Longa de Kleber Mendonça Filho indicado a quatro categorias no Oscar 2026 é mais um trabalho criativo, vibrante e crítico do diretor recifense
por Kreitlon Pereira colunavia@gmail.com
No dia 15 de março,será realizada a 98ª cerimônia do Oscar e, assim como em 2024, o Brasil tem um forte concorrente competindo na categoria de Melhor Filme Internacional: “O Agente Secreto”. O longa é dirigido por Kleber Mendonça Filho e se passa em Recife, cidade natal do cineasta, durante a Ditadura Militar. A produção também disputa as categorias de Melhor Filme, Melhor Elenco e Melhor Ator pelo trabalho de Wagner Moura, que se tornou o primeiro brasileiro a ser indicado nessa categoria. Desde o dia 7 de março, “O Agente Secreto” está disponível na Netflix.
Ambientada em 1977, a trama gira em torno de Marcelo (Wagner), um homem de passado misterioso que sai de São Paulo para fugir de ameaças ligadas ao próprio passado. Seu principal objetivo é retornar para Recife e reencontrar o filho Fernando (Enzo Nunes), que está morando temporariamente com os avós maternos, para que possam fugir do país juntos. Enquanto espera por um passaporte falso, Marcelo precisa se esconder em um lugar seguro, o que o leva a conhecer a carismática Dona Sebastiana (Tânia Maria) e outros personagens em uma situação parecida com a sua.
Outro objetivo importante do protagonista é encontrar algum documento que comprove o nascimento de sua falecida mãe, motivo pelo qual vai trabalhar no instituto de identificação da polícia. Com vários elementos da cultura regional e um humor surpreendente para a temática, “O Agente Secreto” se destaca como um filme inteligente e de montagem criativa que prefere falar da Ditadura Militar através da memória. Ao colocar em oposição as noções de lembrança e esquecimento, o longa denuncia o empenho empregado para apagar as violências cometidas nesse período, ao mesmo tempo em que destaca a importância do esforço contemporâneo no resgate dessa memória.



