Locutor Azor de Faria se aposenta após 44 anos de rádio

O conhecido locutor Azor de Faria se despediu da Dimensão FM, após 44 anos dedicados à profissão. Nascido em Igarapava e atualmente com 65 anos, foi em Ituverava que descobriu o dom para a comunicação aliada a voz suave e perfeitamente adequada para o fenômeno que surfava nas ondas dos aparelhos nas décadas de 80 e 90, chamada de Frequência Modulada “FM”.

Desde de 1.982, Azor foi o primeiro locutor de FM na então Rádio FM de Ituverava, de propriedade de Waldemar Tunda Costa e, que tinha seu estúdio no andar superior do antigo Caiçara Hotel, atualmente Hotel Domus. Neste período ele passou por outras emissoras em cidades da  região, nos estados de São Paulo e Minas Gerais, onde fez o que mais gostava e por consequência muitos amigos.

Passou também pelo AM com a Rádio Cultura de Ituverava. Em seguida foi para a Dimensão FM a convite de Atílio Ragazani e se manteve em seguida com os então novos diretores Norival Mendonça “Val” e Sicca Filho “Siquinha”, já com as duas emissoras associadas, sendo a Cidade FM (94,3) e Dimensão (104,5).

Do Tape, rolo, fita, disco de vinil, CDs e a era digital, Azor de Faria sobreviveu a todas as fases do rádio, sem abrir mão do seu estilo e carisma.

Profissional versátil, fez programas de diferentes estilos musicais e atuou na área jornalística com notícias, entrevistas e campanhas sociais com diversos parceiros de estúdio em programas memoráveis como Alerta Geral, No Ponto e Ponto de Vista, em parcerias com Luiz Araújo, Fábio Pereira e Paulo Antônio, respectivamente.

Seu último trabalho foi Temperando com Sucesso na Dimensão FM, com Adriana Liz, uma mescla de boa música e informações. Para celebrar sua despedida e carreira de sucesso do locutor, transcrevemos trechos de entrevista feita pelo também locutor, radialista, diretor e amigo Fábio Lima:

Pergunta: Quantos anos você trabalhou na rádio Dimensão FM, somando? Quantos anos você tem em profissão de rádio? E você, antes, trabalhava com o quê?

Azor de Faria: Só na rádio Dimensão FM, somando, mais ou menos… Nossa, não faço ideia, viu. Uns 15, 20 anos. De profissão, desde 1982. Fui servente pedreiro, trabalhei na roça, mas antes do rádio, servente pedreiro.

Pergunta: Quais emissoras de rádios que você trabalhou  além da Dimensão e 94,5, atual Jovem Pan de Ituverava?

Azor de Faria: Da FM de Ituverava (94,3), antiga Rádio Cidade, 94.3, e a rádio Dimensão FM, 104.5 fiz a Cultura, e fiz a Cultura em Guaíra, trabalhando na rádio em Barretos, que agora não me recordo o nome dela, mudou o nome dela, pouquinho tempo, mas fiz o Cultura em Barretos também. E depois, Uberaba.

Pergunta: Pode falar o  nome das rádios?

Azor de Faria: Supersom em Uberaba, Rádio Cultura em Guaíra. Em Barretos, Rádio Jornal, mas foi por pouquíssimo tempo, e depois a FM mesmo. Também em Minas, Chamava Rádio Manolo FM, por que Manolo, eu não sei, acho que era irmão em italiano. Fiquei por um ano e meio, quase dois anos. Perfeitamente.

você pensa do rádio hoje? Não é a mesma emoção que era antigamente, correto?

Azor de Faria: Antigamente, tínhamos uma forma de fazer rádio com muito mais participações, isso fazia com que a gente tivesse mais emoção, mais emoção para ficar feliz o tempo todo, também chorar, né? E hoje, eu acho que a comunicação continua, mas a adesão das pessoas do rádio mudou.

Pergunta: As pessoas vêem você como um artista da comunicação, você se vê assim ou não?

Azor de Faria: De forma alguma, me vejo privilegiado pelo trabalho que eu fiz com todo o amor do mundo aqui, mas me vejo como uma pessoa normal, um servente do rádio.

Pergunta: Você concorda que, antigamente, o locutor de rádio, ele realmente era visto como um artista pelas pessoas, pelo público, ou não?

Azor de Faria: Quando chegava em alguns lugares, a gente era notado de uma forma diferenciada, era muito bacana.

Pergunta: Qual foi a experiência que marcou a sua vida?

Azor de Faria: Eu creio que foi aquela ajuda que a gente sempre faz com pessoas que realmente precisavam e a gente conseguia suprir necessidade, no caso daquela criança que nós conseguimos salvar a vida dela até o dia que Deus quis.

Pergunta: Muitas campanhas, muitas vitórias, muitas lágrimas.

Azor de Faria: Pois é, da mesma forma eu abraço as pessoas e agradeço pelo carinho que eles tiveram comigo até aqui e se eu pudesse fazer tudo novamente, faria no rádio, com essas pessoas que eu amo.

Pergunta: Você aconselharia alguém a se formar como locutor de rádio ou não?

Azor de Faria: Claro que sim, meu irmão. Se você tem oportunidade, venha para o rádio. Nós precisamos de comunicadores e o rádio é mágico, o rádio é tudo. Sem rádio não vive, né? Sem rádio não vive.

Pergunta: Você acha que o rádio ainda é como você mesmo sempre colocou?

Azor de Faria: O rádio, eu me lembro de usar isso aí perfeitamente, inclusive eu cheguei a usar isso aí várias vezes, até hoje ainda tenho de sair com uma experiência. O rádio é aquela caixinha de emoções, é isso mesmo, continua. O rádio é uma caixinha de emoção, é o mais poderoso meio de comunicação que existe no mundo, é o rádio.

Pergunta: Gostaria que você falasse um pouco quais foram as pessoas que influenciaram a sua carreira, que marcaram a sua vida?

Azor de Faria: Olha, João Perez é um grande e eterno nome que vai morar no meu coração, que foi, me incentivou, me deu todo o caminho do rádio. Paulo Sérgio Pérez, seu filho.

Posso só fazer uma lenda rapidinho? Gente, olha, para quem não sabe, João Perez é um cara que sempre foi da vida ferroviária, ele foi a vida inteira, trabalhou na FEPASA a vida inteira, trabalhava só à noite, aposentou, amante do rádio como nós, foi para o rádio, trabalhou como diretor, trabalhou na parte comercial do rádio e sempre foi um cara incentivador de todos nós.

Então, João Pérez, pra mim, gostaria de homenagear, assim também como Paulo Sérgio Perez, são pessoas que realmente marcaram a minha vida, como amigo, como patrão, como irmão, como família.

Pergunta: Dentro da Rádio Dimensão FM, quais são as pessoas, que marcaram a sua carreira na Rádio Dimensão FM?

Azor de Faria: Nossa, aí é difícil falar porque todo mundo faz parte da história da gente, né? Mas o Fábio Lima é um cara que me sempre me incentivou, né? Altos e baixos, sempre do meu lado ali, “Negão, vamos lá, faz isso, Negão, vamos fazer aquilo novamente, vamos tentar de novo”. Fábio Lima, em nome de todos os amigos aqui do rádio.

Pergunta: Com quem você conviveu de forma direta na Rádio Dimensão FM? Pode falar os nomes?

Azor de Faria: O Nilton Ireno, o Fabio Lima, meu Deus, quantas pessoas que já passaram por aqui, a Luzia Miranda, o meu amigo Paulo Antônio, né? Luiz Araújo e muitos outros nomes aí. Ah, o meu amigo Lin Campos, que tá na Rádio Hertz em Franca. Meu grande amigo, companheiro, esse camarada que nós amamos. E se eu esqueci alguns nomes, me perdoem.

Pergunta: Deixe um agradecimento ou uma mensagem

Azor de Faria: Olha, estou aí nas mãos de Deus e também dos diretores, eu estou preparado para fazer rádio, porque tudo que eu sei fazer, gosto, né? Não estou tão velho assim, não estou tão ultrapassado assim, pretendo, se Deus abençoar, continuar no rádio.

Você me perguntou sobre nomes… Não, já falamos sobre isso aí, pessoas que influenciaram a sua carreira, pessoas que você conviveu de forma direta na rádio, que participaram na sua vida, você já falou, já. Já falei e quero deixar uma coisa bem clara, estou aqui à disposição da rádio, me sinto da família.

E aproveitar e mandar um abraço apertado ao nosso grande amigo, o diretor, o dono da rádio, o Fabinho Liporoni, a quem eu agradeço muito pela ajuda, pela forma que nos tratou aqui dentro e me deixou muito à vontade pra trabalhar com os camaradas, gente boa. Obrigado, meu amigo Tony Marquete, Atalaia, obrigado a todos, contem comigo, precisou de uma voz amiga, se a minha servir, estarei onde vocês precisarem.