Black Star uniu futebol, música e cultura Afro em Ituverava

A História do Black Star “Estrela Negra” iniciou em meados de 83 e 84 quando havia um time de jovens que eram da Vila São Jorge, mais precisamente próximo ao antigo abrigo dos velhos.

Essa equipe era chamada de Time do Abrão, momento que acontecia um campeonato no Campo da Portuguesinha próximo à Represa Dr. Paulo Borges de Oliveira, onde foram campeões.

Logo após, no entanto, houve uma ruptura com Abrão criando assim uma equipe da Rua João Evangelista de Lima, tendo outra equipe na Rua Conselho Prado, ambas na Vila Beatriz.

Com a chegada de Carlos “Kiss-Mii” de Santos que começou a fazer parte trazendo o movimento “Black” para Ituverava, as ideias foram amadurecendo, mas como todos eram leigos pensavam que isso estava relacionado ao corte de cabelos ou sejam, os estilos Black Power, Black Quadrado enfim algo ligado a estilos de cortes de cabelo.

Quando na verdade Carlos começou a pintar a “Bandeira” onde estavam presente Sapatão e Mazão, nasceu e foi fundado o Black Star, criando portanto, o time de negros que por um espaço de tempo disputou 36 jogos em Ituverava e região e permaneceu invicta por 36 partidas.

Vale lembrar que por um período de 10 anos o Black Star apresentou uma proposta além dos campos em relação à música e cultura afro-Brasileira no que consiste em divulgar a real identidade do negro na cultura brasileira.

“Um dos pontos de grande elevação foi a criação dos campeonatos amadores na época por nosso saudoso Cleso Barbosa ‘Geleia’, quando então o Black Star atinge um dos momentos de grande expressão no futebol de Ituverava unido as outras equipes que passaram a desfilar nos gramados mais cobiçados que era a AAI e depois no Ginásio Orlandão”, lembrou Valdecir de Souza Soares “Sapatão”.

Com o apoio do locutor Celso Zanoli na rádio Cultura que recebia os boletins dos jogos do Black Star e nisto os surpreendiam ao divulgar a vitórias do time fazendo um enriquecimento no quadro dos esportes da emissora.

“E foi assim que surgiu o Black Star, logo após o Grupo de Pagode com a Chegada de JC ‘Cabeça’, Ramom e logo após Sebastiao Neves ‘Tião’ com Escola de Samba ‘União das Raças’ porque a Princesa Isabel estava fechada havia quase 10 anos e formou-se assim a escola União das Raças e no Centro Cultural se dedicou ao trabalho de Cultura Afro”, lembra Valdecir.

“Fato esse que em 1988 o prefeito Dr. Ecyr fundou um monumento dedicado aos 100 anos da Abolição na hoje Praça Deputado Helvio Nunes da Silva”, acrescenta.

“Assim formou essa família tríplice que é Futebol, Música e Cultura afro. Verdade é que após surgiram várias equipes no mesmo segmento entre elas Camarões, Tô Ki Tô, Solo Rico, Princesa Isabel, Vila Beatriz, Independente e outros, tendo todos eles marcado presença no Encontro do Black Star que foi a equipe Mãe destas que surgiram depois”, definiu o organizador do encontro.

Para ter uma ideia, no Campeonato do Centenário de Ituverava, que terminou no dia 10 de março de 1985, o Black Star ficou em quarto lugar realizando uma ótima campanha diante de excelentes equipes amadoras de Ituverava.