Ituverava em Reminiscência #78

Nossos Jornais e a Emancipação Política de Ituverava

Moacir França

14/12/1985

Quando em março de 1904, Antônio G. Gonçalves fundou “O Ituveravense”, primeiro semanário editado em nosso município, a emancipação política de Ituverava contava 19 anos. Seu exemplar de 07 de maio daquele ano traz várias notícias, editais, anúncios curiosos, seção livre e outros. Só que o jornal teve menos de um ano de duração.

Já em 1907 veio a público o segundo jornal ituveravense, 22 anos após a emancipação. Temos em mãos o exemplar de n° 02, datado de 18/06/1907, com notícias que merecem apreciação. “O Município” era seu nome e também teve vida efêmera. Ficamos sem meios publicitários por sete anos.

Nesse interregno, aconteceram fatos importantes e dignos de registro. Só para citar um – a passagem do cometa Halley em maio de 1910. Não tínhamos jornal para registrar o fenômeno que causou preocupações na população da época, principalmente do interior, devido à falta de informação.

O que não acontece agora com a volta dele, após 76 anos, devido aos meios de que dispomos para prevenir, possibilitando-nos apreciar o grande espetáculo considerado pelos cientistas, e de rara beleza, o qual será possível ver a olho nu em locais distantes das luzes da cidade.

Ituverava, assim como as outras cidades, já está apreciando os primeiros sinais da chegada da “grande estrela” com a presença de uma chuva de meteoros que estiveram visíveis até 31 de outubro passado e 27 de novembro.

Daí como disse, sete anos depois, a 31 de maio de 1914, Humberto França distribuiu o primeiro número do semanário “Cidade de Ituverava” e a emancipação do município contava 29 anos. De lá para cá, houve grandes transformações em nossa comunidade. “A Cidade”, que em 1984 completou 70 anos de circulação, registrou até então em suas colunas a trajetória evolutiva por qual passou a cidade, a sua gente e tudo o mais, conforme consta em suas coleções.

Só para exemplificar, lembramos do registro da entrada do Brasil na I Guerra Mundial, de 1914 a 1918. A Revolução Constitucionalista de 1932 e também a nossa participação e a do Brasil na II Guerra Mundial, deflagrada em primeiro de setembro de 1939 e terminada em 07 de maio de 1945.

Sinto-me bem à vontade de estar nesta hora em que festejam o centenário político de Ituverava, como também em saber que o jornal “A Cidade”, fundado por meu pai, registrou em suas colunas nesses 70 anos os mais importantes fatos que passaram na História.

A imprensa citada sempre lutou pela sua sobrevivência, mas apesar disso outros semanários foram aqui fundados. Porém são poucos os que viram o centenário.

“O Libertador”, fundado em março de 1924 e tendo como diretor o jornalista e gráfico José de Almeida Coelho, mais conhecido como “Pequetito”, foi fundado com finalidade política – era órgão do PRP. A campanha movida pelos seus dirigentes foi intensa e um tanto violenta nessa finalidade, teve 1 ano e meio de publicidade. A emancipação contava 39 anos.

Com 44 anos de emancipação, em janeiro de 1929, dirigido pelo Pe. João Rulli veio a público o novo jornal “A Voz” que, além de tratar de assuntos religiosos, era noticioso e social. O jornal “A Voz” não teve um ano de publicidade, foi mais um semanário que não conseguiu vencer a estrada acidentada que está sempre a enfrentar a imprensa interiorana.

“Folha da Semana”, de propriedade e direção do jornalista Agostinho dos Santos foi mais um semanário às ruas, no dia 02/02/1930. “Folha da Semana” surgiu no advento do Partido Democrático no país. Foi combativo, noticioso e social. O semanário teve onze anos de publicidade. Com critério e equilíbrio, participou a seu tempo de diversas campanhas.

Registrou em seus anais os fatos aqui ocorridos no período de onze anos, pena é que suas coleções foram perdidas, não existem, pois naquele tempo não tínhamos biblioteca. Só nos resta uma coleção, a de um ano. O jornal lutou pelos interesses do município e seu diretor-proprietário foi um grande jornalista. Contava o município com 45 anos de emancipação.

Sob a direção e propriedade de José Almeida Coelho foi fundado em novembro de 1932 o novo semanário chamado “A Renascença”, o qual teve como seu redator o acadêmico de Direito Lauro de Cerqueira César. Ele é o ituveravense que, ao nascer, trouxe nas veias o sangue de jornalista que herdou de seu pai Cap. Joaquim de Cerqueira César. “A Renascença” foi um jornal independente e noticioso, bem feito e bem redigido, porém durou menos de um ano. O município contava com 47 anos de emancipação.

Em março de 1937 é fundado o jornal “O Ituveravense”, órgão do Partido Republicano Paulista (PRP) e teve como gerente-proprietário o senhor Mário Lacerda Nogueira. O semanário, que era político, teve pouca duração, pois pertencia ao PRP. Teve meio ano de publicação. Contava o município com 52 anos de emancipação.

Em 21/08/1938, sob a direção do Dr. Gabriel J. Figueiredo e redação a cargo do Dr. Cássio Garcia Ordine, veio a público o terceiro semanário com o nome de “O Ituveravense”. Jornal independente e noticioso visava, principalmente, os interesses do município. O jornal teve um ano de existência, o que é de se lamentar. 53 anos de emancipação do município.

“Tribuna de Ituverava”: a 09 de julho de 1949 nasceu, das mãos de Adhemar Cassiano, diretor e proprietário, o jornal “Tribuna de Ituverava”. Seu primeiro redator foi o professor João Beber Figueiredo. Também foram redatores os senhores Eloy C. César, Dr. Antônio Barbosa Lima, professor José Franco Rodrigues, além do autor deste.

Hoje é dirigido pelo jovem José Luiz Alves Cassiano e tem como redator seu fundador Adhemar Cassiano. O já tradicional semanário “Tribuna de Ituverava”, ao completar 36 anos de circulação ininterrupta está entrando para melhores dias, apresentando-nos uma boa evolução, não só em seu formato ampliado como também já faz composição no linotipo. O prestigioso órgão da imprensa interiorana, cuja existência tem se destacado por uma combativa atuação em favor do progresso da nossa comunidade e de seu laborioso povo.

Desde os primeiros instantes da missão foi e é uma trincheira resoluta das reivindicações mais sentidas da coletividade ituveravense. Em suas preciosas coleções estão escritas páginas e páginas da história de Ituverava, também ali estão registrados os fatos mais importantes vividos pelo nosso povo e mais ainda, o registro do Centenário da Emancipação Política de Ituverava. Quando surgiu a “Tribuna”, o município contava com 64 anos de emancipação.

“Folha de Ituverava”, seu primeiro número veio a público no dia 10 de março de 1975, quando Ituverava comemorava mais um aniversário de sua emancipação. Tem como diretor e proprietário o jornalista dedicado e farmacêutico Muchir Miguel Francisco que há muito está integrado nas lides de fazer jornal. O semanário é editado pela gráfica do Ramal. Noticioso e constante, pois no ano do centenário da emancipação política de Ituverava, completou 10 anos de publicidade ininterrupta, e em suas coleções também constam fatos importantes aqui ocorridos durante essa década. O seu aparecimento foi quando o município já estava com 90 anos de emancipação.

“Jornal Regional”, dirigido pelo jornalista José Maurício Amêndola veio a público no dia 25 de novembro de 1978. O “Jornal Regional”, com publicidade quinzenal e mensal, atende a nossa região a contar de Jardinópolis até Igarapava. Jornal independente, político e noticioso. Em sete anos de publicidade registrou em suas páginas notícias e reportagens da nossa região, tendo como a sua sede a nossa cidade, também faz parte dos jornais ituveravenses que viram o centenário da emancipação de Ituverava. Apareceu em nossas ruas quando o município contava 93 anos de emancipação.

“O Progresso” veio a público no dia 08 de junho de 1983 como suplemento do jornal “O Rio Grande” sob a direção de Cleso Barbosa da Silva e Manoel Simão Moreira, tendo como primeiro jornalista-responsável Silvio Rafael Barbosa. No mesmo ano, o jornal teve impressão e montagem em oficinas próprias nesta cidade.

O semanário que no corrente ano (1985) completou dois anos de publicidade tem hoje como diretor Cleso Barbosa da Silva. Como jornalista-responsável Walter Luiz Corrêa. O jornal, que é noticioso e bem feito, vem registrando os fatos aqui ocorridos como também participa da publicação dos eventos da comemoração do Centenário de Emancipação Política de Ituverava e de outros fatos que vão ocorrendo em nossa cidade. O seu surgimento verificou-se quando a emancipação do município já contava com 98 anos.

Desta forma, diversos jornais surgiram em nossa cidade a contar de 1904. Nem todos chegaram até hoje, mas deixou indelével a sua colaboração em favor da comunidade. Em seu bojo estão os escritos que serão história hoje, amanhã e sempre.

Para os que estão em circulação, fazemos votos para que continuem nessa honrosa e árdua missão de bem informar, de maneira digna e merecedora de nossos respeitos como sempre o fizeram. Nessa oportunidade, cumprimentamos a todos aqueles que, heroicamente dirigem seus semanários. Feliz da cidade do interior que mantém o seu jornal – e temos quatro -, pois se um dia deixar de existir, de circular, não nos enganemos: a cidade ficará mais pobre, mais triste e menos informada.

A imprensa em Ituverava

Revista Comarca de Ituverava

Muitos jornais teve Ituverava desde o começo do presente século. Publicamos uma relação dos principais, fornecida pelo Cap. Joaquim de Cerqueira César.

O ITUVERAVENSE – Fundado por Antônio Gonçalves em 1904, sendo depois transferido a diversos, cabendo a sua direção e redação ao Cap. Joaquim de Cerqueira César, e a gerência a Romão Leal.

O MUNICÍPIO – Sendo diretor e redator Manuel de Amorim Brenho e foi de pouca duração.

CIDADE DE ITUVERAVA – Fundado em 31/05/1914 e de propriedade de Humberto França.

O LIBERTADOR – Fundado em 1924, sendo de propriedade de diversos. De redação dos Doutores José Aníbal Soares de Oliveira, Roberto Tedesco, Viriato Correia e Lindolfo Barbosa Lima. Colaboradores: Joaquim César, Amorim Brenho e outros. “Foi fundado para derrubar uma dinastia” – disse o informante.

A RENASCENÇA – Propriedade de Agostinho dos Santos. Fundado em 02/02/1930, durou até o final de 1941.

A CRÍTICA – Semanário fundado em 15/08/1934. Literatura, críticas e humorismo. Seu diretor era Moacir França e redator João Zaidan. Seu último número foi em 15/11/1934.

O ITUVERAVENSE – Sendo diretor o Dr. Gabriel Justino de Figueiredo e redator o Dr. Cássio Garcia Ordine, circulou em meados de 1938.

Não mencionamos os jornais de publicação quinzenal ou mensal. Entre eles, destacamos apenas os “Ex-alunos”, que está sendo publicado pelos ex-alunos do Ginásio Municipal local. São diretores responsáveis o senhor José de Paula Leão, João Teles e Maurício Alexandre. O primeiro número foi lançado em 30/04/1946.

• Atualmente (2021) circulam periodicamente todos os sábados, 2 jornais: Tribuna de Ituverava (fundado em 1949), tendo como diretor José Luiz Alves Cassiano ao lado de sua esposa Tina Martins Cassiano, a irmã, professora Cidinha Cassiano, a filha Maria Cristina e o genro Daniel Dantas e Jornal O Progresso (fundado em 1983), dando continuidade ao trabalho do jornalista Cleso Barbosa da Silva, seus filhos Gerson e Almir, que possui um belo parque gráfico na própria cidade, contando com profissionais da diversas áreas da impressão comercial, publicitária e editorial. Lembramos também do jornal Painel do Comércio conduzido pelo professor e jornalista José Manoel Ramos Pereira “Nel”. Parabéns a todos por manterem firmes a tradição de Ituverava e a qualidade da notícia para os ituveravenses e região.