Setembro é o mês de chamar a atenção para a prevenção do suicídio, nomeado como “Setembro Amarelo”, por conta das campanhas voltadas ao assunto. Neste ano, com a atual pandemia de COVID-19, esta data mais do que nunca deve ser lembrada, pois o momento pede um cuidado maior. Estudos mostram que o atual cenário afeta a saúde mental das pessoas e fatores como o isolamento social, insegurança e medo da doença, desemprego, perdas de familiares e conhecidos ficam mais evidenciados.
A Santa Casa conta com um grupo de psicólogas para dar suporte às equipes e aos pacientes, são elas: Ana Cláudia Pinheiro Carreira, Amanda Teoro de Oliveira Silva e Júlia Paiva Dantas de Oliveira.
A psicóloga Júlia Paiva Dantas de Oliveira destaca alguns pontos de alerta para identificação os sinais de suicídio e como preveni-los. “A atenção deve ser redobrada durante todo este momento e a divulgação das informações pode ajudar muito na observação de sinais dados pela pessoa que pensa em suicídio tais como isolamento emocional e social, ausência de comunicação, irritabilidade atípica, alterações no sono, sintomas físicos como dor no estômago e alteração intestinal, que não se associam a nenhum diagnóstico médico, e recusa de ajuda dos amigos, familiares ou até de profissionais. Nesse momento, também é importante dedicar atenção especial aos idosos por serem o maior grupo de risco para a COVID-19”, ressalta a psicóloga.
“É comum termos dificuldade de abordar o tema ou de saber como ajudar as pessoas com ideias suicidas, porém pequenas demonstrações de interesse e em suas angústias já fazem grande diferença. Encontre um momento apropriado e um lugar calmo para falar sobre suicídio com essa pessoa. Deixe-a saber que você está lá para ouvir com a mente aberta e ofereça seu apoio. Incentive a pessoa a procurar ajuda de um profissional de saúde mental. Ofereça-se para acompanhá-la a uma consulta”, reforça Júlia Paiva.
Para minimizar os efeitos negativos da pandemia na saúde mental alguns hábitos podem ser adotados, tais como dormir bem, garantindo pelo menos oito horas de sono; praticar exercícios; manter uma alimentação saudável; buscar novos aprendizados; planejar bem as tarefas diárias, entre outras mais, são exemplos de atividades que podem ajudar, além de obter ajuda de profissionais, seja em centros particulares, seja em Unidades Básicas de Saúde, seja no CAPS ou pelos meios de comunicação do Centro de Valorização da Vida (disque 188 ou pelo site https://www.cvv.org.br/), o importante é ter este cuidado consigo mesmo.
“Se você acha que essa pessoa está em perigo imediato, não a deixe sozinha. Procure ajuda de profissionais de serviços de emergência, um serviço telefônico de atendimentos a crises, um profissional de saúde, ou consulte algum familiar dessa pessoa. Se a pessoa com quem você está preocupado(a) vive com você, assegure-se de que ele(a) não tenha acesso a meios para provocar a própria morte como por exemplo pesticidas, armas de fogo ou medicamentos que estejam em casa. Fique em contato próximo para acompanhar como a pessoa está passando e o que está fazendo”, conclui.