Ituverava em Reminiscência #83

A construção da nova Matriz

Parte 1

Vamos tentar relatar em quatro partes a história de nossa Matriz Nossa Senhora do Carmo, construída na Praça Rui Barbosa, hoje Praça Deputado Hélvio Nunes da Silva. Muito já se falou  a respeito, lamentando-se, portanto, que tenham demolido a histórica Matriz do Largo do Carmo, erigida em 1818 conforme ficou provado pelos registros das “Provisões do Pe. Antônio Marques Henrique, visitador ordinário da Diocese.

Na página 19 do 1° Livro de Tombo da Matriz de Franca há uma referência sobre a ereção e outra à bênção da Ermida de Nossa Senhora do Monte do Carmo, no Bairro dos Córregos.” – vide fls. 18,19 e 20 do Livro “Crônicas de Ituverava” do Prof°. José Gerado Evangelista. Também ali está o pedido do Alferes João Alves de Figueiredo, identificando-o como o fundador de Ituverava, e solicitando autorização para tal edificação. Pelo que consta, a edificação foi feita em meio ano.

A primeira Igreja Matriz Nossa Senhora do Carmo era localizada onde hoje está o Tiro de Guerra no então “Largo do Carmo” – em alusão à Igreja, que ficava na mesma posição da Igreja Nossa Senhora do Rosário, a segunda edificação católica de Ituverava que se encontra até hoje no denominado “Largo do Rosário”. Na Matriz foram celebrados todos os ofícios religiosos até 1918. O Cônego Vito Fabiani, que assumiu a Direção da Paróquia em 1914, ante o progresso da cidade que crescia vertiginosamente rumo à Estação da Estrada de Ferro Mogiana, e ao crescente número de fiéis, iniciou o movimento para a construção da nova Matriz, na Praça Dr. Jorge Tibiriçá, hoje 10 de Março, bem como a sua mudança do Largo do Carmo.

Sobre o primeiro passo, conta-nos o saudoso Cap. César, em suas primeiras palestras publicadas na Revista da Comarca, de 1948, às págs. 60. – “O Cruzeiro estava na Praça do Carmo. Frei Raymundo estando aqui em missões (1913) quis que se construísse uma igreja na parte mais alta da cidade para atrair os fiéis, resolveu removê-los da Praça do Carmo para a atual 10 de Março, o que foi feito em procissão, sendo o cruzeiro transportado nos ombros dos fiéis”. – O tradicional cruzeiro já não existe mais. Foi preciso removê-lo, pois o braço da cruz estava para cair. Assim que foi removido, de suas frinchas foram retiradas moedas, que eram ali depositadas em cumprimento de promessas. O Cônego Vito fez o primeiro pedido de auxílio, da quantia de 15 contos de réis à Câmara Municipal de Ituverava, para iniciar a construção da nova Matriz, o qual foi negado. Convocou os paroquianos e pessoas representativas do lugar para uma reunião a fim de eleger-se uma Comissão para dirigir as obras da igreja e angariar donativos.

“Cidade de Ituverava” de 09/05/1915 noticia que a Comissão ficou assim constituída: Presidente de honra: Dr. Augusto José da Costa; vice-presidente de honra: Dr. João Batista de Medeiros; presidente efetivo: Maj. Cristino Ribeiro dos Santos; vice-presidente: Cel. Conceição Francisco Barbosa; secretário: Cel. Antônio de Quadros; tesoureiro: Cel. Irlandino Barbosa Sandoval; gerente de obras: Revmo. Cônego Vito Fabiani; vogais: Cel. Benedito do Amaral, Dr. José Aníbal Soares de Oliveira, Dr. João da Rocha Miranda, Cap. Florindo José da Silva, Cap. Miguel da Silva Villar, Cap. Primo Augusto Barbosa, Cap. Jerônymo Augusto Barbosa, Prof°. Arnaldo Guilherme Cristiano, Maj. Vitor Venerando da Fonseca, Alfredo M. Auzi, José Cotroni e Sebastião Seixas”.

A comissão entrou em ação, o Cônego Vito Fabiani sempre incansável, ofereceu 200 metros cúbicos de pedra de ferro para os alicerces do novo templo, que seria erigido na Praça Dr. Jorge Tibiriçá, obedecendo a uma planta estilo bizantino, medindo 50 metros de comprimento e 24 de largura. O Cel. Irlandino Sandoval, prefeito municipal e fazendeiros comunicaram que abririam uma lista a seu cargo com a quantia de cinco contos réis e que vários fazendeiros iriam imitá-lo. Assim estava iniciado o trabalho. A poetisa ituveravense que assina ‘Marlon’ e colaboradora do jornal “Cidade”, publicou no n° 54, de julho de 1915, o seguinte “triolet”: “Vamos ter a nova igreja: / É caso de alegrar. / Se cada um esforçar, / Vamos ter a nova igreja;  Onde louvando Deus seja / Por fazer-nos melhorar. / Vamos ter a nova igreja; / É caso para alegrar”.

Enquanto não se construía o novo templo, o povo e a Comissão ajudaram o Cônego Vito a adaptar um prédio que outrora fora o Cine Éden (seu empresário era Cap. César), onde é hoje o prédio de propriedade do ex-banco Comercial, ao lado do palacete que era do Vigário Fabiani, também foi residência da Sra. D. Custódia Faleiros Sandoval. Aí se instalou provisoriamente a nova Matriz. A 06 de janeiro de 1918, em provisão solene foi transportada a imagem de Nossa Senhora do Carmo, do Largo do Carmo para a igreja adaptada, onde aconteceram os ofícios religiosos até julho de 1929. Nesse local, as principais solenidades religiosas anualmente eram acompanhadas de leilões, fogos de artifício etc.

A campanha pró-construção era grande, tanto assim que o Cônego Vito já convidara S. Excia. Revma D. Alberto José Gonçalves, bispo de Ribeirão Preto, diocese a qual pertencia a nossa comarca, para proceder ao lançamento da pedra fundamental do novo templo, a ser edificado na Praça Dr. Jorge Tibiriçá. O fato teria lugar quando o mesmo faria a visita pastoral. “Cidade de Ituverava” registra as visitas de S. Excia. Revma., as quais eram solenemente festejadas com banda de música, discurso, banquetes e fogos de artifícios. Em uma dessas visitas pastorais o vigário vai distribuir convites para esse fim, dando como lembranças a todos os retratos do prelado”.

Cidade de Ituverava, julho de 1915