Ituverava em Reminiscência #31

Associação Atlética Ituveravense

Revista da Comarca de Ituverava

Por Nelson Nogueira

Há mais de quatro lustros que um grupo de ituveravenses ilustres, constituído por Dr. Firmino Franco, Antônio Cordaro, João E. de Lima, Juventino Miguel, José Demilite, Abelardo Antônio Xavier, Alcino Parreira, Francisco Gifeni, Armante Queiroz e Nefi Miguel, se reuniu e fundou em nossa cidade um clube esportivo.

Com a denominação inicial de Ituverava Foot-Ball Club, teve a entidade como seu primeiro presidente Antônio Cordaro. As atividades porventura desenvolvidas após a fundação do clube ficaram registradas nos livros e papéis ainda existentes. Cremos, porém, que nada de importante foi realizado, eis que, seis meses depois, a 25 de janeiro de 1926, nova reunião foi levada a efeito para, entretanto, reorganizar o clube, que passou a ter a denominação que ainda conserva, de A. A. Ituveravense.

Eleita a empossada nova Diretoria, tendo como presidente Jeferson da Fonseca Nogueira, nova orientação foi dada ao clube, com a aprovação dos estatutos e do regimento interno e admissão a 08 de fevereiro do mesmo ano, de 63 novos sócios – todos apresentados por Alcino Parreira.

A 10 de junho ainda de 1926, era adquirido por 2000$000 um terreno destinado ao campo de futebol, o que constituiu o marco inicial seguro do desenvolvimento desse esporte em Ituverava.

Fatores ponderáveis, entretanto, perturbaram o movimento de entusiasmo e realizações desenvolvido no primeiro semestre de 1926, porque 16 longos meses decorreram sem uma reunião sequer da diretoria. E foi necessária outra assembleia geral para nova reorganização do clube reunida a 31 de julho de 1927.

Mas o calor trazido pela assembleia foi transitório e outro período de apatia e indiferença transcorreu. Em 1928 nada se fez e em 1929 apenas uma reunião foi realizada pela diretoria.

Esboçou-se, porém, no ano seguinte, graças ao entusiasmo de elementos novos e alguns dos fundadores, novo movimento criador, pois se realizaram 12 reuniões ordinárias da diretoria e uma assembleia geral. Foram promovidos vários jogos amistosos de futebol, instalando-se finalmente a primeira sede social do clube num prédio da Praça 10 de Março.

Seguiram-se sem grandes feitos os anos seguintes, com frequentes apelos dos presidentes aos demais diretores para conjugação de esforços tendentes a aumentar o quadro social e levar a efeito outras iniciativas da entidade.

Melhores resultados foram obtidos em 1933 quando teve a Associação como seu presidente Delcides Teles, auxiliado por Clóvis Sandoval, Fulgêncio de Almeida Filho, Moacir França, Leonardo Cordaro e outros. Gramou-se o campo de futebol e salutares medidas de caráter financeiro foram postas em prática.

Pouco, porém, foi feito no ano subsequente. E nos anos de 1935-1940 nada de permanente foi realizado. Apenas neste último ano, sob a presidência de João Ferreira Teles, se desenvolveram, com certa intensidade, as práticas do futebol, conquistando o clube, afinal, o título de Campeão da Liga Francana de Futebol, o que é uma glória na história desportiva da A. A. Ituveravense.

Data de 1941 o início da fase da reorganização segura e de progresso da Associação, quando, para diretores, se elegeram novos e entusiastas como Eduardo Rezende de Oliveira para presidente; Luís França para 1° secretário; José Moreira Coimbra para 1° tesoureiro, e outros de inegável valor.

De várias medidas de grande alcance cogitou a Diretoria, inclusive a instalação da sede do clube no prédio que ainda ocupa. Oito reuniões ordinárias da diretoria se realizaram em março e abril, bem como uma assembleia extraordinária para reforma parcial dos estatutos, elevando-se as mensalidades de 3$000 para 10$000.

Ao terminar o mandato, a Diretoria apresentou, na assembleia ordinária realizada em 1° de março de 1942, o primeiro relatório de que temos conhecimento das contas do exercício, que assinalaram a arrecadação de 19.735$500 contra uma despesa de 25:213$300, do que resultou um déficit de 4:477$800 o qual, acrescido ao débito do exercício anterior, atingiu a soma de 5:877$800.

Nessa última assembleia foi eleita nova Diretoria que se empossou cinco dias após, tendo como presidente o senhor Balduíno Nunes da Silva. Este, sem qualquer desdouro para os seus antecessores e sucessores, foi um dos mais dedicados e eficientes presidentes da Associação. E isso é incontestável, porque tendo assumido a administração do clube com um débito, como dissemos acima, de 5:877$800, sem um real em caixa, conseguiu com brilhantismo assinalar durante o seu mandato notáveis realizações.

Com o auxílio eficiente do 1° tesoureiro, Moacir França organizou em moldes comerciais a escrituração da receita e despesa, comprovando documentalmente todos os gastos. E apesar das inúmeras dificuldades inicialmente encontradas, foi realizada, nesse ano, uma arrecadação de Cr$ 49.407,80 contra uma despesa de Cr$ 28.369,50, incluindo o débito deixado pelas diretorias anteriores. Resultou, pois, no fim do exercício, um saldo de Cr$ 21.038,30.

Nesse mesmo exercício, por força do decreto-lei federal e da Portaria Ministerial n° 254 de 01/10/1941, se procedeu a radical reforma dos estatutos, na qual colaborou o autor destas linhas (Nelson Nogueira), então o 1° secretário do Clube.

De acordo com essa reforma, passou a entidade a ter, como órgão soberano, um conselho deliberativo, constituído por 20 membros. Realizaram-se, durante o ano, 34 reuniões ordinárias da diretoria e duas assembleias gerais, discutindo em todas elas assuntos de relevante importância.

Mas a mais notável realização deste período foi a aquisição, por Cr$ 64.500,00 do atual edifício – sede do clube, além de outro prédio menor, ambos em ótimo terreno comum.

As atividades desportivas, a despeito das dificuldades de intercâmbio com clubes de outras localidades, resultantes da falta de meios de transporte, se desenvolveram favoravelmente com a realização de treinos regulares de futebol e bola-ao-cesto e algumas partidas amistosas com equipes de cidades vizinhas.

Em 13 de dezembro de 1942 reuniu-se, nos termos dos novos estatutos já então em vigor, a assembleia geral ordinária dos sócios a qual aprovou o balancete e elegeu para o ano seguinte o primeiro conselho deliberativo da entidade.

Tomando posse a 03 de janeiro de 1943, o conselho deliberativo reuniu-se logo em seguida e elegeu como passou a ser de sua competência, a Diretoria desse exercício, sendo reeleitos o presidente senhor Balduíno Nunes da Silva e o tesoureiro Moacir França, figurando o autor deste relato como secretário geral.

Continuando com o esforço despendido no exercício anterior, procurou a diretoria manter o ritmo sempre crescente do desenvolvimento da entidade, e de forma especial a consolidação do patrimônio adquirido.

Para o ano de 1944, nova Diretoria foi eleita, tendo como presidente o Dr. Gabriel Justino de Figueiredo. Essa diretoria, sem quebra da dedicação e da boa vontade das últimas anteriores, trabalhou intensamente pelo progresso da Associação, salientando-se o incremento dado ao cestobol com a construção quase concluída no término do mandato de uma quadra para este esporte, ladrilhada, além de vestiário.

Outro empreendimento digno de referência é a organização de uma biblioteca na sede social, regularmente inscrita no Instituto Nacional do Livro, do Ministério da Educação, do qual tem recebido regularmente excelentes obras de autores nacionais e estrangeiros.

O conselho deliberativo, anualmente eleito em assembleias democraticamente realizadas, com o comparecimento de mais de uma centena de sócios, tem procedido também democraticamente com relação às diretorias, procurando aproveitar novos valores dentre os associados, a fim de dar a cada um deles a oportunidade de modo direto para o engrandecimento do clube, o que tem produzido ótimos resultados.

Assim é que, para 1945, outra diretoria foi eleita, figurando como presidente o Dr. Cláudio Guimarães César, substituindo, no decorrer do exercício, em consequência de seus inúmeros afazeres como prefeito, pelo vice-presidente Juventino Miguel.

Durante esse ano, apesar de algumas dificuldades encontradas no desempenho de seu mantado, pode a diretoria concretizar feito de valor, qual seja um donativo de Cr$ 20.000,00 do então interventor federal no Estado, Dr. Fernando Costa, o que muito contribuiu para aliviar a situação financeira do clube, a qual em virtude de débitos oriundos da compra do edifício-sede, não era de largueza.

No mesmo ano, adquiriu a entidade um ótimo terreno, ao lado do campo de futebol, destinado à construção de moderna praça de esportes, e como em caixa não havia saldo, o vice-presidente, senhor Juventino Miguel, emprestou a importância necessária de Cr$ 10.000,00 a juros módicos, em longo prazo.

Ao encerrar o exercício, a Diretoria apresentou na assembleia geral ordinária realizada a 15 de dezembro, um minucioso relatório, além de um balanço da receita e despesa, acusando um débito de Cr$ 39.991,60, dos quais Cr$ 25.000,00 provinham da aquisição da sede e Cr$ 10.000,00 da compra do terreno acima mencionado.

Apresentou, também, o inventário de todos os bens componentes do patrimônio da Associação. Segundo estimativa da própria Diretoria, tal patrimônio foi estimado em Cr$ 197.538,00.

Para o ano em curso, novo conselho deliberativo e nova Diretoria foram eleitos, com a reeleição para ambos, de diversos elementos dedicados ao clube, inclusive o presidente da diretoria, Dr. José Alípio Furquim Fonseca, que há vários anos servia como orador.

Auxiliado por seus companheiros, o atual presidente tem emprestado os maiores esforços em prol da Associação, procurando executar o programa de trabalho e realizações esboçado no início do exército.

O restante do débito resultante da aquisição do edifício-sede foi liquidado com auxílios recebidos e rendas economizadas. Estando, assim, o patrimônio da Associação perfeitamente consolidado.

Sem descurar da parte social, que vem experimentando sensíveis melhoras, tem a Diretoria atual suas atenções voltadas especialmente ao projeto da construção de uma grande praça de esportes.

Para isso, promoveu uma quermesse que apurou mais de Cr$ 25.000,00. Está também solicitando a doação de tijolos para murar o terreno destinado àquela praça, conseguindo já mais de 60.000 tijolos, dos quais 50.000 subscritos na lista do senhor Marcionílio Trajano Borges, prefeito municipal, pelo senhor Martiriano Andrade, gerente das Usinas Junqueira.

O conselho deliberativo, como órgão soberano da entidade, tem prestado ótimos serviços. Teve como seu primeiro presidente, em 1942, o senhor Gilberto Ribeiro Barbosa, substituído no decorrer do exercício pelo doutor Francisco Basileu Barbosa, que fora sido reeleito nos anos subsequentes, dada a sua eficiente dedicação ao cargo.

A Associação Atlética Ituveravense, apesar dos tropeços que tem passado, goza atualmente de uma situação privilegiada, pois tem conseguido congregar em torno de seus objetivos elementos de todas as correntes políticas de Ituverava, o que constitui acontecimento de extraordinário valor. Sua situação econômica é sólida e os planos de expansão e desenvolvimento elaborados com critério e segurança, inspiram confiança.

Resta-lhe, somente, um maior apoio dos poderes públicos estaduais, a fim de que a tão desejada praça de esportes seja em breve uma feliz realidade. Dediquem-lhe os ituveravenses todo o seu apoio moral e material, que ela progredirá, concorrendo para a grandeza de Ituverava.

Nota da redação

O autor do presente trabalho, senhor Nelson Nogueira, por modéstia, omitiu os grandes e relevantes serviços que ele mesmo prestou e continua a prestar para a A. A. Ituveravense. A sua profícua atividade já lhe valeu o título de sócio benemérito do clube, decisão que teve geral apoio dos associados. Atualmente, ele faz parte da Diretoria, integrando a Comissão de Sindicância.