Ituverava em Reminiscência #47

Hospital Beneficente São Francisco de Assis

Revista da Comarca de Ituverava

Em 1939, Ituverava, cidade desenvolvida, era ainda desprovida de instituições de caridade, de maneira que se ofereciam aos olhos de todos, pungentes quadros de miséria, fazendo-se mister a fundação de uma casa que recolhesse os doentes pobres para lhes proporcionar tratamento e conforto.

25 de junho de 1939, em reunião realizada na casa do senhor Misael Silva Prado, resolveu-se fundar uma instituição denominada “Casa dos Pobres”, sem cor religiosa nem credo político.

A Diretoria provisória ficou assim constituída:

Presidente – Joaquim de Menezes;

Vice-presidente – João Batista Lebrão;

Secretário – Bráulio Vilar Horta;

Tesoureiro – Messias Alves Ferreira;

Provedor – Misael Silva Prado;

Vogais – Clóvis Carvalho e Ângelo Maria di Napoli.

A finalidade declarada foi abrigar doentes pobres e a velhice desamparada. Foi adquirido o terreno localizado no final das ruas do Capitão Ribeiro dos Santos e Capitão Francisco Cândido de Sousa. A escritura foi lavrada em 08 de junho de 1939, no cartório do 1° Ofício.

Em 24 de outubro foi eleita a nova diretoria:

Presidente – Joaquim de Menezes;

Vice-presidente – Dr. Francisco Faleiros;

Secretário – Bráulio Vilar Horta;

Tesoureiros – Messias Alves Ferreira e dona Carmen D’Alkimin Teles.

Nas eleições de 07 de janeiro de 1940 continuaram os mesmos presidente e vice-presidente.

1º secretário – Misael Silva Prado;

2º secretário – Bráulio Vilar Horta;

1º tesoureiro – Messias Alves Ferreira;

2º tesoureiro – dona Carmen D’Alkimin Teles;

Vogais – João Batista Lebrão, Ângelo Maria di Napoli e Clóvis Carvalho, continuando como provedor o senhor Misael Silva Prado.

Em 22 de fevereiro de 1942, em reunião no salão nobre da Prefeitura Municipal, tratou-se da reforma dos estatutos e da mudança de nome de Casa dos Pobres para o de Santa Casa de Misericórdia de Ituverava.

A assembleia foi presidida pelo senhor Balduíno Nunes da Silva, então prefeito municipal e presidente de ambas as Diretorias, e secretariadas pelo senhor Misael Silva Prado.

Transformando-se a Casa dos Pobres em Santa Casa de Misericórdia de Ituverava, foi lido e emendado o projeto dos estatutos. O patrimônio da Casa dos Pobres foi incorporado à Santa Casa.

Constituiu-se uma nova comissão dos senhores Balduíno Nunes da Silva, Dr. Gabriel Justino de Figueiredo, Misael Silva Prado, Francisco Bandiera e Nelson Nogueira, para dirigir provisoriamente os destinos da nova sociedade.

No dia 25 de fevereiro de 1942 foi eleita a seguinte Diretoria da Santa Casa:

Presidente – Balduíno Nunes da Silva;

Vice-presidente – Dr. Antônio Barbosa Lima;

1º secretário – Misael Silva Prado;

2º secretário – Dr. Gabriel Justino de Figueiredo;

1º tesoureiro – Francisco Bandiera;

2º tesoureiro – Francisco Alves Ferreira;

Mesários – Antônio Jacó Germano, Joaquim de Menezes e Dr. José Ferreira Teles.

Em 01/08/1943, a Casa dos Pobres teve completa autonomia, retornando ao antigo nome e agindo independentemente da outra instituição, a Santa Casa.

Já desde 1941 a instituição vinha prestando auxílio aos necessitados. Diversos internados há dois anos vinham recebendo assistência gratuita.

No desmembramento que aconteceu entre a Casa dos Pobres e a Santa Casa, a primeira Diretoria eleita foi a seguinte:

Presidente – Joaquim de Menezes

Vice-presidente – José Moreira Coimbra

1º secretário – Misael Silva Prado;

2º secretário – José Nunes Tosta;

1º tesoureiro – Moacir França;

2º tesoureiro: Messias Alves Ferreira;

Vogais – Clóvis Carvalho, Miguel Jacó e Calimério Rodrigues da Rocha.

As obras tiveram prosseguimento sempre com auxílio de particulares.

No final de 1943, já estava pronto um pavimento constando de sala da Diretoria, secretaria, enfermaria, um alojamento comum para homens e outro para mulheres, cinco quartos para casos isolados, refeitório, rouparia, cozinha e gabinete de instalações sanitárias.

Revezando-se, já haviam prestado assistência gratuita os médicos Dr. José Aníbal Soares de Oliveira, Dr. Caetano Amódio, Dr. Georgides Gonçalves, Dr. Alípio Franca Filho, Dr. José Ferreira Teles (Dr. Juquinha), Dr. Mário Vasconcelos e Dr. Augusto Marques Lima.

No dia 19 de abril de 1944 inaugurou-se solenemente a então Casa dos Pobres. O ato inaugural, que contou com a presença de altas autoridades locais, grande número de pessoas da cidade, alunos do Ginásio Municipal e os escoteiros do Grupo Escolar, foi presidido pelo Dr. Humberto de Andrade Junqueira, Juiz de Direito da comarca, que proferiu o discurso oficial.

Foi cortada a fita simbólica pelos padrinhos, Dr. José Aníbal Soares de Oliveira e exma. senhora dona Anita Soares de Oliveira. A seguir, houve a bênção do prédio pelo Pe. João Rulli, que ao terminar discursou no improviso.

Serviram de padrinhos nesse ato o senhor Joaquim de Menezes e exma. senhora dona Eurídice Franco Menezes. Usaram ainda a palavra os oradores Dr. Antônio Barbosa Lima, em nome do senhor Gilberto Ribeiro Barbosa, prefeito municipal, Dr. José Alípio Furquim Fonseca, pela Legião Brasileira de Assistência e, por fim, o Dr. Georgides Gonçalves pela classe médica.

Em princípios de 1945, lançou-se uma campanha para a construção de um novo pavilhão, que se denominaria “Anita Costa” para homenagear a memória da esposa do Dr. Fernando Costa, então interventor federal – que fizera o donativo de Cr$ 55.000,00 para as obras.

No dia 17 de junho de 1945 realizou-se a solenidade do lançamento da pedra fundamental do novo pavilhão. Serviram de padrinhos o Dr. Francisco Faleiros e exma. senhora. Discursaram o Pe. João Rulli, Dr. Cláudio Guimarães César, Dr. Mário Vasconcelos e Dr. Francisco Faleiros. Em outubro de 1945, a Legião Brasileira de Assistência, pelo núcleo de São Paulo, enviou donativo de Cr$ 30.000,00 para a continuação da construção.

Atendendo às exigências do Serviço Social, a Diretoria resolveu providenciar a mudança do nome da instituição. No dia 30 de junho de 1946 fez-se, em assembleia, a apuração dos votos para a escolha do novo nome. Por 141 votos, foi mudado o nome de Casa dos Pobres para Hospital Beneficente de São Francisco de Assis. Houve 30 votos para a continuação do antigo nome, 18 votos para Hospital São Vicente, 12 votos para Hospital Nossa Senhora do Carmo e 20 votos para outros nomes.

Na construção do novo pavilhão foram gastos Cr$ 135.000,00, quantia que subirá a Cr$200.000,00 até o final da obra.

Entre os benfeitores da instituição devem ser lembrados: Dr. Fernando Costa; a L.B.A; o senhor Gilberto Ribeiro Barbosa que fez um decreto concedendo Cr$ 10.000,00; Dr. Cláudio Guimarães César que assinou decreto concedendo Cr$ 150.000,00 pagáveis em 10 anos, devendo ser paga este ano a primeira contribuição; o fazendeiro senhor Otávio de Almeida Prado, que já fez valiosos donativos, continuando a contribuir mensalmente; Dr. Paulo Borges e senhora; e numerosos contribuintes que todos os meses dão o seu óbolo.

Em 17 de setembro de 1946, as Usinas Junqueira enviaram um cheque de Cr$ 5.000,00. Já foram realizadas diversas quermesses em prol do Hospital Beneficente. O patrimônio foi avaliado em 31/12/1945 em Cr$ 216.504,80.

A atual Diretoria não mede esforços para concluir o novo pavilhão. São da atual diretoria: senhor Joaquim de Menezes (presidente); Dr. José Aníbal Soares de Oliveira (clínico); Dr. Georgides Gonçalves (operador); Moacir França (provedor); e Higino Antônio Contart (tesoureiro).

A parte de Enfermagem está entregue ao casal Américo de Paula Guimarães e dona Itália Frascari Guimarães, que merece os mais francos elogios pela dedicação que vem tendo para com os enfermeiros e pelo zelo com o hospital.

Publicamos abaixo o movimento do hospital desde 1944 até o mês de setembro de 1946.