Surgimento das Escolas de Ituverava

Revista da Comarca de Ituverava
Até 1845 não havia escola pública, pois o relatório da Câmara de Franca daquele ano diz em certo trecho: “Igualmente reclamam as famílias da Capela Nossa Senhora do Carmo a criação de uma cadeira de Letras para o sexo masculino”.
Sabemos também que, desde 1855 pelo menos, ia periodicamente a concurso por meio de editais impressos, espalhados por toda a Província, a cadeira de Letras para o sexo masculino lotada do Carmo e a simples repetição anual dos editais mostra que não havia professor interessado.
Se para os meninos estudarem faltava um mestre, para as meninas então o problema era mais sério. O Pe. Zeferino, Vigário de Santa Rita, propôs a criação de uma cadeira para o sexo feminino e a Câmara recebeu o ofício de V. Exa. datado de 23 de agosto passado, cobrindo outro do Inspetor Geral da Instrução Pública desta província, sob o n° 447 de data de 28 do mês e ano, em que está sob requisição do Inspetor da mesma instrução dos Distritos do Carmo e Sta. Rita do Paraíso deste município, propõe a criação de uma Cadeira de Letras para o sexo feminino em cada um daqueles distritos, e ordena V. Exa. que esta Câmara informe a tal respeito, o que a mesma passa a fazer.
Contando que esta Câmara não possa deixar de louvar o interesse que assim aqueles funcionários públicos mostram tomar pela propagação e generalização da instrução pública primária. Todavia não pode reconhecer a necessidade que desde já existe de se criarem aulas públicas de instrução primária para o sexo feminino naqueles dois distritos, porque está persuadida de que o resultado não compensará o sacrifício que se terá de fazer com elas.
Em primeiro lugar está a dificuldade de se acharem pessoas com as necessárias habilitações para as reger, como está acontecendo com a maior parte das aulas da província, que estão sendo regidas por professoras interinas e contratadas que, muitas vezes, apesar de seus desejos e dedicação não podem preencher cabalmente o fim do seu ministério por falta de estudos especiais.
Donde a consequência que criadas aquelas duas cadeiras, ou hão de ficar para sempre ou ao menos por muito tempo vagas absolutamente ou para remediar-se essa falta terão de ser ocupadas por professoras interinas, que tal não possam prestar os serviços do seu emprego sofrivelmente satisfatórios.
Em segundo lugar, a Câmara persuade-se de que ainda quando se encontrarem pessoas aptas para o magistério, as aulas poderão ser frequentadas ao menos por 16 alunas ordinariamente, visto que o Arraial do Carmo é muito pequeno e pouco populoso, e o de Sta. Rita do Paraíso com quanto seja menor e mais progressivo, não pode oferecer ainda vantagens a este respeito.
Este parecer de 24/01/ 1859 continua sugerindo que o governo poderia criar uma só escola para os dois distritos ou “determinar-se a ambulância da aula, devendo a professora ensinar um ano no Arraial do Carmo e outro no de Sta. Rita alternadamente, até que a experiência demonstre em qual deles será mais útil que se fixe o seu acento”.
Sugestões absurdas, diriam hoje. Mandar uma menina estudar a cartilha a seis léguas de distância por estradas inseguras. O Carmo não tinha, porém, 16 alunas. E os vereadores poderiam dizer coisas muito piores, por exemplo, que o ensino das mulheres não deveria ser prioritário, que o dinheiro gasto nas escolas poderia ser usado para melhorar os péssimos caminhos da época, que o Carmo era mais pobre, com muitos jornaleiros e viúvas, órfãos e doentes aleijados.
Poucos escravos e, em consequência, nenhum perigo de insurreição, já que eram em menor número do que a população livre. Todos os católicos, sem exceção, construindo casas e cercando terrenos, sem possuírem títulos de propriedade e sem que as autoridades pudessem conceder cartas de datas, por não serem devolutos e não haver doação legitimada ao patrimônio de Nossa Senhora do Carmo.
Em 1945
Já no ano de 1945: o município de Ituverava está servido por 17 escolas isoladas estaduais, sendo 13 rurais e 4 urbanas e por 6 escolas isoladas municipais (rurais). São as escolas isoladas estaduais: Escola mista da Fazenda Monte Alegre – professora Cecília Neaime; Escola mista da Fazenda Santana – professora Maria de Lourdes Pereira Campi; Escola mista da Fazenda Santa Izilda – professora Maria Auxiliadora Lelis; Escola mista da Fazenda Santa Leopoldina – professora Carmen Henrique de Miranda; Escola mista da Fazenda Altamira – professora Cremilda Teixeira; Escola masculina do Bairro Capivari – professor Geraldo Seixas Santos; 2° Escola mista do Bairro São Benedito – professora Rita Solange Barbosa; 1° Escola mista do Bairro São Benedito – professora Suzana da Silva Lana; 3° Escola mista do Bairro Capivari – Basílica Possa; 2° Escola urbana de Ituverava – professora Mercedes Naime Nasrala; Escola mista da Fazenda Santa Emília – professora Jovelina Lúcio Henrique; Escola urbana de Ituverava – professor Célio Caleiro Lima; 3° Escola mista urbana de Ituverava – professora Maria da Glória G. Andrade; 2° Escola mista do Bairro Capivari – professora Hercília Aparecida Neves; 1° Escola mista urbana de Ituverava – professora Geni Bittecourt; Escola mista da Fazenda da Mata – professora Olga da Silveira Lana. Total de alunos matriculados: masculinos – 389; femininos – 269. Alunos aprovados em 1945 – 374.
As escolas isoladas do município são as seguintes: Escola mista do Bairro Aparecida – professora Aparecida Teixeira de Andrade; Escola mista da Fazenda Alto do Capivari – professora Esther de Paula Silveira; Escola mista da Fazenda Santa Teresa – professora Suzana da Costa Ribeiro; Escola mista da Fazenda Estiva – professora Maria Sandoval; Escola mista da Mata do Capivari – escola vaga. Total de alunos matriculados: masculinos – 114; femininos – 109. Aprovados em 1945 – 96.
O Grupo Escolar de Ituverava, cuja construção foi narrada em outro artigo, foi instalado em 06 de fevereiro de 1914. O termo de instalação, que se acha no arquivo do Grupo, é o seguinte: “Ficou hoje instalado o Grupo Escolar local, tendo tomado posse e assumido o exercício do cargo de diretor, depois do compromisso legal, a 30 de janeiro p. passado, e os professores nomeados, DD. Emília Eugênia da Silva (adjunta), e Guiomar Pereira Ramos, Francisca de Mesquita, Francisco Barone e Nestor Freire da Paz. Hoje tomaram posse e entraram em exercício do cargo de substitutos efetivos. Foram contratados os senhores Belmiro Barbosa Lima, João Pereira da Silva e dona Mariana de Pádua Carneiro, o primeiro para porteiro, e os dois últimos para serventes do Grupo, tendo tomado posse e entrado em exercício ontem”.
Já passaram pelo estabelecimento os seguintes diretores: Otávio Carneiro da Silva, Arnaldo Guilherme Cristiano, Benedito Vasconcelos, Rafael Gonzaga, Guido Rezende, Dorival Dias Minhoto, Alcides Correia, Edésio Monteiro de Oliveira e dona Maria Luiza Caleiro Nasciso.
Já lecionaram ou lecionam no estabelecimento há mais de dez anos: dona Plácida Barbosa de Sousa Ramos, dona Julieta Muller Borba, dona Messias de Toledo Matos, dona Ismênia Naime Miguel e Osvaldo Barrachi.
O senhor Francisco Marcolino da Luz, atual porteiro, exerce o cargo há mais de 30 anos. Dona Mariana de Pádua Carneiro, já falecida, exerceu o cargo durante 30 anos.
O prédio do Grupo Escolar estava necessitando de uma reforma geral, que foi determinada no governo do Dr. Fernando Costa. Para conseguir a reforma, o então prefeito Dr. Cláudio Guimarães César, o jornal local e especialmente o senhor Moacir França juntamente com outras pessoas amigas da cidade se empenharam a fundo, conseguindo levar o interventor ao estabelecimento para verificar, pessoalmente, o estado do prédio.
As obras foram iniciadas no princípio deste corrente ano. Foram construídas mais duas salas de aula, um grande galpão para recreio, instalações sanitárias novas, cozinha, copa, reforma geral nos assoalhos das salas de aula. Foi reformada toda a instalação elétrica e a instalação de água. Fez-se de cerâmica o piso dos corredores e revestiu-se o pátio de cimento.
Foram feitos novos quadros-negros fixos. Todo o prédio foi pintado de novo. Atualmente, possui um moderno gabinete dentário; uma biblioteca; fornece sopa escolar aos alunos pobres; e possui uma Caixa Escolar que fornece material escolar e roupa aos alunos pobres.
