O Calçamento da cidade – Parte 2

No ano de 1947, Ituverava teve três prefeitos nomeados e todos pouco ou nada puderam fazer em favor da pavimentação. Para substituir o Sr. João Athayde de Souza foi nomeado o Sr. Antônio Barbosa Faleiros, que tomou posse dia 04 de maio e exonerou-se a 20 de junho. Para substitui-lo, foi nomeado o Sr. Augusto Cândido Faleiros.
Ainda nesse mesmo ano de 1947, tivemos as eleições para prefeito e vereadores. Enquanto isso, a poeira azucrinava o povo, que nutria esperanças por dias melhores. Candidataram-se para a Prefeitura os Srs. João Athayde de Souza; Dr. José Alípio F. Fonseca; Balduíno Nunes da Silva e Abrahão Miguel. Na fase da campanha, a questão do calçamento foi o “prato do dia”. Os candidatos a prefeito e vereança todos prometeram para a solução da decantada questão do calçamento.
Como a campanha foi acirrada e de uma movimentação muito grande pois envolveu todo mundo, o pó foi esquecido, ou melhor, tolerado, pois a política local é absorvente. Só a imprensa é que não descansou, pondo o assunto sempre em evidência. Terminada a campanha, elegeram-se a 09 de novembro de 1947 o Sr. João Athayde de Souza para prefeito; já a Câmara teve a seguinte constituição: Dr. José Ferreira Telles (Dr. Juquinha); Miguel Liporaci Sobrinho; Gilberto R. Barbosa; Flávio Cavalari; Cecim Miguel; Miguel Jacob Daur; Epaminondas Duarte; Elífio Peres Quireza; José de Paula Leão; Sebastião Coelho; José Sandoval; José Ribeiro da Rocha; e Augusto Simpliciano Barbosa.
A Câmara foi empossada dia primeiro de janeiro de 1948 e nesse momento, em sessão extraordinária empossou o prefeito Sr. João Athayde de Souza, que ocupa o cargo pela segunda vez. A questão do calçamento é debatida na Câmara que, por proposição do Sr. Miguel Jacob Daur, aprovou projeto de lei que se tornou a Lei n° 20 de 02/03/1948, cujos dispositivos obrigavam os Srs. Proprietários de prédios e terrenos a procederem a ligação domiciliar do esgoto, como também estabelecida a obrigatoriedade da construção do calçamento que ficou por conta dos proprietários, revogando-se o Decreto n° 54 de 1945 que versava sobre o assunto com mais acuidade.
Assim, com lei pronta, mais um ano se passou e agora se discutia a forma de pagamento imposta pela nova lei. 1948 chega, e com ele as chuvas. Os protestos surgem através da imprensa, dos moradores e dos vereadores agora de “cátedra”, faziam verdadeiro bombardeio com indicações ao prefeito solicitando providências imediatas para início do calçamento, a fim de que Ituverava perdesse os títulos de “rainha da poeira” e “princesa da lama”. Planos foram apresentados para a pavimentação da cidade.
Não era possível mais protelação, o estado de nossas ruas na época das chuvas era lamentável. As críticas e desespero da população não tinham fim. O colaborador do Jornal “Cidade”, Hélio Furquim de Oliveira, publicou no mesmo a 04/04/1948 os seguintes versos cáusticos:
“Desde a era pré-histórica
A multidão perguntava
Quando é que serão calçadas
As ruas de Ituverava?
Pra esperar foram avisados
Mas vamos ficar cansados?
De esperar que algo se faça?
Foi nessa ocasião, leitores
Que pra não cansar os senhores
Puseram bancos na praça.”
Nesse mesmo mês de abril, para a satisfação pública, e dando o primeiro passo para a execução da pavimentação, o Sr. João Athayde de Souza fez publicar na imprensa local o Edital de Concorrência Pública para a construção do calçamento das ruas e praças da cidade, com o prazo de 90 dias, sendo que o serviço deveria ser feito com paralelepípedos ou asfalto. Vencido o prazo da concorrência em julho, tivemos a primeira decepção. Não houve concorrente e o novo edital só seria publicado mais tarde, pois se discutia de que forma seria o decantado calçamento. Surgiram controvérsias: se seria de paralelepípedos, asfalto ou outro tipo de placa de concreto.
O tempo corria, chegamos a dezembro de 1948 e nada do calçamento. Em janeiro de 1949, visitaram-nos três engenheiros de Belo Horizonte, que eram entendidos do assunto de pavimentação. Estavam acompanhados do Prof.° João Elísio de Carvalho, os quais ficaram impressionados com a topografia da cidade. Mas não tiveram interesse em empreitar o serviço. Enquanto não se iniciava a pavimentação, procedia-se às ligações de esgotos, e a Prefeitura para debelar o pó adquiriu novo caminhão de irrigação. Quando esse veículo funcionava, provocava de início muita poeira, pois os jatos de água eram à pressão e a sua primeira passagem levantava nuvens de pó, obrigando os comerciantes a fecharem suas portas para se livrarem do mesmo. (continua na próxima edição)
