
Tiro de Guerra em Ituverava
Parte I – 26/03/1983
Moacir França
Para que possamos conhecer o nascimento da Linha de Tiro e Tiro de Guerra em nossa cidade, fomos ao Comando da 2° Região Militar à Avenida Sgt. Mário Kozel Filho, 222, Ibirapuera, São Paulo, onde gentilmente nos forneceram os seguintes dados:
“O Decreto n° 31.224 de 10 de março de 1899 aprova o regulamento do Tiro Nacional; o Decreto n° 1.503 de 05 de setembro de 1906 criou a Confederação do Tiro Brasileiro, ficando a mesma subordinada ao Estado Maior do Exército; o Decreto n° 6.464 de 29 de abril de 1907 aprova o regulamento para a Confederação do Tiro Brasileiro, publicado na ordem do dia n° 07 dia 05 de fevereiro de 1907;
O Decreto n° 12.708 de 09 de novembro de 1917 aprova o regulamento da Diretoria Geral do Tiro de Guerra e extingue a Confederação do Tiro Brasileiro; o Boletim do Exército n° 165 de 10 de maio de 1918 publica instruções para as Sociedades de Tiro incorporadas à Diretoria Geral do Tiro de Guerra; o Aviso n° 574 de 04 de junho de 1918 aprova diretiva para os exames de reservistas dos Tiros de Guerra;
O Decreto n° 243 de 18 de julho de 1935 aprova o Regulamento da Diretoria do Serviço Militar e da Reserva, ficando subordinado à mesma a Inspetoria dos Tiros de Guerra; o Aviso n° 491 de 02 de agosto de 1935 dispõe sobre a extinção da Diretoria de Tiro de Guerra; o Decreto n° 19.694 de 01 de outubro de 1945 aprova o Regulamento dos Tiros de Guerra e a Portaria n° 1886 de 20 de outubro de 1977 aprovou o Regulamento para os Tiros de Guerra e Escolas de Instrução Militar que se encontra em vigor.”
Pelo que fomos informados, os Tiros de Guerra não possuem patrono. Com a participação do Brasil na I Guerra Mundial (1914-1918), Ituverava vibrou em manifestações patrióticas. Criaram na cidade uma Linha de Tiro que foi confederada ao Tiro Brasileiro conforme autorização do General Comandante de outubro de 1917, a fim de cooperar para a Defesa Nacional.
Posto isso, fundou-se a 09-11-1917 a Linha de Tiro de Ituverava e a sua primeira Diretoria ficou assim constituída: Presidente – Dr. Manoel Carlos; Vice-presidente – Cel. José Barbosa Nunes; Diretor de tiro – Cap. Jerônimo Augusto Barbosa; Secretário – Cap. Miguel Vilar; Tesoureiro – Cel. José Nunes da Silva; Vogais – Cap. Joaquim Cerqueira César, Cap. João de Lima, Cap. Antônio de Quadros, Mário de Carvalho e Dr. Irineu Forjaz; Comissão de contas – Cel. Conceição Francisco Barbosa, Major Cristino Ribeiro e Cap. Primo Augusto Barbosa.
Foi aberto o alistamento dos atiradores e o jornal “Cidade” (único na época) registra com destaque o “belo exemplo” dado pelo Exmo. Sr. Dr. Manoel Carlos de Figueiredo Ferraz, Juiz de Direito da Comarca, inscrevendo-se como atirador.
Os exercícios realizaram-se no pátio do Grupo Escolar Fabiano sob o comando do Cabo Antônio F. da Silveira, que comandava o destacamento policial da cidade. Houve também exercícios dos atiradores na Praça 10 de Março, na época não estava ajardinada. A nossa Linha de Tiro organizou uma passeata para angariar donativos percorrendo a cidade com uma bandeira sustentada por quatro moças; a coleta rendeu a importância de 500$000 (quinhentos mil réis).
O alfaiate Domingos Vicentini, proprietário da alfaiataria “São Sebastião”, fornecia uniforme completo aos atiradores pelo preço de 70$000 composto por cap, blusa, calça, polaina e bissaca, conforme publicado na “Cidade”.
A Linha de Tiro procedeu algumas marchas até Guará e a uma ou duas fazendas. Os exercícios foram reduzidos a três vezes por semana e mais tarde suspensos por falta de um instrutor do exército. Também foi proibido o uso de uniformes.
A missão da Linha de Tiro era cooperar em nossa cidade para a Defesa Nacional, o que foi feito com espírito e entusiasmo de brasilidade vindo a encerrar suas atividades em novembro de 1918 quando terminou a Guerra, com a assinatura do armistício.
Também no ano de 1918 foi instituído o Serviço Militar obrigatório e houve a primeira convocação de 14 cidadãos ituveravenses para prestar o serviço militar em unidade da capital. Com a instituição do Serviço Militar obrigatório, anualmente eram sorteados e convocados os moços da terra para o serviço militar durante um ano.
Essa convocação trazia um certo aborrecimento aos jovens; uns deixavam o serviço da lavoura, outros do comércio e além disso, a impressão que tinham era de que iam para a guerra. Havia o trabalho político para evitar que muitos seguissem para o exército, principalmente quando o convocado era filho de fazendeiro ou chefe político. Para muitos, a incorporação ao exército era satisfatória, mas para outros era sacrifício.
Ante estes fatos, os nossos governantes, em 1928, trataram de fundar em nossa cidade o Tiro de Guerra, que recebeu n° 602 e teve como instrutor o sargento agrícola Faria Albernez. Em 1929, o Tiro de Guerra teve 55 atiradores, evitando-se que os moços tivessem que se descolar daqui para prestar serviço militar. Essa escola cívico-militar teve grande movimentação na cidade.
Em 25 de julho de 1929, realizou-se uma festa promovida por uma comissão em homenagem a senhora dona Maria Camargo Noronha, esposa do senhor Luiz Silos de Noronha, promotor público da comarca, que foi a madrinha da Bandeira Nacional do Tiro de Guerra 602. Ante as dificuldades para a manutenção do TG, ele foi encostado, não chegando a preparar uma turma sequer.
