Ituveravense ingressa na Organização da Aviação Civil Internacional

O ituveravense Luís Cláudio Lupoli, Coronel da Reserva da FAB (Força Aérea Brasileira) ingressou na ICAO (sigla em inglês) ou OACI (sigla em espanhol e francês, que significa Organização da Aviação Civil Internacional). Trata-se da agência da ONU (Organização das Nações Unidas) que rege a Aviação mundial.

O ituveravense, portanto, está no órgão máximo da Aviação mundial e as pessoas que são escolhidas para seus quadros passam por um criterioso processo de seleção, observando a distribuição de cargos entre os diversos países que a compõem.

Para a função que foi escolhido, os requisitos foram grandes e havia concorrentes do mundo inteiro. “Agora tenho o desafio pela frente que é o de deixar um sistema eficiente e adequado, não só para a situação atual de Angola, mas para o futuro que, espero, seja de muito desenvolvimento para este povo que tanto merece”, disse Lupoli em entrevista ao Jornal O Progresso por meio de WhatsApp.

Ele ingressou na Força Aérea em 1980, na Escola Preparatória de Cadetes do Ar, onde fi cou por 33 anos e hoje é Coronel da Reserva. Neste período chegou a investigador master de acidentes aeronáuticos tendo participado de diversos casos entre eles o voo Air France 447, que aconteceu em 2005, quando foi o representante do Brasil na investigação, que foi feita pela França.

“Sempre me interessou ser capaz de salvar vidas, esses sonhos que temos desde infância”, recorda. “Trabalhei por 16 anos no Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos”, relembra.

Lupoli é formado como Oficial Aviador na Academia da Força Aérea, escola de Ensino Superior da Força Aérea Brasileira; Mestre em Segurança Operacional da Aviação (Master in Science – Aviation Safety) pela University of Central Missouri e tem MBA em Gestão de Processos pela Universidade Federal Fluminense, além dos cursos de carreira como Oficial da Força Aérea entre outros cursos na área de Segurança Operacional de voo, fez também o curso de Oficial de Segurança de voo no próprio CENIPA.

“Atualmente estou trabalhando para a ICAO (sigla em inglês) ou OACI (sigla em espanhol e francês, que significa Organização da Aviação Civil Internacional). Ela é a agência da ONU (Organização das Nações Unidas) que rege a Aviação mundial”, esclarece.

Na entrevista, ele fala sobre sua carreira na FAB e sua nova função no ICAO.

Luís Cláudio Lupoli é casado com Andréa Macedo Gomes Lupoli e tem os filhos Manuela Gomes Lupoli e Rafaela Gomes Lupoli. Filho de José Glimovaldo Lupoli e Liana Neaime Soares de Oliveira Lupoli, Luís Cláudio tem os irmãos José Glimovaldo Lupoli Júnior, Dr. Camilo José Lupoli e Rauno Luís Lupoli.

Em Ituverava, estudou na Escola Professor Antônio Josino de Andrade, depois residiu em Franca por cinco, seis anos, pois seu pai era bancário. Em seguida, quando seus pais retornaram para a cidade, já estudava na EPCAR, em Barbacena e retornava nos feriados e férias para Ituverava.

Leia na íntegra a entrevista com o ituveravense que se destaca na Aviação e eleva o nome de Ituverava.

Progresso: Desde quando ingressou na Aeronáutica? Por quanto tempo pertenceu ou pertence? Qual sua patente nesta importante instituição?

Luís Cláudio Lupoli: Ingressei na Força Aérea em 1980, na Escola Preparatória de Cadetes do Ar, que é uma escola de Ensino Médio. Fiquei na Força Aérea por 33 anos e sou Coronel da Reserva.

Progresso: O que representa para o senhor pertencer a esta instituição?

Luís Cláudio Lupoli: Tenho muito orgulho de ter pertencido à Força Aérea. Além de ter provido o necessário para eu viver com minha família, a FAB propiciou que eu tivesse muitas oportunidades – tanto na parte técnica – prevenção e investigação de acidentes aeronáuticos, quanto área operacional – o voo em si.

Progresso: O que motivou e como chegou a ser Especialista em Segurança Operacional de voo?

Luís Cláudio Lupoli: Sempre me interessou ser capaz de salvar vidas, esses sonhos que temos desde infância. Até me interessei em ser piloto militar para ser capaz de proteger nosso país contra agressões externas – até porque o Brasil tem, como estabelecido pela própria constituição, o princípio da não agressão a outros países. Daí para trabalhar prevenindo que vidas sejam perdidas foi “um pulo”.

Além disso, sou detalhista e gosto do desafio de uma investigação. Estudar e ir a fundo numa falha para evitar que volte a ocorrer me fascina.

Progresso: Cite alguns casos conhecidos que atuou e sua função neles?

Luís Cláudio Lupoli: Investiguei dezenas de acidentes com aeronaves de todos os tipos – helicópteros, aeronaves agrícolas, aviões de passageiros e de cargas, desde os menores até os das grandes empresas.

Participei de várias investigações que ficaram conhecidas, mas a mais famosa foi a do voo Air France 447, que decolou do Rio de Janeiro, com destino a Paris, mas caiu no meio do Oceano Atlântico. Nesse acidente com o Air France eu fui o representante do Brasil na investigação, que foi feita pela França, seguindo a legislação mundial sobre acidentes aéreos.

Progresso: Quando se tornou investigador máster de acidentes aeronáuticos? O que isto significa?

Luís Cláudio Lupoli: Isso é uma classificação que essa mesma legislação sobre acidentes requer. Ela preconiza um nível básico, um intermediário e um avançado, que foi denominado “Master” e que requer que o investigador tenha feito várias investigações de acidentes, inclusive de aeronaves de grande porte, e esteja apto a ser o responsável por toda a investigação, coordenando todas as equipes das diversas áreas.

Progresso: Quais os principais casos que atuou e participou de sua elucidação?

Luís Cláudio Lupoli: Fui o responsável pela investigação de um acidente com uma aeronave EMB145 (um jato com capacidade para 50 passageiros) ocorrido em Vitória da Conquista – BA, no qual a aeronave sofreu perda total, mas graças a Deus, ninguém faleceu. E esse do Air France, que citei anteriormente. Porém, como trabalhei por 16 anos no Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (CENIPA), que é o órgão central do sistema brasileiro de investigação de acidentes, participei, em alguma instância, de vários acidentes de repercussão ou que ocorreram com aeronaves de grande porte, que eram os que ficavam a cargo do CENIPA.

Progresso: Qual sua graduação e demais cursos que realizou para chegar a esta posição?

Luís Cláudio Lupoli: Sou formado como Oficial Aviador na Academia da Força Aérea, escola de Ensino Superior da Força Aérea Brasileira. Sou Mestre em Segurança Operacional da Aviação (Master in Science – Aviation Safety) pela University of Central Missouri e tenho MBA (Master in Business Administration) em Gestão de Processos pela Universidade Federal Fluminense, além dos cursos de carreira como Oficial da Força Aérea.

Na área de Segurança Operacional de voo, fiz o curso de Oficial de Segurança de voo no próprio CENIPA. Depois fiz um curso de Investigação de Acidentes no órgão de investigação dos Estados Unidos, o NTSB (National Transportatiom Safety Board).

Por fim, antes do Mestrado, fiz os cursos de Oficial de Segurança de voo e o de investigação de acidentes com motores a jato da Força Aérea dos Estados Unidos (USAF).

Progresso: O senhor possui livros escritos, artigos? Onde e como podem ser acessados ou adquiridos?

Luís Cláudio Lupoli: Artigos tenho vários, os quais escrevi durante o Mestrado e para a Universidade UNISUL, de Santa Catarina. Minha tese de Mestrado virou um livro, publicado por uma editora alemã, e está disponível na Amazon. Os artigos podem ser acessados nas bibliotecas virtuais das universidades – algumas são interligadas.

Progresso: Qual organização ingressou atualmente? Qual sua função no ICAO?

Luís Cláudio Lupoli: Atualmente estou trabalhando para a ICAO (sigla em inglês) ou OACI (sigla em espanhol e francês, que significa Organização da Aviação Civil Internacional). Ela é a agência da ONU (Organização das Nações Unidas) que rege a Aviação mundial.

Sou especialista em investigação de acidentes aéreos e minha função é trabalhar, junto com o governo de Angola, para melhorar o sistema de investigação de acidentes aéreos do país.

Para isso, assessorarei na confecção de toda a legislação do sistema, bem como na montagem da estrutura de investigação, que deverá cobrir todo o território do país.

Além disso, faremos a qualificação de pessoal para trabalhar no sistema, tanto na parte técnica de investigação quanto burocrática. Enfim, o objetivo é deixar Angola pronta para passar na auditoria que a ICAO fará no país em breve, pois dessa auditoria depende, inclusive, autorizações para que suas empresas aéreas possam voar para alguns países ou continentes.

Progresso: O que representa para o senhor integrar o ICAO (International Civil Aviation Organization)?

Luís Cláudio Lupoli: Ter ingressado na ICAO foi uma enorme conquista para mim. Desde que comecei a atuar na área de investigação de acidentes aéreos, já almejava um dia trabalhar na ICAO. Ela é o órgão máximo da aviação mundial e as pessoas que são escolhidas para seus quadros passam por um criterioso processo de seleção, observando a distribuição de cargos entre os diversos países que a compõem.

Para a função que fui escolhido, então, os requisitos eram grandes e havia concorrentes do mundo inteiro. Assim, ter sido escolhido para representar a ICAO neste projeto me encheu de orgulho e me senti realizado. Agora tenho o desafio pela frente que é o de deixar um sistema eficiente e adequado, não só para a situação atual de Angola, mas para o futuro que, espero, seja de muito desenvolvimento para este povo que tanto merece.

Progresso: O que Ituverava representa para o senhor e o que mais gosta na cidade?

Luís Cláudio Lupoli: Ituverava sempre representou, para mim, um “porto seguro”. Era uma felicidade passar as folgas e as férias junto com meus avós e toda a minha família, que sempre foi muito grande. Só meu avô materno tinha 10 irmãos, com vários morando em Ituverava.

Além disso, como não poderia deixar de ser, nessa terra maravilhosa encontrei minha paixão – que me acompanha há quase 40 anos, entre namoro, noivado e casamento, além de ter me dado dois anjos como filhas.

Sempre falo com muito orgulho que sou ituveravense e torço muito para que a cidade se desenvolva e, a cada dia, seja um lugar melhor para se viver.