Série de seis temporadas da HBO é um diverti do e satírico retrato das empresas de tecnologia no mundo e sua cultura de trabalho
por Kreitlon Pereira colunavia@gmail.com
Localizado na porção sul da Baía de São Francisco, na Califórnia (Estados Unidos), o Vale do Silício é o berço de muitas empresas de tecnologia— como Google e Apple — que começaram como empresas de garagem e se tornaram gigantes com influência direta na economia e na política mundial. Com uma cultura que envolve longas jornadas de trabalho, competição incessante e a busca quase mística pela inovação, a região se tornou cenário ideal para sátiras sobre ambição, ego e genialidade. É justamente esse universo que a série “Silicon Valley” explora. A criação de Mike Judge para a HBO tem seis temporadas já disponíveis na plataforma de streaming.
A primeira temporada acompanha Richard Hendricks (Thomas Middleditch), um programador talentoso, mas desajeitado, que cria um algoritmo de compressão revolucionário. O que começa como um projeto sem grandes pretensões rapidamente desperta a atenção de investidores poderosos e coloca o protagonista diante de uma escolha que vai definir seu futuro: vender sua criação por milhões ou tentar construir sua própria empresa do zero. Apesar da oferta tentadora, o personagem decide por começar a sua própria startup, chamada Pied Piper, para continuar desenvolvendo o algoritmo de compressão.
Para tirar a empresa do papel, Richard se une a Dinesh (Kumail Nanjiani) e Gilfoyle (Martin Starr), dois programadores brilhantes que dividiam a mesma incubadora Hacker Hostel — um espaço coletivo que abriga jovens desenvolvedores em troca de participação nas startups que eles criam. Dinesh é competitivo, ansioso por reconhecimento e constantemente inseguro. Gilfoyle, por outro lado, é sarcástico, inteligente e movido por um ceticismo quase filosófico. Ao lado deles está Erlich Bachman (T.J. Miller), o dono do imóvel que abriga a equipe e que exige participação acionária em troca de mentorias de qualidade duvidosa, mas que acaba sendo crucial na construção da identidade da empresa. Unidos por frustrações pessoais, genialidades mal aproveitadas e a vontade de finalmente acertar, eles transformam a casa caótica em um centro de inovação improvável.
