Advogado-ator ituveravense Gustavo Bugalho está no elenco de série do Top 10 da Netflix

O advogado e ator ituveravense Gustavo Russignoli Bugalho participou da série Habeas Corpus, que esteve durante a semana no Top 10 da Netflix no Brasil, sendo, portanto, uma das mais assistidas no país, estando inclusive entre superproduções americanas. Na trama, que passa no curso de Direito da USP, seu papel não é de advogado ou de aluno. Seu trabalho é motorista de táxi em uma cena importante em um dos episódios.

“Para alguém que trata a atuação como um hobby levado a sério, é como se um jogador de pelada fosse chamado para entrar cinco minutos num jogo do Maracanã”, compara Gustavo.

Para ter uma ideia da série em que registrou seu nome, o elenco conta com artistas renomados no time principal como Marjorie Estiano, Any Gabrielly, Vladimir Brichta, Hypólito, Naruna Costa, Danton Mello, Natália Lage e Marisa Orth. (veja texto abaixo que foi já notícia no Caderno Destaque do Jornal O Progresso)

Ele, no entanto, tem outros trabalhos, incluindo teatro e peças publicitários que já fez parte dos intervalos dos programas campões de audiência. Em entrevista, o ituveravense conta o que motivou seu início nas artes cênicas e como está sua carreira de ator concomitante à de advogado em Ribeirão Preto, onde reside, sendo ainda consultor do Sistema Clube de TV.

Casado com Niege Silva Mendes, Dr. Gustavo é filho de Paulo César Ferreira Bugalho e Silvana Andreo Russignoli Bugalho e irmão de Carla Russignoli Bugalho (in memoriam).

Formado em Direito na Faculdade de Direito de Franca, com Especialização em Direito Constitucional no Centro de Extensão Universitária/SP, MBA em Gestão Executiva de Marketing e Comunicação Integrada na Barão de Mauá, Pós em Cinema e Linguagem Audiovisual na Estácio, Pós em Compliance e Direito Corporativo na Escola Paulista de Direito, Pós em História Mundial Contemporânea e Relações Internacionais na PUC/PR e agora mestrado em Segurança, Desenvolvimento e Defesa na Escola Superior de Defesa, Ministério da Defesa/DF.

Em Ituverava estudou na Escola Professor Antônio Josino de Andrade até a sétima série, na Capitão Antônio Justino Falleiros da oitava até metade do primeiro colegial e concluiu Ensino Médio “colegial” no então NC-Objetivo.

Progresso: Há quanto tempo o senhor é ator? O que motivou a ingressar nesta profissão?

Gustavo Bugalho: Comecei o curso de teatro em 2007 e, curiosamente, o motivo foi a timidez. Eu tinha sido convidado, por causa da publicação do meu primeiro livro sobre Direito Eleitoral, para dar uma aula em São Paulo, em 2008, ao lado de nomes como Ives Gandra Martins, o ministro Cezar Peluso e Alberto Rollo, entre outros. Só que, apesar de sempre ser brincalhão entre os amigos, sempre fui muito tímido e morria de medo de falar em público. Como estava começando a trabalhar, não tinha condições de pagar um curso de oratória, que era caríssimo. O curso de teatro era bem mais barato, então fui para lá tentar dominar esse medo. Deu muito certo e acabei me apaixonando pelos palcos. Hoje não tenho a atuação como profissão principal, mas como um hobby que pratico com seriedade e que me ajuda a aliviar o estresse das minhas outras atividades. Por sorte, essa prática também acabou me trazendo benefícios pessoais e financeiros.

Progresso: Quais trabalhos já realizou? Como concilia com a advocacia?

Gustavo Bugalho: Não fiz muita coisa, porque, como disse, nunca tomei a atuação como profissão exclusiva. Fiz algumas peças de teatro, e a de que mais gostei foi “Milagre no Mercado Velho”, do Osvaldo Dragún, da qual eu saía exausto, mas muito gratificado.

Participei de alguns clipes musicais, como “Everything’s Ok”, do nosso amigo ituveravense Danilo Teoro, e “Sem Temer”, da banda Insane Trip, ambos disponíveis no YouTube.

No audiovisual, fiz uma propaganda da DPaschoal em 2018 e, em 2023, o comercial da Mike’s Ice Lemonade, da Ambev, que venceu alguns prêmios importantes da publicidade brasileira.

Como foi veiculado na final do Big Brother Brasil e na Cazé TV durante meses, até hoje as pessoas me reconhecem na rua. No ano seguinte, fiz o comercial da Mike’s Ice Guaraná, o lançamento do Pão de Alho Zinho para air fryer e alguns curtas-metragens, até que, no início deste ano, surgiu o convite para fazer uma ponta na série Habeas Corpus, da Netflix.

Na advocacia, tenho atuado mais na área consultiva, elaborando programas de integridade e compliance empresarial, atuando em licitações, assessorando empresas estrangeiras e embaixadas em riscos regulatórios e políticos e cuidando do credenciamento de empresas estratégicas de defesa junto ao Ministério da Defesa.

Além disso, dedico boa parte do tempo às pesquisas de Segurança Internacional, no Mestrado em Segurança, Desenvolvimento e Defesa, na Escola Superior de Defesa, do Ministério da Defesa, em Brasília, onde moro durante a semana.

Minha pesquisa trata das terras raras e do reposicionamento geoeconômico do Brasil no Sistema Internacional. É uma agenda pesada, que avança pelos fins de semana, mas felizmente bastante flexível, o que me permite avaliar e aceitar convites para participações como essa e ministrar palestras voluntárias para adolescentes em escolas públicas da região sobre como dominar o medo de falar em público.

Ao contrário do que muita gente pensa, a advocacia está muito mais próxima das profissões artísticas do que parece. Que o digam Rogério Cardoso, Vinícius de Morais, Jorge Loredo (Zé Bonitinho original), Juliette, Alceu Valença, Renato Aragão, entre outros.

Progresso: Quais cursos realizou na área teatral? Quais são seus próximos trabalhos e projetos?

Gustavo Bugalho: Comecei em 2007 com um curso iniciante de Commedia dell’Arte no Teatro Popular de Comédia, em Ribeirão Preto, e depois fiz o nível Stanislavski na mesma escola. Como pensava em tirar o DRT, que é o registro profissional de ator, fiz também um curso de interpretação para cinema, TV e internet, em 2017, no Senac de Ribeirão Preto.

No começo, aceitei vários convites sem cachê para ajudar amigos daqui em seus projetos e, ao mesmo tempo, aperfeiçoar a técnica. Nesse mesmo período, entre 2013 e 2020, ministrei aulas de técnicas de apresentação em público em cursos de pós-graduação para advogados e preparei candidatas a concursos de miss na parte de oratória, entre elas a vice-Miss Brasil 2014.

Tudo isso me obrigou a continuar estudando e me aperfeiçoando na área. Minha agente artística em São Paulo, a Dri Costa, me envia castings com frequência e, na medida em que consigo conciliar com a agenda, faço os testes.

Mas, em geral, eles vêm acompanhados de acordo de confidencialidade e de alguma incerteza até o dia da gravação, por isso nesse momento não consigo falar sobre os próximos trabalhos, mas acredito que em breve podemos ter novidades na telinha.

Progresso: O que representa para o senhor ter participado da série Habeas Corpus, que está no top 10 da Netflix?

Gustavo Bugalho: Confesso que a primeira coisa que pensei quando recebi o convite foi: um advogado numa série chamada Habeas Corpus? Ou o universo tem senso de humor ou alguém no casting leu meu currículo errado. Brincadeiras à parte, representa muito.

Quando entrei no curso de teatro em 2007, meu objetivo era modesto, eu só queria conseguir falar diante de uma plateia sem que minhas mãos tremessem. Jamais imaginei que aquele rapaz tímido estaria, quase vinte anos depois, num set da Netflix.

É uma ponta, e faço questão de dizer isso porque não quero que ninguém espere me ver em trinta cenas, mas é uma ponta numa produção que está sendo vista no Brasil inteiro e em muitos outros países.

Para alguém que trata a atuação como um hobby levado a sério, é como se um jogador de pelada fosse chamado para entrar cinco minutos num jogo do Maracanã.

Entrei, fiz minha parte, e quando o apito final tocou eu estava lá. Também tem uma dimensão mais pessoal. Minha família, meus amigos de Ituverava, de Ribeirão e de Bauru, meus colegas do Direito e os professores do mestrado me mandam mensagem dizendo que pausaram o episódio para ter certeza de que era eu mesmo.

Ver o seu nome, ainda que pequenininho, rolando nos créditos de uma série no top 10 é daquelas alegrias que a gente guarda. E tem um detalhe que me diverte bastante: pela primeira vez na vida eu não precisei estudar o processo para aparecer num habeas corpus.

Progresso: Deixe um recado para os jovens e as pessoas que sonham ou admiram as artes cênicas.

Gustavo Bugalho: Meu recado é simples, e vem de alguém que inicialmente não entrou no teatro por vocação, mas por medo. Eu procurei um curso de teatro porque não tinha coragem de falar em público e não tinha dinheiro para um curso de oratória, que era muito caro e tinha poucas opções na época.

Ou seja, comecei pela porta dos fundos, e mesmo assim a arte me recebeu de braços abertos. Então, se você admira as artes cênicas mas acha que não tem talento, que é tímido demais, que começou tarde ou que precisa escolher entre isso e uma profissão “séria”, eu sou a prova viva de que essas desculpas não se sustentam. Ninguém precisa abandonar tudo para subir num palco.

Dá para ser advogado, engenheiro, dentista ou mestrando em Defesa Nacional e, mesmo assim, fazer teatro, clipe, comercial e até Netflix. O palco não pede exclusividade, pede presença.

Façam cursos, aceitem os convites dos amigos, participem dos curtas sem cachê, ajudem nos bastidores, errem o texto e voltem na semana seguinte. E o principal: não desanimem a cada teste que você não for o escolhido.

Cada um deles é uma experiência e os diretores de casting estão sempre de olho e, quando você menos esperar, aparece algo legal. Cada trabalho pequeno ensina algo que o grande vai cobrar depois.

E aos pais que estão lendo: deixem os filhos fazer teatro. Passou o tempo em que a profissão de ator era marginalizada e, ao contrário do que muitos pensam, demanda muito estudo, dedicação e treinamento.

Mesmo que eles nunca virem atores, vão sair dali sabendo ouvir, respirar, olhar nos olhos e se colocar diante do mundo. Isso serve para qualquer profissão. Comigo serviu para todas.

“Culpado ou inocente” é a grande questão da série

Marjorie Estiano vive uma professora de direito da USP que monta um grupo de estudos para investi garerros do judiciário em nova série da Netflix

Criado em dezembro de 2016, o Innocence Project Brasil é uma instituição sem fins lucrativos cujo objetivo é reverter erros judiciários no Brasil, através de assessoria jurídica gratuita. Esse é um tema especialmente relevante no país, que possui diversos casos de condenações equivocadas todos os anos. Inspirada nesse trabalho e com uma abordagem levemente parecida a de “How to Get Away With Murder”, uma premiada série americana de 6 temporadas, a Netflix está prestes a lançar “Habeas Corpus”, uma produção original da plataforma com estreia marcada para o dia 23 de setembro. Com um elenco de peso, Marjorie Estiano e Any Gabrielly (ex-integrante do grupo musical Now United) compõem a dupla protagonista.

Na série, Estiano vive Inez, uma respeitada professora de Direito da USP que abandonou os tribunais depois de um incidente traumático. Ainda como assistente da promotoria, a protagonista acredita ter ajudado a condenar uma pessoa inocente, um erro que pretende consertar agora como professora – mesmo que oito anos depois do julgamento. Por conta disso, ela monta um grupo de estudos com os seus alunos de direito para investigar o caso e identificar as falhas no processo. Dentre os estudantes está Marina (Gabrielly), uma aluna exemplar que esconde uma motivação pessoal para participar dessa investigação.

Enquanto o grupo de Inez tenta descobrir novas provas quem os trem que a condenação foi equivocada a fim de questionar o julgamento, Marina tentará encontrar o verdadeiro culpado e fazer justiça por aqueles que foram prejudicados. A cada descoberta do grupo, fica mais claro que as protagonistas não compartilham da mesma visão sobre o assunto, principalmente quando a linha tênue entre reparação e vingança começa a ser tensionada. Com uma história cativante e interpretações certeiras, “Habeas Corpus” promete abordar como as desigualdades do sistema judicial brasileiro contribuem para erros que podem destruir a vida de famílias inteiras.