Ituverava em Reminiscência #65

“Cidade de Ituverava” e seu cinquentenário, sob a direção de Muchir Miguel Francisco

30/05/1964

É com o maior prazer que noticiamos um acontecimento da mais lídima expressão para a imprensa do interior paulista: o jubileu de ouro do semanário local “Cidade de Ituverava” que ocorre amanhã, órgão fundado e por muitos anos dirigido por Humberto França, duas vezes laureado pela Associação Paulista de Imprensa e que gira atualmente sob a direção do nosso colega, o jornalista Muchir Miguel Francisco.
Nós, que durante vários anos trabalhamos ao lado do França na feitura de seu jornal, nos sentimos à vontade para falar de sua luta, que foi toda uma odisseia de sacrifícios para manter-se em dia com seu leitor.
Realmente, só homens do estofo de Humberto França, metódico, organizado e cônscio de suas e da responsabilidade de um jornal, poderiam manter acesa a chama do jornalismo indígena, atravessando as épocas mais difíceis e saindo delas airosamente.
Servindo Ituverava como ninguém o tenha feito com tamanha dedicação, França deu um exemplo de dignidade profissional dentro de uma linha de conduta irrepreensível da qual não se afastou do nascimento de sua folha até quando a entregou ao novo diretor, que é Muchir Miguel Francisco.
O jubileu de ouro da “Cidade”, desta forma, é também nosso e muito mais do povo ituveravense e ainda de toda a imprensa do interior do Estado.
Nestas ligeiras notas prestamos nossas homenagens à “Cidade”, a Humberto França, seu fundador, a Muchir Miguel Francisco, seu atual diretor, e à coletividade ituveravense por quem o semanário tem dedicado toda sua vida.
O jornal “Cidade de Ituverava” também teve como diretor o advogado Fernando Cordaro, que foi um também um baluarte na história do jornalismo de Ituverava. Ao lado de Muchir, Humberto e Moacir França, Adhemar Cassiano e tantos outros que fazem manter vivo o ideal do jornal impresso em Ituverava.

Jorge Nunes, um dos fundadores da Rádio Cultura e Cine Rosário

Mais um ituveravense por doação que hoje nos relata fatos aqui ocorridos, Jorge Nunes (que está na foto acima), que transferiu residência da cidade de Igarapava para esta cidade em princípios de 1930 juntamente com seus familiares. Eram seus pais Amim Nunes e dona Mercedes Nunes e seus irmãos: Michel Nunes, Dib Nunes, Júlia, Amalim e Bárbara Nunes.
Essa família de libaneses aqui chegou com disposição de trabalhar e colaborar com o desenvolvimento da cidade.
O nosso memorialista Jorge Nunes, a esse tempo era o caçula da família, mas juntamente com os irmãos Michel e Dib formou o trio dos Irmãos Nunes, que logo iniciou o trabalho para a fundação da Rádio Cultura de Ituverava, a qual funciona até hoje com nova Direção.
O senhor Amim Nunes também pôs mãos à obra e estabeleceu-se com uma bem montada confeitaria, cujo estabelecimento serviu à nossa população com variadas iguarias por muitos anos.
Os Irmãos Nunes, quando já entrosados com a população ituveravense, participaram de todos os clubes sociais e procuraram colaborar com as nossas entidades.
Nessa década de 30 tínhamos somente o saudoso Cine Teatro Santa Cecília, o qual foi inaugurado em 1918 e estava precisado de melhoramentos para melhor atender ao público, o que não foi feito.
Aí os Irmãos Nunes planejaram a construção de uma nova e moderna casa de diversões e espetáculos – edificaram o nome Cine Rosário, em terreno que faz frente com a nossa principal Avenida Dr. José Anibal Soares de Oliveira.
Tanto na rádio como no cinema esteve como supervisor o jovem Jorge Nunes. Na rádio, todas as notícias e informações de caráter filantrópico sempre tiveram guarida. No cinema, as portas do mesmo sempre foram abertas para espetáculos beneficentes.
Ituverava, ao tempo dos empresários Irmãos Nunes, teve a felicidade de assistir apresentações de grandes companhias teatrais, importantes musicistas e cantores diversos.
Assim, com poucas referências sobre o dinâmico Jorge Nunes e seus familiares, queremos deixar aqui os nossos agradecimentos pelo belo trabalho que a família do velho Amim Nunes realizou nessa cidade.