Ituverava em Reminiscência #34

Saudades…

Benedito Pereira da Silva

Outubro/1969

Recordar é viver… diz um velho ditado. “Recordar é viver saudades do passado”. São versos de uma melodia cantada por Gilberto Alves e que foram o prefixo de um de meus programas, quando militava na “Rádio Cultura” local tempo passado e muito bem apresentado pelo Túlio Del Guerra (O César Ladeira da época).

Assim é que relembro com saudades aqueles tempos de ouro de nossa Emissora. Não desejo, contudo, menosprezar a atual, que é muito boa. Mas nossas programações eram mesmo de abafar. Agradava a todos, pois havia tudo que uma emissora era capaz de apresentar.

Apresentávamos “Programa de Calouros” nos quais os nossos candidatos a cantores podiam ser ouvidos ou vaiados, como acontecia várias vezes. Lembro-me bem da turminha que sempre aos domingos desfilava ante aos microfones famosos da nossa ZYK8. Benedito Bento Barbosa cantando músicas do Pe. Raimundo, Cor Morena tentando imitar o Vicente Celestino… e ia bem; Janete de Melo, Luiz Amêndola… o próprio Túlio, preferindo sempre as músicas de Nelson Gonçalves. Quase sempre cantava a música “Aquela Mulher”, sua predileta.

Apresentávamos músicas para todos os gostos: “Itália Romântica”, dirigida por Luiz Amêndola; “Tangos em desfile”, “Penumbra”, Ituverava em marcha”, “Músicas panamericanas”, “Cortina mexicana”, “Músicas Sertanejas” e o encerramento das transmissões “Recordar é viver”, com o sempre lembrado conjunto do saudoso José Monteiro, com legendas lidas pelo Túlio…

“Saudade, palavra doce que traduz tanto amargor”, “Saudade é como se fosse… espinhos cheirando a flor”. O prefixo deste programa era a valsa “Chorei de Saudades”. Apresentávamos até novelas sob a direção de José Viana, hoje (em 1969) diretor da Rádio Tupi, do Rio de Janeiro.

Silvério Neto também apresentou vários shows e novelas. Apresentando-se aqui vários artistas, como: Francisco Alves, Orlando Silva, Vicente Celestino, Celso Guimarães, Olga Nobre, Roberto Faissal, Dolores Durant, Irmãs Castro e muitos outros dos quais no momento não me recordo.

A Rádio pertencia aos irmãos Nunes. Assim também o Cine Rosário, onde fui operador muitos anos. Do “Cine Rosário” também guardo muitas lembranças e saudades, principalmente dos filmes ali apresentados. Filmes que marcaram época e deixaram em todos nós uma saudade imensa, “O general morreu ao amanhecer” (Filme inaugural do Cine Rosário), “De amor também se morre”, “Por quem os sinos dobram” com o saudoso Gary Cooper e Ingrid Bergman, “Belinda” etc.

O senhor Amim era o porteiro, mas era tipo como proprietário do cinema. Tanto assim que tudo que desagradava o povo, era ele quem “pagava o pato”. Os estudantes e garotos costumavam alterar os nomes os filmes nas tabuletas na rua, raspando letras dos títulos. Certa vez, seria exibido o filme “Caminho do ladrão”, e os jovens excluíram as letras e deixaram somente “Amim ladrão”. Vieram logo avisá-lo. E o bom senhor Amim mandou tirar as tabuletas.

Outra vez seria exibido um filme que tinha “Céu” no título. O Agostinho de Melo (já falecido) era o pintor das tabuletas e escreveu “Céu” com “S”. Logo passou alguém na rua e o chamou de burro. Ao explicar, ele disse que os garotos iriam tirar as letras, por isso ele estava escrevendo daquele jeito.

Era assim a Ituverava daqueles tempos… que saudades!