
CARMO DA FRANCA
Pela lei n° 9 de 18 de fevereiro de 1847, foi fundado o Distrito de Paz do Carmo da Franca do Imperador. Sabemos que os terrenos componentes do patrimônio de Nossa Senhora do Carmo foram uma dádiva de Fabiano Alves de Freitas, que doou à Santa de sua devoção e logo erigiu modesta capela no largo conhecido por Largo do Rosário.
Começou assim o povoado que, como de costume, foi iniciado à margem do Córrego Pouso Alto. Alguns anos após construiu-se a Igreja Matriz de Nossa Senhora do Carmo, prestando à prática dos ofícios divinos por mais de meio século.
A Câmara Municipal do Carmo da Franca, em 1893 fez uma captação de água por meio de encanamentos, construindo também uma caixa d’água para distribuições gerais, construindo também um chafariz no Largo do Carmo para serventia pública, cujo ato municipal mereceu francos aplausos da população; tanto que se colocou nesse chafariz uma placa de pedra de mármore com os nomes dos camaristas (vereadores) homenageados: Cel. Augusto Simpliciano Barbosa, Cap. Ezequiel F. da Silva, Cel. Joaquim Benedito do Amaral, Cap. Antônio Jacinto de Freitas e Cap. Silvério C. da Silva.
A fundação de Ituverava data de 1815, época em que Fabiano fez doação de um terreno para nele ser construída uma capela sob invocação de Nossa Senhora do Carmo, tomando logo a denominação de freguesia, pela Lei Provincial n° 9 de 18 de fevereiro de 1847; posteriormente, Distrito de Paz do Carmo da Franca do Imperador, elevado a município pela Lei Provincial de 24 de março de 1885; sob a mesma denominação, sendo elevada à categoria de cidade por ato da Câmara Municipal em 1899.
O antigo Carmo da Franca foi denominado Ituverava por iniciativa do senador paulista Dr. Almeida Nogueira, valendo-se da bela cascata do Rio do Carmo, visível de qualquer ponto da cidade velha.
Antes do Carmo da Franca tomar a denominação de Ituverava, quando era vila já se apresentava como inadiáveis alguns melhoramentos, notadamente a construção de um edifício onde pudesse funcionar a Câmara Municipal, e que servisse de Cadeia e Fórum. Verificada a necessidade, o Ten. José Silvestre de Sousa, fazendeiro neste município, homem de excelsas qualidades cívicas, interessado pelo progresso de sua terra, não medindo sacrifícios, deliberou a construção do edifício. Meteu mãos à obra e, em breve tempo estava terminando o serviço de construção de um sobrado, que fora entregue ao Estado para nele funcionar a Câmara e o Fórum, tendo no pavimento térreo dois cômodos destinados às prisões.
Esse prédio, naquele tempo, era um dos melhores da cidade. Construído em madeira de lei, forrado e envidraçado, serviu por longo tempo para o fim que foi destinado. Esse prédio foi demolido, sem necessidade, quando podia estar sendo conservado até agora e utilizado para algum mister.
A Igreja construída no Largo do Carmo, que era a Matriz, também foi demolida sem necessidade, sendo certo que a sua conservação não traria dificuldade. Com a demolição desses edifícios, bem como outros mais, foi-se apagando as memórias daqueles que, em tempos idos, fizeram tanto esforço para construí-los. Passadas administrações municipais, consentiram na demolição de várias casas da cidade velha, quando a meu ver deveriam incentivar a conservação. Ao tempo das construções daqueles edifícios, tudo era difícil. Não havia serrarias modernas que preparam madeiramentos com rapidez, tudo era feito à mão.
O serviço de transporte era feito pelo pachorrento carro-de-boi, hoje substituído pelos rápidos caminhões. Não havia estradas de ferro. As comunicações eram feitas via Franca para Ribeirão Preto e São Paulo. Mas ainda assim, Ituverava foi crescendo e exigindo melhoramentos. Um deles, a criação da agência de Correios, e criada esta se fez a linha daqui para Franca, de cinco em cinco dias, sendo a mala do Correio conduzida na garupa da estafeta.
Não havia médico na cidade, de sorte que os doentes socorriam-se com os curandeiros, sendo que a maior parte morria da cura. Existiam duas farmácias muito mal sortidas e para acudir aos casos graves os remédios eram buscados em Franca. Os doentes que tivessem paciência…
Não havia iluminação, de maneira que os habitantes aproveitavam a luz da lua para seus passeios noturnos, quando não quisessem arriscar-se aos perigos advindos da escuridão. Quando o prefeito era João de Paula, a cidade foi iluminada por trinta lampiões, um em cada esquina, os quais eram acesos às seis da tarde e apagados às onze da noite. Iluminação deficiente e de pouca duração.
Com a chegada da estrada de ferro Mogiana nesta cidade, a comarca passou por um surto de progresso, do qual era merecedora: as indústrias se desenvolveram, as lavouras aumentaram, o comércio cresceu, a cidade foi aumentando para os lados da estação férrea. O ensino público era deficientíssimo; só havia uma escola, criada pelo Dr. Alfredo Pujol, quando Secretário do Interior de São Paulo. Nos bairros, uma outra escola funcionava com professores municipais, recebendo parcos vencimentos – cento e cinquenta contos de réis – por mês.
Os professores particulares lecionavam cobrando cinco mil réis por aluno, dado vindo recordar pelo Antônio Justino de Andrade, José Portela, Euclides Barbosa Lima, o velho Parreira e José Valente de Melo.
No período de 1910 a 1913, na vigência da prefeitura de Cap. Joaquim Cerqueira César, este empreendeu a feliz ideia da criação de um grupo escolar nesta cidade; o que conseguiu, apoiado no prestígio e boa vontade do Dr. Altino Arantes, a quem Ituverava muito deve pelos melhoramentos dispensados. É bom lembrar que nosso atraso era tanto, que três vereadores votaram contra a ideia, chamando Cap. Joaquim César de sonhador.
Para ser levada a efeito a construção do grupo escolar, era preciso que o município auxiliasse com dez contos de réis e doasse ao Estado o respectivo terreno. Foi em relação a isso que eles votaram contra. Aliás, também tivemos alguns vereadores que votaram contra a lei do calçamento. A despeito de tudo, o grupo foi criado e construído o prédio, onde vem funcionando desde aquela época, prestando inestimáveis serviços educacionais à população.
A construção ficou para o Estado, em setenta contos de réis. Por esta ocasião, o mesmo prefeito Cap. Joaquim César achou que a população precisava de um logradouro público, e então tratou de fazer a Praça X de Março. Ou seja, ajardinar e calçar, serviço que levou a efeito, embora contra a vontade de alguns que viam neste empreendimento gastos desnecessários. Hoje, esta praça é ponto forçado para se passar umas horas tranquilas, se não fossem os “brisolinhas”.
Neste mesmo período, o prefeito Joaquim César conseguiu com auxílio do Dr. Altino Arantes, a construção da cadeia pública e do Fórum da cidade.
Deste período até 1947, a cidade marcou passo. Veio então a vigência do Dr. Fernando Costa, interventor do Estado, os empréstimos para rede de água e esgoto. Ituverava hoje está aparelhada para ir avante com o seu comércio ativo e honesto, suas indústrias em franco desenvolvimento, máquinas de beneficiar café, arroz, usinas algodoeiras, diversos estabelecimentos comerciais emprestam à cidade um aspecto de progresso cada vez mais crescente. Serviços de saúde pública, Hospital São Francisco, Santa Casa (obra de grande vulto e de iniciativa do inesquecível Monsenhor João Rulli), Centro de Saúde, Posto de Puericultura, excelente corpo médico.
Eis aí o que foi o Carmo da Franca de então, e a Ituverava de hoje, com calçamentos e esgoto, Ginásio, Escola Normal, Escola de Comércio, Rádio emissora, 2 cinemas, 2 semanários, 1 revista da comarca, Estação Rodoviária, armazém da CEAGESP, asfalto… E um futuro que promete.
Continua na próxima edição.