Abril Azul – Mês da Conscientização do Autismo

Devido ao controle da disseminação do COVID-19 e ao fato de estarmos em isolamento social, pouco se falou do autismo no mês de abril. Todas as manifestações (virtuais) se concentraram exclusivamente no dia 02 de abril, Dia Internacional da Conscientização do Autismo. Mas a incidência do transtorno continua crescente, 1 para cada 54 crianças nos EUA, segundo estudo do CDC (Center for Diase Control and Prevention – Centro de Controle de Doenças e Prevenção) publicado em 26/03/2020. Dados da OMS (Organização Mundial da Saúde) apontam que os meninos representam 80% das crianças diagnosticadas e é por isso que a cor azul foi escolhida para caracterizar o autismo.

De acordo com o DSM 5 (Manual de Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, 5.ª edição), o TEA (Transtorno do Espectro Autista) é um transtorno do neurodesenvolvimento caracterizado por déficit na interação social, comunicação e comportamento.

O diagnóstico é clínico e feito somente por psiquiatras e neurologistas. Alguns sinais do transtorno podem ser observados a partir de um ano e meio de idade, e mesmo antes em casos mais graves: ausência de contato visual e linguagem corporal, dificuldades reconhecer expressões faciais, compartilhar brincadeiras imaginativas ou em fazer amigos, comportamentos excessivamente repetitivos, interesses restritos e insistência nas mesmas coisas, uso não convencional de brinquedos e objetos entre outros.

Segundo a Associação Americana de Psiquiatria, o tratamento psicológico com maior evidência de eficácia é a terapia de intervenção comportamental, ABA (Análise de Comportamento Aplicada). O tratamento para autismo é personalizado e interdisciplinar, além da psicologia, pacientes podem se beneficiar com fonoaudiologia, terapia ocupacional, entre outros, conforme a necessidade de cada autista. Na escola, um mediador pode trazer grandes benefícios no aprendizado e na interação social. E quanto mais precoce iniciar a intervenção, melhor será o desenvolvimento da criança.

Neste período de quarentena e isolamento social é importante que os familiares estejam conectados com a terapeuta para intervenções diárias. Pois as crianças com autismo são muito apegadas à rotina e a quebra desta pode ocasionar em crises e comportamentos inadequados. Não tem como estabelecer uma rotina única para todos os autistas, pois cada criança tem um repertório comportamental.

Uma das coisas que mais evoca comportamento inadequado é a seleção de atividade em que a criança não tem pré-requisito para realizá-la. É por isso que o símbolo do autismo é um quebra-cabeça, por apresentar uma complexidade e diversidade do transtorno e o tratamento não pode parar, mesmo que seja realizado à distância.

Andréia Santarosa, psicóloga – CRP 06/59926 – Telefone (16) 99998-2045.