Nos Estados Unidos dos anos 1970, um inconsequente ex-estudante de artes precisa lidar com os frutos de seu roubo amador em novo filme de Kelly Reichardt
por Kreitlon Pereira colunavia@gmail.com
Assaltos a obras de arte fazem parte do imaginário coletivo como crimes engenhosos, precisamente planejados e astutos. Grande parte dessas crenças são derivadas de filmes de Hollywood, que retratam esses roubos de maneira glamourizada. Indo na contramão dessa tendência, a cineasta norte-americana Kelly Reichardt lançou o filme “The Mastermind”, que estreou nos cinemas em outubro de 2025, e já está disponível na MUBI e na Amazon Prime Video para compra ou aluguel. O longa tem uma direção mais lenta, contemplativa e, por vezes, melancólica – uma abordagem peculiar para uma história de roubo, mas bastante utilizada por Reichardt em outros trabalhos.
“ The Mastermind” se passa no subúrbio do estado de Massachusetts, nos Estados Unidos dos anos 1970. Enquanto o país está passando por um turbilhão de acontecimentos, com o desenrolar da Guerra do Vietnã e o fortalecimento de uma série de movimentos sociais, James Blaine Mooney (Josh O’Connor) é um carpinteiro desempregado e entediado com a vida. Ex-estudante de artes e pai de dois filhos, o protagonista se sustenta com o salário da esposa, a secretária Terri (Alana Haim), e o dinheiro dos pais, um juiz (Bill Camp) e uma socialite (Hope Davis) – que, apesar da frustração com o filho, nunca deixaram de ajudar.
Um dia, após visitar uma galeria, James decide que irá roubar algumas obras valiosas do museu de arte de Massachusetts. Porém, tudo no assalto é comicamente amador. Desde a escolha duvidosa de seus parceiros, até a sua fuga rendem momentos de incredulidade ao espectador, que não acredita como o crime poderia ser bem-sucedido. O que sucede o roubo é uma sequência de acontecimentos desastrosos, incluindo a sua rápida identificação como autor do crime. Perseguido pela polícia e por outros criminosos interessados nas obras, James abandona sua família e foge pelo país, cometendo outros delitos para sobreviver, enquanto não consegue vender as pinturas roubadas.
