Presidente do CRECISP fala sobre Economia do setor imobiliário

O Brasil como um todo vem acompanhando a alta nas taxas de juros, que estão preocupando as transações, e causando instabilidade e insegurança não só na Economia, mas mais precisamente nos negócios.

A taxa básica de juros Selic está elevada, e com escalada do indicador, as condições de compra e venda são muito influenciadas. A Selic é uma ferramenta do Banco Central que tem o objetivo de equilibrar a inflação no país. No setor imobiliário, portanto, o reflexo dessa alta não é diferente.

Pensando nisso, o presidente do CRECISP (Conselho Regional de Corretores de Imóveis do Estado de São Paulo), corretor de imóveis José Augusto Viana Neto concedeu entrevista ao Jornal O Progresso para falar como os fundos imobiliários e o mercado de imóveis, em geral, são impactados pela alta na taxa de juros.

Ele adiantou que o momento é de atenção, mas ainda não há necessidade de muito alarme em relação aos impactos no mercado imobiliário. José Augusto Viana Neto esteve inclusive em reunião on-line com corretores ituveravenses em junho de 2021, quando trocou informações e abordou assuntos de interesse da categoria.

Confira na íntegra a entrevista com o conceituado corretor e presidente do CRECISP, José Augusto Viana Neto.

Progresso: Como a alta nas taxas impacta o mercado de imóveis?

José Augusto Viana Neto: A alta nas taxas de juros traz um impacto altamente negativo no mercado imobiliário, pois ela é muito excludente. Tira a possibilidade de compra de muitas pessoas que não conseguem ter uma renda familiar que possa ser aceita pelo banco com base no valor que vai ficar a prestação. Então, o aumento da taxa de juros é fatal para o mercado imobiliário.

Progresso: As vendas que estavam aquecidas correm o risco de sofrer retração?

José Augusto Viana Neto: As vendas ainda permanecem aquecidas, não houve uma diminuição geral, mas sim uma diminuição na velocidade do crescimento. Nós vínhamos tendo recordes mês a mês, e de repente a velocidade desse crescimento começou a diminuir. Entretanto, ainda não temos impactos negativos, mas é evidente que a situação começa a preocupar.

Progresso: A Caixa, por exemplo, baixou sua taxa atrelada à poupança na tentativa de dar um impulso ao setor. O que representa isso?

José Augusto Viana Neto: A queda nas taxas de juros atrelada à poupança foi muito tímida, porque ela não dá nenhuma perspectiva futura de crescimento em razão dessa queda, pois foi muito pouco significativa. A Caixa precisaria ser bem mais agressiva. Lembrando que a Caixa é um banco social, e como banco social ela está agindo mais como uma instituição privada. Argumentamos pelo fato de ver que mês a mês o lucro da Caixa vem aumentando. E soa mal um banco que é social apresentar tanto lucro, isso representa que a parte social não está sendo vista adequadamente.

Progresso: Há a possibilidade das pessoas adiarem a compra de um bem já que as aplicações financeiras podem ter uma maior rentabilidade?

José Augusto Viana Neto: A possibilidade da pessoa deixar de comprar imóveis para colocar dinheiro no mercado de capitais é praticamente impossível, porque a valorização imobiliária não para. Ela atropela qualquer outro tipo de investimento, e acho que isso não compensaria para ninguém. É evidente também que não haverá essa substituição pelo menos no momento, dada essa instabilidade da política econômica do governo, que ainda não teve muita definição.

É evidente também que no mercado imobiliário, a certeza de que não terá prejuízo é presente, enquanto no mercado de capitais é muito difícil poder ter a mesma garantia e a mesma tranquilidade.

Progresso: A competição entre os bancos com a portabilidade dos financiamentos é positiva?

José Augusto Viana Neto: A competição entre os bancos é extremamente saudável. Ela trouxe uma nova realidade de mercado. Tenho visto, em determinados momentos, mutuários que procuraram a Caixa para fazer a portabilidade para bancos privados que estavam oferecendo taxas mais vantajosas, e a Caixa cobriu a oferta para não perder o cliente. Então, a portabilidade é um excelente mecanismo para que as pessoas possam ter a garantia de que vão poder pagar menos do que estão pagando.

Progresso: Dicas para quem quer comprar um imóvel?

José Augusto Viana Neto: A principal dica para quem quer comprar um imóvel é saber pesquisar no lugar certo. Os portais imobiliários estão se tornando muito inseguros, e o número de estelionatários e pessoas de má fé que têm agido através de anúncios na internet é muito grande. Precisamos ter muito cuidado. Além disso, verifique as taxas de juros, despesas administrativas, seguro, e tudo que está sendo pago. Isso tudo a fim de que assim você possa fazer o negócio da melhor maneira possível. O momento da compra de um imóvel geralmente é permeado de despesas extras que as pessoas na maioria das vezes não estão esperando. Por isso, prepare-se, pois além do dinheiro que você pagará no imóvel há o custo da documentação, registro e afins, que terão total de mais ou menos 7% do valor – a mais.

Finalizando, acredito que para ter um negócio tranquilo e seguro, é necessário que se faça através de uma pessoa profissional para que você esteja devidamente assessorado. A transação imobiliária está cada vez mais complexa, por isso um corretor de imóveis e/ ou uma imobiliária darão mais tranquilidade.

Progresso: Agradecimentos e considerações?

José Augusto Viana Neto: Gostaria de agradecer ao Jornal O Progresso pela oportunidade de levar essas informações ao seu público. Obrigado a todos .