
O Cruzeiro
No centro da Praça 10 de Março havia até pouco tempo um cruzeiro (se tratando da época desta publicação). Quem o chantou foi o Capitão Joaquim de Cerqueira César, quando prefeito nos anos 1912 e 1913, na certeza de perpetuar no coração do ituveravense a fé em Cristo.
Lá ficou por muitos anos, respeitando com os braços abertos para receber dos devotos, muitas vezes aflitos, depois de perdidas quase todas as esperanças, o testemunho de sua fé, que é grande chama dos bem-formados.
Difícil era o dia ou a noite em que não se via uma vela acesa a seu pé. Constantes também eram os santos quebrados, postos carinhosamente ao lado das velas que ardiam com os mesmos anseios de quem as colocou lá, como último recurso aos apelos não respondidos por terrestres.
A impressão de ter sido o cruzeiro da Praça 10 de Março o lentivo dos que os procuravam no momento de grandes angústias era o que nos ficava. Se eram aliviados não o sabemos, porque quem pode em sã consciência avaliar com precisão o que se passa no coração de um mortal? Mas pelo número de velas, cujos lumes se elevavam aos céus, podemos afirmar com certeza de que algo misterioso, recôndito, de valor superior, existia em tudo aquilo.
Pois bem: a cidade cresceu, várias reformas sofreu o jardim da Praça 10 de Março e, numa das reformas, tiraram-no de lá, removendo-o para outro local fora da Praça. Até os coqueiros que o ladeavam desapareceram também. Será que sem o cruzeiro, o local em que estava, ficou mais bonito com as reformas? Cremos que não, porque ficou um lugar comum, sem atrativos, sem mais nada.
O desaparecimento dos coqueiros nos faz lembrar os versos da canção popular: “Tinha um coqueiro ao lado que, coitado, De saudades já morreu”. A destruição é progresso, dizem os técnicos. Será?
