zito.” (Romeu Calixto, ex-prefeito de Ribeirão Corrente).

“O município de Aramina, quando se emancipou, não tinha praticamente nada. Ele ajudou a perfurar um poço artesiano; a conseguir uma motoniveladora com o Adhemar de Barros; a colocar telefone na cidade; a adquirir veículos para a Prefeitura; e a construir um prédio para o Ginásio, que foi uma luta muito grande para o Zito.” (Thomaz Scandiuzzi).

“Foi ele quem trouxe a Sabesp para fazer o saneamento básico da cidade. Na mesma época, quando fui pavimentar a cidade, tive que tirar empréstimo na Caixa Econômica Estadual e no Banespa. O Banespa não tinha financiamento para pavimentação urbana. Abriu uma exceção para Buritizal, a pedido do Zito. Também obteve a rodovia que liga Buritizal a Anhanguera. Lembro-me até dele brigando pela rodovia com o superintendente do DER de São Paulo.” (Pedro Scciavotello, vereador e ex-prefeito de Buritizal).

“Reivindicamos várias vezes a construção de um prédio para o nosso Ginásio Municipal. Pedimos audiência ao então governador Abreu Sodré, e não conseguimos nada. As portas estavam fechadas. Finalmente, depois de muita luta, obtivemos uma ampliação do prédio. Mas o Zito disse ao diretor do órgão responsável: ‘Eu não vou aceitar essa ampliação de forma nenhuma. Ou você dá o prédio, ou não queremos nada.’ – Saindo de lá, fiquei até bravo com o deputado: ‘Mas poxa, eu tinha conseguido uma ampliação, para mim já resolvia’. – Ele respondeu: ‘É verdade, você já tinha conseguido uma abertura; agora era preciso forçar a porta’. Em três dias, a construção do prédio novo saiu publicada no Diário Oficial.” (Dírcio Borges).

“Uma luta impressionante do Helvio foi a implantação do sistema de abastecimento de água aqui em Pedregulho. A distribuição era precária, vivia faltando água. Com a ajuda dele, conseguimos arrumar um empréstimo para fazer esse sistema, o que naquele tempo era dificílimo. Outras conquistas do Helvio foram a iluminação do distrito de Alto Porã, e o Trevo de acesso à rodovia.” (Eduardo Saad).

A lembrança

“O Zito era um político como hoje em dia não existe mais. A última eleição ele perdeu por lealdade. Por teimosia em apoiar exclusivamente seus companheiros de chapa. Foi uma grande perda. Duvido que Ituverava algum dia tenha outro deputado com a liderança do Zito.” (Jayme Titotó).

“Dizem que o homem é um animal político. Mas o Zito era um pouco mais que os outros.” (Eduardo Saad).

“Quando ele se reelegia, em São Paulo, a gente como prefeito da região ia esperá-lo na estrada da cidade. Era uma festa tremenda, toda a região abraçando o Zito. Eu tenho muita saudade dele.” (William Pereira Garcia, ex-prefeito de Aramina).

“Ele era nosso correligionário, amigo, líder político. Então, o nosso jornal era muito faccioso: era o Zito e fim. Sabíamos que ele era o melhor para Ituverava. Quando o Zito largou a política e foi trabalhar na fazenda, nós ficamos órfãos politicamente.” (José Luiz Cassiano, proprietário do Jornal Tribuna de Ituverava).

“Fomos colegas da Assembleia Legislativa de São Paulo, em dois mandatos concomitantes. Depois eu fui para Brasília como deputado federal. Como eu era da mesma região – sou de Pontal – fiz ‘dobradinha’ com ele, desde 1974.”

“Era um homem cuja seriedade e honestidade eram imanentes da sua própria personalidade. Como homem, como companheiro, era excepcional, corretíssimo. O interesse pessoal era sempre postergado e o seu objetivo era interesse do seu estado e de sua região. Nunca transigiu, nunca barganhou.” (Jacob Pedro Carolo).

“O Zito foi o político mais honesto que eu conheci.” (Neder Cagliari, ex-prefeito de Aramina).

“O Zito foi vereador, prefeito, deputado quatro vezes, e saiu da política pobre.” (Norival de Freitas Matos “Gabirú”).

Agradecimentos

Esta publicação tornou-se realidade com o apoio de personalidades de Ituverava e de outras cidades da Alta Mogiana, que nos ofereceram fotos de época, depoimentos e apoio moral. Infelizmente só foi possível aproveitar uma parte muito pequena das entrevistas, diante da limitação de espaço. No entanto, o material colhido será aproveitado no livro “Os Embaixadores da Alta Mogiana”, que pretende narrar a trajetória de um grupo de políticos e lideranças da região ao longo das décadas de 60, 70 e 80. Contamos com o apoio de todos para a elaboração deste livro. Para isso, agradecemos desde já a todas as pessoas que nos forneceram fotos, fitas de áudio e vídeo, filmes, documentos ou que aceitaram apresentar depoimentos sobre esse rico período da história da região.

Nossos agradecimentos sinceros vão para: Alcides Furtado (Guará); Alice Amorim (Ituverava); Archibaldo Moreira Coimbra (Ituverava); Carlos Augusto de Freitas (Igarapava); Dírcio Borges (Buritizal); Ecyr Alves Ferreira (Ituverava); Eduardo Saad (Pedregulho); Hermes Procópio dos Santos (Ituverava); Jacob Pedro Carolo (Pontal); Jayme Titotó Pereira Barbosa (Ituverava); Jorge Sarreta (Buritizal); José Franco Rodrigues (Ituverava); José Luiz Alves Cassiano (Ituverava); Lúcio Adalberto Lima Machado (Ituverava); Manoel Pontes Neto (Ituverava); Neder Cagliari (Aramina); Norival de Freitas Matos “Gabirú” (Ituverava); Pedro Scciavotello (Buritizal); Romeu Calixto (Ribeirão Corrente); Thomaz Antônio Scandiuzzi (Aramina); William Pereira Garcia (Aramina).

*Fonte: Revista “Helvio Nunes da Silva (Zito): retrato de um homem do povo”, distribuída na solenidade de inauguração da Praça Deputado Helvio Nunes da Silva, em Ituverava.