Presidente da OAB fala sobremercado e exame da Ordem

Em entrevista, Patrícia Vanzolini destacou que é preciso se preparar para ser aprovado e se qualificar para novas áreas do Direito

A presidente da Seccional da OAB- -SP (Ordem dos Advogados do Brasil do Estado de São Paulo) e conselheira federal eleita para o próximo mandato Patrícia Vanzolini esteve em Ituverava na noite de quinta-feira, dia 28 de novembro.

Ela ministrou palestra no auditório da Fundação Educacional de Ituverava. O evento foi promovido pela subsecção da OAB de Ituverava fazendo parte das comemorações dos 20 anos curso de Direito da Fafram (Faculdade Doutor Francisco Maeda). Em entrevista ao Jornal O Progresso, ela também falou sobre outros assuntos pertinentes como as eleições recentes na Ordem, mercado de trabalho e o exame da OAB.

“Estamos aqui para comemorar os 20 anos do curso de Direito da Fafram e tive muita honra de aceitar este convite, eu que além de ser a presidente da OAB também sou professora e leciono na Faculdade Makenzie e gosto muito desta atividade junto aos estudantes de Direito”, declarou Vanzolini em entrevista ao Jornal O Progresso.

 A abertura foi feita pelo presidente da subsecção da OAB de Ituverava, Dr. Mário Alves Pereira Neto e, contou com a presença da coordenadora do curso de Direito da Fafram, Dra. Cristina Elena Bernardi Iaroszeski, professores da instituição e o diretor jurídico e conselheiro da Fundação Educacional de Ituverava, Dr. José Eduardo Mirandola Barbosa.

Tema da Palestra

Sobre o tema a palestra “Stardart Probatório nos crimes de gênero”, dentro da área de Direito Penal, que é área de atuação profissional da presidente da OAB, ela esclareceu que tem a ver com o quanto de prova é preciso que exista para alguém ser condenado por exemplo pelo crime de estupro.

“Muitas vezes este tipo de crime só tem a palavra da vítima como prova então o que vamos discutir é se alguém pode ser condenado com base somente na palavra da vítima, sem outras provas ou não, se são necessárias mais provas para condenar na Justiça Criminal”, ressaltou.

“É um tema bastante atual e importante, tanto do ponto de vista acadêmico quanto prático para ser divulgado para que possam trabalhar”, declarou.

Eleições na OAB

Questionada sobre as eleições na Ordem quando a chapa apoiada por ela foi eleita e tendo seu nome para o Conselho da OAB federal, a presidente reconhecendo sendo uma votação expressiva com 52% dos eleitores, tendo seis chapas concorrendo.

“Se deve a uma aprovação da Advocacia para a nossa gestão, que percebeu que a Ordem estava mais próxima, mais moderna e eficiente, acho que esse voto foi um voto de aprovação da gestão que vai continuar agora com o Leonardo Sica e vai melhorar e ampliar todos aqueles projetos que nós começamos e também agora vou poder levar esses projetos para Brasília. Então é um sinal que estamos no caminho certo. Ainda há muito por fazer mas acho que estamos no caminho correto”, frisou

Mercado de Trabalho

Sobre o mercado de trabalho atual, ela reconhece estar mais competitivo, porém com mais oportunidades e com novas áreas de trabalho.

“Nós temos 389 mil advogados no Estado de São Paulo, 1,5 milhão no Brasil, mas por outro lado é um mercado extremamente promissor porque há novas áreas surgindo e novos ramos do Direito sendo criados”, explicou.

“Nós na OAB criamos um Observatório de Mercado justamente um grupo de estudos para pesquisar quais são as áreas mais promissoras para o estudante de Direito e nós chegamos à conclusão que existem três áreas extremamente promissoras: Direito Digital como já esperávamos, em todas as áreas; o Direito Ambiental e o Direito Agrário ou Direito do Agronegócio”, afirmou.

“Por isso fizemos no ano passado o Primeiro Congresso Nacional do Direito em Agronegócio em Ribeirão Preto por entendermos que o Agro é uma grande potência e o Direito do Agro que vai trabalhar todas as questões regulatórias, pro-atividades do Agronegócio com as questões ambientais, ou seja, muitas questões que são da Advocacia para serem resolvidas”, recordou.

A presidente da OAB e conselheira federal eleita ressaltou que na faculdade de Direito é necessário preparar e qualificar a futura Advocacia e, em seguida se preparar para explorar estes novos mercados.

“Há quem diga que não há mais espaço, e que há mais advogados e eu entendo que não, entendo que nós temos um mundo cada vez mais complexo com cada vez mais problemas e, onde há problemas é necessário um advogado para resolver estes problemas, mas é preciso qualificar a Advocacia para estes novos mercados”, ressaltou.

Exame de Ordem

Segundo a presidente da OAB-SP, o exame de Ordem é difícil, bastante exigente, tem o nível de concurso público, com a diferença que em concurso público se concorre com os outros candidatos, não basta ser bom, você tem que ser melhor.

Já no exame de Ordem o candidato concorre com ele mesmo tendo que atingir aquela nota mínima, mas é um exame difícil, exigente e é preciso que o bacharel se prepare com muita seriedade e responsabilidade.

“Há uma opinião que basta fazer uma faculdade bem feita que será aprova[1]do no exame de ordem e isso não é verdade, temos atualmente 20 por cento de aprovação. Temos atualmente uma média de três exames até o candidato passar. Claro que há quem passe de primeira e há quem passe com mais exames”, destacou.

“Mas a meu ver isso é do jeito que tem de ser, embora haja muitas pessoas contrárias à exigência do exame de Ordem. Eu pessoalmente falo que não é uma questão de reserva de mercado é a garantia da qualidade”, opinou.

“O advogado ou a advogada vai atuar em conjunto com juiz que passou por um exame dificílimo, com promotor e delegado que também passaram por concursos difíceis e então tem que ter o mesmo nível de qualificação e capacitação sob pena de haver um desequilíbrio na paridade de armas, então é isso, mas todo mundo tem toda capacidade, é só questão de encarar com seriedade, dedicação que todos são capazes de passar”, ressaltou.

Subsecção de Ituverava

Ao falar sobre a subsecção da OAB de Ituverava ela esclareceu que “a gente tem um lema na minha gestão que é aonde houver um advogado, a OAB tem que estar presente, ele tem que sentir o apoio da instituição onde quer que esteja”. “Acho que a importância da OAB no município é de grande relevância e eu tenho a felicidade de ser a segunda vez que venho a Ituverava então fico muito feliz de ter podido dar atenção”, lembrou.

“E, isso também faz parte do nosso propósito de interiorização e não fi concentrado na capital, ou seja, levar para o interior tanto a presença da seccional através da minha pessoa neste momento, mas também toda infraestrutura, comodidade e serviços que há na Capital”, concluiu Dra. Patrícia.