Homenagem ao Sr. Antônio Rodrigues dos Santos (Marceneiro)

O nosso homenageado de hoje é o Sr. Antônio Rodrigues dos Santos, mais conhecido por Antônio Marceneiro, o pescador, comerciante, (cujo estabelecimento permanece na ativa até os dias atuais, demonstrando que seus filhos, genros, e netos o seguiram no bom caminho do comércio).
O Sr. Antônio é natural de Franca – a Franca do Imperador, nascido em 07 de fevereiro de 1908. Filho de Antônio Rodrigues dos Santos e Maria Firmina dos Santos, ambos falecidos em 1918 quando a epidemia monstruosa de Gripe Espanhola arrasou vidas e mais vidas do nosso povo brasileiro.
Aos 10 anos, o Sr. Antônio ficou órfão de pai e mãe e o seu cunhado Albino Archetti, casado com Maria José dos Santos Archetti legalmente passaram a tutelar o menino Antônio. Em 1922, o garoto Antônio iniciou o trabalho em firma do Sr. Izidoro Lopes, na Fábrica de Móveis Boris & Cia, e neste trabalho aprendeu a lidar com móveis e marcenaria.
Em 1925, já oficializado marceneiro, foi trabalhar na Marcenaria Francana, cujo proprietário era o Sr. Lanza e Montanini, onde permaneceu até 1927. Neste período, o Sr. Antônio, homem já formado e com firme propósito de vencer na vida, conheceu Dona Elza Barbosa Leite, filha de Júlio Alves Leite, e Dona Evarista Barbosa Leite, e oficializou perante Deus o seu casamento no dia 31 de outubro de 1929.
O Sr. Antônio trabalhou na profissão de marceneiro do ano de 1929 a 1939, quando transferiu residência para Ituverava, estabelecendo-se primeiramente na Av. Francisco Glicério (hoje Doutor Soares de Oliveira) com um mercadinho de frutas em prédio onde funcionou a Casa da Noiva, outrora residência do soldado Waltrudio. Dois anos depois, no mesmo local transformou o seu mercadinho em um bar que permaneceu até 1950. Em 1951, o Sr. Antônio comprou prédio à R. Euclides Barbosa Lima, e montou o primeiro bar do setor, permanecendo até hoje. O Sr. Antônio teve o grande amigo que o acompanhou desde o início de seu trabalho em Ituverava, cujo estabelecimento também permanece até a presente data no comércio de Ituverava, o Sr. Francisco Marcondes, o popular Chico Marcondes.
O Sr. Antônio Marceneiro foi homem voltado para a família e para os amigos, e enquanto trabalhava tratava aos amigos e fregueses com a maior distinção e cortesia, dado o seu elevado espírito de moralidade e respeito, inclusive pelas crianças.
Certa ocasião, percorrendo ruas da cidade, avistou um conhecido residente em São Benedito da Cachoeirinha próximo ao Rio do Carmo, acometido de enfermidade passageira, porém muito mal no momento. O Sr. Antônio alugou um táxi e conduziu-o até a sua casa. Dias após, visitado pelo conhecido, recebeu uma cesta contendo muitas verduras em agradecimento ao seu gesto nobre de tê-lo conduzido até a sua casa.
Sr. Antônio foi homem sem inimigos, pois foi durante toda a sua vida, uma pessoa voltada para o bem sem olhar a quem. E por isso ele foi padrinho de mais ou menos 50 pessoas entre casamento, crisma, diplomados e batizados, incluindo minha irmã Maria Aparecida Sandoval Mendes.
Em 1945, o Sr. Antônio dava início à sua vida de lazer, e nas horas de folga tomava uma jardineira e com seu amigo e compadre Jorge Barbosa Sandoval partiam para o Varjão, sempre para suas pescarias do bar do Sr. Miguel Gomes, onde funcionou a Caixa Econômica do Estado, trazendo em suas bagagens os famosos piaus dos olhos vermelhos, hoje totalmente extintos devido à poluição dos nossos rios. Outros pescadores famosos foram seus amigos, tais como José Rodrigues Barbosa, Tio Sérgio do Banco do Brasil, Homerão, Chico Paca, Adelmo Otaviano, Arlindo e Ernesto Chiconelli, e ainda Antônio Lima, Victório Poleto, Conceição Alves, Nagibão, Simão, Hamilton Junqueira e não faltando o seu grande amigo e filho, Antônio que faleceu aos 21 anos.
Em 1963, o Sr. Antônio foi tesoureiro do Clube Princesa Isabel, na presidência do Sr. Joaquim Antônio (Joaquim soldado), quando deram início à construção do prédio da Sociedade Princesa Isabel, sendo inaugurado oficialmente em 1974. Quando terminou a gestão do Sr. Joaquim, ficou mais algum tempo na Tesouraria a convite do então presidente Sr. Francisco de Paula até 1976.
Em 1976, sentia o Sr. Antônio vontade de ajudar os filhos e genros, e aí resolveu passar a gerência de seu bar – um dos mais frequentados pelos amigos e pescadores – aos seus herdeiros, e permaneceu ainda residindo ao lado do bar. Orientando-os com sua simpática presença, agraciando a todos com suas histórias de pescador.
Do seu casamento com Dona Elza teve 12 filhos, 11 genros e noras, e 28 bisnetos. (Texto adaptado de publicação nos anos 70 no jornal Cidade de Ituverava- Coluna do Celso Barbosa Sandoval). Sr. Antônio faleceu no ano de 1978 deixando um enorme legado e muitas amizades.