O jogador de futebol profissional ituveravense Eduardo Praes, de 30 anos, está em Ituverava até o próximo dia 19 de junho, quando retornará para Hong Kong, na China, onde joga atualmente pela equipe do Eastern. Com contrato renovado para mais três anos, é o terceiro time que o zagueiro goleador atua pelo campeonato nacional e já tem quatro títulos. Destaque na marcação, Praes sobressai também quando vai ao ataque e tem média de cinco gols marcados por temporada.
Antes de ir para o exterior, porém, atuou por vários clubes e possui uma carreira vitoriosa no Brasil, desde o seu início nas categorias de base time do Mogi Mirim no interior de São Paulo.
Esta semana, ele concedeu entrevista ao Jornal O Progresso. Falou sobre seu trabalho pelos clubes e a situação de pandemia enfrentada no país em que está. Hong Kong, apesar de ser ex-colônia britânica, é um território autônomo no sudeste da China. Possui governo independente e no futebol também tem sua própria liga, em que o jovem de Ituverava brilha e conquista dia a dia não somente vitórias, mas também respeito da comunidade e dos torcedores.
Antes de iniciar sua carreira internacional, além do Mogi, ele jogou também nas equipes: Red Bull Brasil, Paulista de Jundiaí, Nacional de Manaus, Coruripe de Alagoas, Pelotas-RS e Taubaté, com passagens marcantes. Seu primeiro time fora do Brasil foi o Real Estelí de Nicarágua, onde foi campeão, antes de ir para China.
De uma família de nove irmãos em Ituverava, Praes é filho de Antônio Alves Ribeiro “Caminhão” e Juraci Aparecida Praes. Ele também tem a filha Serena, de seis anos.
Com as atividades suspensas, o retorno aos treinos está marcado em Hong Kong para julho. Após sua volta será preciso cumprir 14 dias de quarentena, antes de se apresentar no clube, tendo em vista que a situação está controlada no país.
Não perdendo a alegria e a humildade, ele diz que pretende voltar a jogar profissionalmente no Brasil e destaca que a situação de pandemia que está atingindo todo mundo que iniciou justamente na China e está deixando uma importante lição para todos.
“Precisamos ser iguais e sempre pensar no próximo. Se o brasileiro pensar dessa forma, passaremos mais rápido por essa situação. É essa a palavra: igualdade”, comenta.
Leia entrevista concedida pelo atleta ituveravense.
Progresso: Há quanto tempo você joga no exterior, qual equipe está atualmente? Em quais outras já jogou fora do Brasil?
Eduardo Praes: Estou há cinco anos em Hong Kong, atualmente estou na minha terceira equipe de lá. Joguei nos primeiros dois anos no Pegasus, onde fiquei duas temporadas. Joguei mais duas temporadas no Tai Po, e agora acabei de completar um ano na equipe do Eastern. Estou na minha quinta temporada, no meu terceiro clube. Antes de Hong Kong, joguei uma temporada pelo Real Estelí da Nicarágua. Foi um lugar muito bom e especial. Gostei muito de jogar lá. Então além das cinco temporadas de Hong Kong, joguei essa temporada pelo Real da Nicarágua.
Progresso: Onde jogou no Brasil? Quais títulos já conquistou aqui e fora?
Eduardo Praes: No Brasil fiz toda minha base e me profissionalizei no Mogi Mirim, time de São Paulo. Cheguei no Mogi em 2005 e fiquei até julho de 2009. Pelo Mogi, fui campeão do Paulista Sub-20 da temporada de 2006, que é o primeiro título que o Mogi conquistou naquele momento. E conseguimos o Acesso da série A2 do paulista para o Paulistão de 2008. Foram as duas conquistas pelo Mogi Mirim.
Antes de terminar meu contrato no Mogi, tive um empréstimo em que joguei de janeiro a junho de 2009 no Coruripe-AL. Joguei o Campeonato Alagoano pelo Coruripe e fomos campeões do primeiro turno de 2009. Depois do Mogi e Coruripe, fui para o Red Bull Brasil, que foi muito especial para mim também. Fiquei por um longo período, de julho de 2009 a janeiro de 2012. Fomos campeões do Campeonato Paulista da série B, campeões da série A3 do Paulista e fomos vice da Copa Paulista também. Foram anos muito especiais e gratificantes.
Depois do Red Bull Brasil, passei pelo Paulista de Jundiaí, onde fiquei uma temporada. Também tive uma pequena passagem pelo Taubaté. Depois fui para o Nacional de Manaus, onde fomos campeões do Campeonato Amazonense em 2013. Além disso, depois do Nacional de Manaus, tive uma pequena passagem de oito meses pelo Pelotas-RS. São esses os clubes que joguei no Brasil.
Fora do Brasil, sou campeão nacional da Nicarágua pelo Real Estelí. Em Hong Kong tenho dois títulos pelo Pegasus e dois títulos pelo Tai Po.
Progresso: Como foi para os atletas enfrentar este período de pandemia? Quais atividades puderam ser realizadas e quais foram suspensas?
Eduardo Praes: Para nós, atletas, esse momento tem sido muito ruim. Estamos em duas finais de Copas, e em terceiro na Liga. Então essa parada não foi muito boa, já que estávamos numa crescente muito grande. Porém, compreendemos a situação, que é muito séria e grave. Todas as atividades esportivas em Hong Kong foram paralisadas. Tivemos uma briga da população contra o governo, e logo em seguida teve início a pandemia.
Foram dois momentos muito ruins, com duas paralisações na temporada. Nós procuramos treinar em casa e manter uma rotina, e o país tem tentado se proteger da melhor maneira possível. Hoje, o país voltou ao normal. Hong Kong vive uma situação normal e é exemplo para o mundo.
Progresso: Quando pretende retornar? Até quando continuará nesta equipe?
Eduardo Praes: Meu retorno está marcado para 19 de junho. Voltaremos às atividades no meio de julho. Precisamos voltar no dia 19 para ficar um período de 14 dias em quarentena. Todas as pessoas que retornam para Hong Kong têm que ficar isoladas por 14 dias. Após a quarentena, faremos exames e veremos se estamos aptos para voltar aos treinos.
Acabei de renovar um contrato de três anos, então vou ficar mais três anos no Eastern. Foi bom para mim, foi uma segurança e demonstração de que o clube acredita em mim e gosta do meu trabalho.
Estou com 30 anos, há cinco anos em Hong Kong. Posso dizer que já sou um jogador experiente, tenho certo respeito no país e estou em um clube muito forte e bem estruturado, isso para mim é muito importante. Por isso, aceitei a proposta e acho que tem sido uma troca muito legal com o clube. Serão mais três anos trabalhando firme por mais conquistas. Cada um fazendo sua parte, e no final todos saímos ganhando. Espero dar o meu máximo sempre e poder comemorar muitos títulos.
Progresso: Que lição você tirou deste episódio e o que pode dizer para os brasileiros especialmente em Ituverava?
Eduardo Praes: Uma lição que tirei dessa situação que nós todos estamos vivendo, é uma lição de igualdade. Não importa mais o que temos, somos iguais. Vivo num país em que a igualdade fala muito alto. O que tenho para dizer nós brasileiros e para as pessoas, assim como falo para minha filha, é a questão da igualdade. Precisamos ser iguais e sempre pensar no próximo. Se o brasileiro pensar dessa forma, passaremos mais rápido por essa situação. É essa a palavra: igualdade.
Progresso: Você pretende voltar a jogar profissionalmente no Brasil?
Eduardo Praes: Pretendo sim, mas não no momento. Por enquanto, quero focar em Hong Kong. Mas se surgir uma oportunidade no futuro, quero voltar sim, visto que é meu país, meu povo, e nada melhor do que voltar para casa. Porém, no momento, estou com a cabeça em Hong Kong.
Progresso: Agradecimento.
Eduardo Praes: Agradeço a oportunidade, o carinho, poder falar um pouco da minha história. Estou sempre pronto para honrar minha cidade e meu povo, que é Ituverava. Sou grato e tenho orgulho de onde eu saí. Espero que essa conversa mostre um pouco de quem eu sou, e também um pouco da minha vida.