Ituverava em Reminiscência #21

Praça X de Março – Ituverava

É a mais linda praça do Estado: retangular, enorme, plana, aprazível, amorável, ituveravense, a nossa Praça! Nem sempre se chamou assim. Frei Raimundo, provavelmente dominicano pregou, no começo do século, uma missão. Sugeriu a ereção de uma Igreja no “cerrado alto” fazendo ficar o cruzeiro que por mais de 50 anos ali esteve, tendo serviço de orientação para o eixo da Avenida Principal, que parte do jardim e vai até a Estação Mogiana.

A Praça não foi, porém, sempre muito espaçosa. Estendia-se das antigas Prefeitura e Padaria Aparecida até as ruas Cap. Primo Augusto Barbosa e Conselheiro Antônio Prado. O Cap. Joaquim de Cerqueira César, quando prefeito, desapropriou os terrenos e casas situadas em frente aos prédios das famílias Joaquim Ribeiro da Rocha e Abdala para dar lugar ao largo aspecto majestoso de hoje.

Os antepassados dos Abdala tinham, informa a tradição, uma espécie de galpão e cavalariças onde hoje está o ponto de automóveis. Ampliada a Praça, o Cap. César empreendeu a feitura das sarjetas e calçadas exteriores que até hoje havia lajes com a inscrição “Câmara Municipal – 1910”. Do trabalho se encarregou a firma Giacomi, que recebeu 15 contos e 600 mil réis para grande desespero dos camaristas que entendiam desnecessária a obra, cujo custo “viria agravar a situação precária do Erário”.

Durante anos, o interior da praça não passou de um vasto retângulo de terra vermelha sem qualquer pavimentação, escassamente iluminado e sem qualquer pavimentação. Coube ao prefeito Cel. Irlandino Barbosa Sandoval jardiná-la e dotá-la de moderna iluminação. Prefeitos posteriores – Balduíno Nunes, João Athayde de Souza, Salvador Cordaro Cruz e Hélvio Nunes introduziram vários melhoramentos.

Em 1922, por ocasião do 1° centenário da Independência de nosso país, erigiu-se o obelisco que lá se achava ainda no centro do jardim. A praça teve dois cinemas, antes do belo Cine Regina. O mais antigo situou-se no local da casa do gerente do Banco Comercial. Este mesmo cinema foi depois adaptado para Matriz provisória pelo padre Vito Fabiani, que construiu elegante palacete para sua residência nas proximidades (Hoje pertence à família José Sandoval); cujo prédio foi demolido. O outro cinema foi precisamente no local em que esteve o Cine Regina.

Mais tarde, ali teve casa comercial durante muitos anos, Pascoal Amêndola. Os homens abastados e de gosto elegeram a praça para residirem. O Cel. Irlandino ergueu o imponente palacete da esquina da avenida; antes das reformas a que o submeteram os sucessivos proprietários era a mais bela das casas da cidade. O Cap. Primo Augusto Barbosa construiu a casa que foi do Cap. José T. Borges.

O Major Cristiano Ribeiro dos Santos tinha sua mansão onde esteve o prédio A. Sandoval seu filho, o capitão Joaquim Cristiano, que edificou muitas casas, se estabeleceu onde hoje ainda se acha sua família.

O baldio existente na época num dos cantos da Praça foi o prédio da antiga Av. Ituveravense, fundada ainda nos tempos de Irineu Forjaz. O prédio em que se localizava no momento a Prefeitura foi de Miguel Vilar, farmacêutico formado que ali passou a maior pare de sua vida aviando receitas na sua Farmácia, que depois foi de Arlindo de Matos.

O casarão ocupado em parte pela sua casa pertenceu ao já citado Irlandino, que construiu também outras casas vizinhas, inclusive aquela que foi do Dr. Soares de Oliveira, que ali residiu uns quarenta anos. A Padaria Aparecida, que foi de Jerônimo Rego, dos irmãos Bernardes e de Aurélio Fráguas Vidal, é dos mais antigos estabelecimentos do gênero em Ituverava.

Foi reconstruído mais de uma vez, permanecendo porém no mesmo privilegiado local onde foi o açougue Dinamérico.