Psiquiatra alerta sobre cuidados com a Saúde Mental

A COVID-19 trouxe, além da pandemia, uma mudança significativa na execução de atividades rotineiras e que fazem parte do dia a dia social. Ficou mais difícil e perigoso sair de casa, frequentar locais públicos… foi adotado o regime ‘home office’ e então passamos a nos enxergar com diversas limitações.

Entre tantas mudanças, a saúde mental tem sido uma das grandes prejudicadas por tantas limitações, medos e tensões. Manter, cuidar e garantir a saúde mental não é tão simples quanto parece, principalmente nos dias de hoje. Ela implica muito mais que a ausência de doenças mentais, e em tempos de pandemia, o estresse acaba sendo um poderoso fator de influência.

O desequilíbrio emocional facilita o surgimento de doenças mentais. Infelizmente, a pandemia da COVID-19 trouxe também a maior incidência de tais doenças. Concomitante a isso, o médico psiquiatra ituveravense Dr. Eduardo Figueiredo Jorge foi procurado e concedeu entrevista esta semana ao Jornal O Progresso com a finalidade de abordar sobre a importância do psiquiatra, principalmente na questão do cuidado com a saúde mental, sobretudo nesse momento de pandemia. “Com certeza, nesse tempo de pandemia o número de pacientes aumentou. Principalmente os pacientes com transtornos relacionados à ansiedade”, adiantou o médico.

“Neste momento, é importante procurar informações; praticar exercícios; procurar tratamento psicoterápico; e/ou consultar um psiquiatra”, destacou ao Jornal em relação ao momento da pandemia da COVID-19.

Dr. Eduardo Figueiredo Jorge é filho do Dr. José de Moura Jorge, o reconhecido médico “Dr. Moura” e da professora Ângela Maria Figueiredo de Paula Jorge e tem os irmãos Dr. Rafael Figueiredo Jorge e Dra. Beatriz Figueiredo Jorge, também médicos. Confira a entrevista completa com o médico psiquiatra Dr. Eduardo.

Progresso:  Há quanto tempo atua como médico? Por que escolheu esta profissão? Onde formou-se?

Dr. Eduardo Figueiredo Jorge: Atuo como médico há 10 anos, sendo que terminei a residência em Psiquiatria há 5 anos. Formei na Faculdade de Ciências Médicas de Santos, e fiz a residência na Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.

Progresso:  Onde se especializou e onde já trabalhou, onde trabalha atualmente? Por que escolheu a Psiquiatria?

Dr. Eduardo: Além da residência, fiquei seis meses no HC de São Paulo, na USP no Pró-Mulher (Saúde Mental da Mulher). Depois, vim para Ituverava. Atualmente, trabalho na Santa Casa, na SunMed, na APAE (CER) e no meu consultório particular. Além disso, trabalho como professor na Unifran; e no Pronto Socorro de Franca-SP.

Eu entrei na faculdade querendo Psiquiatria, e ao longo do curso tive a certeza do que queria. Ao longo dos anos de trabalho, descobri que fiz a escolha certa. Ajudar alguém que tem uma doença mental a ter uma recuperação da funcionalidade, seja ela laboral, familiar ou social, é muito reconfortante.

Progresso:  Quando o senhor recomenda a pessoa procurar a ajuda de um psiquiatra?

Dr. Eduardo: Geralmente, é quando existe alguma coisa que causa sofrimento psíquico e/ou que causa prejuízo no dia a dia da pessoa. Por exemplo, o transtorno depressivo… a pessoa fica com prejuízo de ânimo, não vê mais “graça” nas coisas que gostava de fazer, pensa em morte de forma recorrente, tem insônia, falta de apetite etc., e isso tudo faz com que a funcionalidade dela no dia a dia seja muito prejudicada, além de causar um intenso sofrimento psíquico.

Progresso:  O que uma doença psiquiátrica pode provocar em uma pessoa? Explique a importância do tratamento.

Dr. Eduardo: Depende da doença. Os sintomas e as consequências são diversas. Por exemplo, um transtorno de ansiedade faz com que a pessoa tenha um prejuízo no dia a dia muito intenso. Principalmente na questão do sono, sofrimento antecipado, da expectativa apreensiva, tensão etc.

Num transtorno psicótico, por exemplo, a pessoa pode evoluir com delírios, alucinações… e isso faz com que a pessoa tenha um comportamento muito desorganizado, uma fala muito desorganizada etc. É tão grave, que pode acarretar homicídio, suicídio ou prejuízos tão graves quanto.

Progresso:  O senhor acredita que nos dias atuais quando enfrentamos pandemia, crises econômicas e políticas têm gerado maior número de pacientes nesta área? O que mais tem proporcionado a procura de profissionais da Psiquiatria, em sua opinião?

Dr. Eduardo: Com certeza, nesse tempo de pandemia o número de pacientes aumentou. Principalmente os pacientes com transtornos relacionados à ansiedade. Aumentou muito o transtorno de ansiedade generalizada e o transtorno do pânico. Foram as doenças mais incidentes nesse período.

Acredito que, após isso tudo, na quarta onda da pandemia que a OMS (Organização Mundial da Saúde) divulgou, será a onda de doença mental. E nós nem chegamos ao final da pandemia, mas durante esse período isso tudo já tem sido muito claro para nós. Já está bastante complicado e ruim com a pandemia, mas a incidência de doenças mentais tende a piorar.

Progresso:  Que conselho o senhor daria para pessoas lidarem e “sobreviverem” nestes momentos de elevação de situações que provocam estresses, ansiedade, tristeza e outros?

Dr. Eduardo: Um conselho que posso dar, nesse momento, é que as pessoas busquem se informar brevemente da situação do dia a dia. Que a pessoa passe – no máximo – 30 minutos do dia buscando informações, mas que não fique vidrado nisso. Pois se ficarmos procurando informações, a maioria delas será negativa, visto o momento que estamos enfrentando.

Principalmente quando um familiar ou alguém próximo falece, é que notamos e percebemos que a COVID-19 está muito perto da gente. Outra questão que é complicada também e que as pessoas precisam procurar principalmente uma psicoterapia é a fase de luto. Quando perdemos alguém nessa situação da COVID-19, não tem velório, e o velório é aquela situação que faz com que você perceba que a pessoa faleceu. Com a COVID-19, não há o “ritual de despedida”, falando coloquialmente, e isso é uma coisa que precisamos aprender a conviver.

No geral, meu conselho é: procurar informações; praticar exercícios (é FUNDAMENTAL); procurar tratamento psicoterápico; e/ou, consultar um psiquiatra.