O tema Saúde Mental é considerado parte essencial do processo produtivo denominado trabalho, uma vez que o trabalhador possui uma vida psíquica que se liga intimamente com seu desempenho e mais, com suas motivações.
Diante do cenário de pandemia, o cuidado com a saúde mental, não deve ser negligenciado em nenhum meio, especialmente o do trabalho. Temos observado que os profissionais de Saúde que atuam na linha de frente enfrentam uma dura batalha diante de um agente invisível que ameaça a vida, desta vez, a COVID-19.
Quando refletimos sobre a importância destes trabalhadores para o cuidado humano, bem como para a manutenção da vida e remissão da doença, percebemos o seu papel digno de reconhecimento, uma vez que estes despojam de si para mergulhar no mar da humanidade, cuidando da vulnerabilidade do outro.
Diante desse cenário, estamos assistindo a importância dos profissionais de Saúde cuidarem naquilo que lhes cabe das ações de prevenção (uso de máscaras, aventais e uso álcool em gel), e tentarem acomodar os seus próprios sentimentos de impotência e vulnerabilidade.
Cuidar de suas subjetividades é “(…) condição vital para poder lidar e enfrentar melhor sua vulnerabilidade diante do desconhecido, da impermanência e do transitório, ou seja, aquilo que lhe é inerente: a dualidade da existência saúde x doença, vida x morte, dor x bem-estar” (Pokladek, 2004).
Portanto, criar espaços de trabalho um ambiente para a expressão de sentimentos, ideias e informações pertinentes, possibilita a diminuição do estresse e fortalece a equipe. Nós cidadãos estamos mais do que nunca às voltas de entendermos o que são as Políticas Públicas e como os munícipios se comprometem em buscar soluções para cuidar de seus trabalhadores. Incentivando, assim, que essa prática fundamental possa ser copiada por todos os envolvidos no mundo do trabalho, seja de esfera pública ou privada.
A Psicologia e outras ciências humanitárias estão no centro do desenvolvimento dessas práticas, procurando colaborar no que for possível para que a reflexão de sua situação particular possa ter lugar.
Nos colocamos à disposição, inclusive para atendimentos on-line. Mesmo com a flexibilização, se possível, fique em casa.
Referência:
Pokladek, D. A fenomenologia do cuidar: práticas dos horizontes vividos nas áreas da Saúde, educacional e organizacional. São Paulo: Vetor, 2004.
*Ana Cláudia Pinheiro Carreira, psicóloga, CRP 90427/06; Zélia dos Santos, psicóloga, CRP 17244/06. Grupo de Psicólogos de Ituverava.