Projeto na Fafram é o 1º fora da Estação de Pesquisa da Bayer

O analista de operações da Bayer Wesley Fernando Cruz destacou em entrevista ao Jornal O Progresso, que empresa está muito voltada para ESG que envolve Ecologia, Social e Governança.

“Então a parte de sustentabilidade é uma área que a Bayer está trabalhando com muita ênfase e envolvendo projetos para que a gente consiga desenvolver novas tecnologias em prol do meio ambiente”, comenta.

Segundo ele, a inclusão deste projeto da piscina de tratamento de efluentes, estufa de bioevaporação e veio para somar no negócio da empresa não somente para Bayer mas para outras que necessitam e, a Fafram tem o primeiro projeto fora da Estação de Pesquisa da Bayer em Paulínia.

“Os pontos são muito positivos, pois já foram tratados mais de 350 mil litros em Paulínia e agora com esse segundo ponto fora de Paulínia, aqui em Ituverava, tenho certeza que vai trazer muito benefício”, acredita o analista.

Cruz lembra que essa tecnologia não era usada para tratamento de efluente químico. “Era para tratamento de massa e lodo e a gente desenvolveu específico para a Bayer mas esperamos que seja disseminado para o Brasil e para fora, assim como existem projetos que estão sendo compartilhados com equipe do Canadá e outros países da India e outras sites do Brasil”, acrescenta.

Parceria

Para desenvolver esta tecnologia em Paulínia e agora implantada no campus da Fafram, a Bayer contou com a parceria da Moriah Ambiental, empresa especializada na área de bio-remediação de resíduos em geral, tanto de solo, água contaminada e lodo biológico.

Michele Moretti Panzetti, pesquisadora da Moriah Ambiental conta que inicialmente não tinham conhecimento que a tecnologia funcionaria com resíduos, como já tratava lodo biológico, intensificou as tratativas para executar o processo com lodo biológico industrial, testamos em escala pequena.

Testes

“Feito este teste em escala laboratorial, deu muito certo, conseguimos baixar a massa, mas não fizemos a análise química, porém percebemos que realmente reduziu bem o produto, pois não sentíamos o odor do efluente, que é bem diferente e forte. A gente viu que desapareceu o cheiro, temperatura aumentou mostrando a ação biológioca, o volume diminuindo e massa de água com evaporação boa então fizemos o teste, instalou na Bayer de Paulínia e até hoje já tratamos 350 mil litros há três anos”, resume a pesquisadora.

“Interessante que em 60 dias fizemos os testes e todos os ativos dos defensivos agrícolas foram eliminados, então é um material que depois de 60 dias é considerado inerte e pode ser usado como composto orgânico, material bio-estimulante que vai deixar aquele meio biologicamente adequado para as micro-bactérias se multiplicarem ficando biologicamente ativo”, descreve Michele.

“São organismos ali que estimulamos e vão reagir e eliminar esta matéria e fazer esse sucesso que deu certo em Paulínia e acredito que aqui também e quem sabe expandir para a comunidade”, declara.

Resultados

Para ter uma ideia, o projeto de Paulina é 12 vezes maior que o da Fafram. “Na piscina tem todo produto de embalagem, defensivo e pulverização e a carga não é tão alta, pois a maior parte é de água”, frisa.

“Então este material que é mais água gera os micro aspersores que cai como uma cama gerando o Bio-estimulante que vai resultar tudo que o micro organismo necessita para se multiplicar, sejam os macro ou micro nutrientes enfim tudo que eles precisam para pegar esse material, reagir e consumir como substrato “comer” e transformar numa molécula que não é danosa para o ser humano e para o meio ambiente”, explica.

A estrutura tem custo baixo. Conta com estufa que protege da chuva e acumula calor, ventilador que contribui para evaporação, não acumulando água e os ativos que serão consumidos.

“Chegamos aqui pelo sucesso de Paulínia e quando chegou ao conhecimento de todos da Bayer, todos quiseram conhecer e tinha esta parceria e o mesmo projeto dimensionou e aprovaram”, lembra.

Ela também acredita que é mais um diferencial para o curso de Agronomia da Fafram. “É possível sair projetos de mestrado pois não foi tão explorado”, sugere a pesquisadora

O diretor da Moriah Ambiental José Carlos Moreti acredita que pode ainda testar outras moléculas, como de veterinária e pensar em outros projetos. “O agente estruturante é para 10 anos, mas pode passar de 20, então o custo benefício é enorme”, calcula.

O Processo

“Geramos o efluente, nós tratamos o efluente e o que é proveniente deste tratamento que no caso é o pó de serra (agente estruturante que deixa de ser injetado) de 20 a 40 dias está livre de contaminante, embora usamos uma janela de 60 dias como segurança e estando livre de contaminante vamos usar isso em nossa lavoura como adubo orgânico”, completa o diretor da empresa parceira.

“Então a gente gerou efluente com problemas, tratou este problema e vemos este problema se transformar em um projeto de inovação e isso é o que encerra: projeto sustentável que a gente garantiu em Paulínia que funciona e agora é disseminar para outras instituições e organizações”, finalizou Moreti.