Ao abordar as instituições estadunidenses de maneira realista, série da HBO do início dos anos 2000 se consagra como uma das melhores de todos os tempos
por Kreitlon Pereira colunavia@gmail.com
Entre os anos 2002 e 2008, a HBO transmitiu “The Wire”, considerada por muitos veículos como a melhor série policial de todos os tempos – sendo listada como a melhor série do século 21 pela BBC, em um ranking com outras 100 produções. Rivalidades à parte, “The Wire” é uma criação do repórter policial, jornalista investigativo, escritor e produtor David Simon e aborda a decadência das instituições estadunidenses, com a cidade de Baltimore como pano de fundo. A série tem seu ritmo próprio, o que pode gerar um estranhamento de início, mas conquista com o naturalismo proposto e consegue atingir um grau de realismo pouco comum nas séries desse gênero.
“The Wire” possui cinco temporadas e cada uma aborda um caso diferente, mas sempre com o objetivo de explorar os impactos de uma determinada instituição de Baltimore na dinâmica da cidade e na vida das pessoas. Apesar dos temas mudarem, os personagens principais se mantêm, mudando de protagonista para coadjuvante, ou vice-versa, dependendo da história abordada. A primeira temporada acompanha as investigações do Departamento de Polícia de Baltimore sobre a fictícia gangue Barksdale, uma organização poderosa que domina o tráfico de drogas no oeste de Baltimore. A série foi responsável por revelar grandes nomes de Hollywood, como Idris Elba, Michael B. Jordan e Lance Reddick.
A história começa com a absolvição de D’Angelo Barksdale (Lawrence Gilliard Jr.), figura importante dentre as lideranças de Barksdale, de uma acusação de assassinato depois do depoimento de uma testemunha-chave. Revoltado com a decisão da justiça, o detetive Jimmy McNulty – conhecido por sua insubordinação e senso de superioridade – reclama com figuras importantes do Departamento de Polícia de Baltimore e consegue com que eles criem uma equipe dedicada a investigar os Barksdale, cuja principal arma são escutas telefônicas. Porém, a constante interferência dos superiores no caso pode colocar tudo a perder. “The Wire” se destaca ao também retratar o lado dos membros da gangue, sem uma abordagem maniqueísta, explorando a zona cinzenta entre certo e errado.
