Ituverava em Reminiscência #55

Rua Coronel José Nunes da Silva

02/09/1967

A rua já se chamou Rua Oito. Hoje é também conhecida como “Rua da Igreja”, pois tem início junto do Largo da Matriz (antiga Praça Rui Barbosa). Até algum tempo não ia além do engenho de arroz de Josué & Chapine, atualmente de Joaquim Inácio Barbosa, avançando cerca de um km e descendo suave ladeira ao aproximar-se do novo bairro de São Francisco.

Se traçasse uma cruz sobre o perímetro urbano em que o braço grande fosse a avenida principal Dr. Soares de Oliveira, o braço menor poderia ser a Cel. José Nunes. O cruzamento de ambas as vias constitui o Centro da cidade. A não ser nas proximidades da Dr. Soares de Oliveira, onde se localizam as maiores lojas de nossa “urbs”, ela é quase inteira ocupada por casas de moradia, algumas modernas e de belo aspecto. Os baldios já são raros.

Sempre, pelo menos nos últimos 50 anos, existiu uma farmácia na rua de hoje, a começar da Pharmácia São Paulo, de Mário de Carvalho, mineiro de Três Corações, cujas calçadas foram o centro da vida social local. Também Alcino Parreira teve sua farmácia na mesma rua – a farmácia nada teve de notável, mas sim o seu proprietário, que era chefe do P. D. e que teve destacada atuação política por volta dos anos 30/32.

Veio depois a farmácia do Ulisses Faleiros e de Ayrton & Francisco Alves. Hoje permanece quase no mesmo local das anteriores a Santo Agostinho, do nosso amigo Chiquinho. Durante cerca de 20 anos foi a Rua dos Cartórios e da Coletoria Estadual, e por um tanto menos a da Federal. O jornal “Cidade de Ituverava”, quando de Humberto França, tinha nesta rua sua oficina e redação, o mesmo acontecendo com a “Tribuna de Ituverava” por vários anos. É a via obrigatória das procissões, cortejos fúnebres e também dos esponsalícios.

Foi sede da Rádio em duas fases de sua existência, ao mesmo tempo de João Mena Barreto e do Michel Nunes. A rua é simpática, alegre, arborizada desde o governo de Flávio Cavallari, tendo bela perspectiva e sendo visível a torre mourisca de nossa Matriz desde a baixada S. Francisco.

O Patrono

Foto do Coronel José Nunes da Silva que em 1902 foi prefeito (intendente) de Ituverava

Segundo as buscas realizadas por Leandro César Teixeira, o Cel. José Nunes da Silva (mais conhecido como Zeca Balduino) nasceu no Carmo da Franca (Ituverava mesmo) no dia 13 de outubro de 1862, falecendo na mesma cidade no dia 1 de abril de 1925, tendo sido sepultado no cemitério local.

Eram seus pais Balduino Nunes Barbosa e dona Camila Barbosa, dos mais antigos moradores do Pouso Alto do velho clã dos Barbosas desta região. Foi casado com dona Maria Marcolina de Lima, tendo deixado numerosa descendência constituída de netos, bisnetos e trinetos.

O coletor destes dados biográficos é seu bisneto. Foi político e fundador do Partido Republicano Paulista, ao qual pertenceu durante toda sua existência. Foi intendente (prefeito), além de Juiz de Paz e Vereador da Câmara Municipal durante muitos anos. Era criador e negociante de gado. Muitas vezes internou-se nos sertões de Goiás e Minas em busca de rebanhos.

Homem inteligente e de visão, segundo seus conterrâneos criou uma indústria de tijolos e telhas. Os tijolos que serviram à construção do Grupo Escolar Fabiano de Freitas (construída por volta de 1914) trazem a marca de sua fábrica. Os da antiga cadeia igualmente. Foi proprietário de fazendas situadas no Calção de Couro e Mata do Jacob. Dizem seus coevos que o Tenente Coronel (esse era sua patente da guarda nacional) mandava entalhar artisticamente as carretas e carroças usadas nas suas propriedades, o que mostra seu gosto pelas coisas belas.

Em 1924, sentindo-se gravemente doente, partiu para a Itália na companhia de seu genro Cap. João Antônio Macedo e de um médico local, lá permanecendo vários meses em tratamento com especialistas, na época sumidade médica mundial.

Quatro meses depois de seu regresso de Milão veio a falecer. Sua última residência em Ituverava era em frente a escola Fabiano. Tinha feições espiritualizadas e cabelos castanhos. Seu tipo físico perpetuou gerações, segundo pessoas que o conheciam. Diziam que eu bisneto, Dr. Antônio Pio do Carmo Tosta “Dr. Pio”, se parecia muito com o Tenente Coronel Zeca Balduino.