Sob o comando de Sabrina Sato, “Domingo Show” troca o assistencialismo por disputas de gosto duvidoso

O domingo é um dia tradicionalmente problemático para a Record. Por isso, não chega a ser uma grande surpresa que a reestruturação da grade da emissora comece por sua programação dominical.

Entre tantas novidades, a mais ousada fica por conta da estreia de Sabrina Sato no “Domingo Show”. Comandado por Geraldo Luís desde 2014, o programa foi ganhando contornos exageradamente sensacionalistas à medida em que foi perdendo em audiência e repercussão.

Há tempos que a Record pensa em mexer na produção, mas o bom faturamento acabava postergando as alterações. Na “dança das cadeiras”, Adriane Galisteu e Gilberto Barros foram sondados pela emissora, mas a direção executiva preferiu uma solução caseira, reaproveitando Sabrina após uma longa licença-maternidade.

Com o mesmo nome, mas totalmente reformulado, é nítido o empenho da produção em soar como uma real novidade para as tardes de domingo. Inclusive, se aproveitando das origens orientais da apresentadora, o programa acabou buscando referências em quadros e formatos famosos da tevê japonesa. Na teoria, a mudança traria uma nova opção para o telespectador mais indeciso.

Entretanto, o resultado tem pouco apelo popular. Com um polpudo prêmio de R$ 500 mil, o quadro “Made in Japan” é a maior novidade do “Domingo Show”. Em tempos onde quadros baseados em formatos de “reality” pipocam pelos programas de diversas emissoras, nada mais natural que Sabrina ter o seu.

Com “casting” pitoresco ao melhor estilo das seleções da Record, formado por nomes decadentes como Sérgio Hondjakoff e o ex-”BBB” Dhomini, por exemplo, o formato deixa nítida as diferenças entre a televisão brasileira e a japonesa. Mesmo que as emissoras nacionais ainda insistam em formatos e estéticas de gosto duvidoso, especialmente o SBT e a Record, há tempos que o Brasil agregou uma dose a mais de requinte aos seus programas de auditório mais tradicionais.

Amparado por um humor pueril e quase circense, o “Made in Japan” promove uma espécie de volta aos anos 1990, especialmente ao esquema cheio de energia de produções como “Topa Tudo por Dinheiro” e “As Olimpíadas do Faustão”. Até para os mais saudosos o resulto é tosco e tudo parece milimetricamente ensaiado para fazer rir. O problema é que não tem a mínima graça.

Entre risadas forçadas e gritos, Sabrina não ajuda o quadro a funcionar. Aliás, se a apresentadora conseguisse aparecer na tevê de forma natural como surge em seu canal no YouTube, provavelmente os quadros de namoro e entrevistas com celebridades teriam um resultado mais animador.

Destaque da edição 2003 do “Big Brother Brasil”, Sabrina realmente conseguiu um espaço na televisão por conta de seu carisma e pela personagem pueril e inocente que inventou para si. Inteligente e sagaz, passou pela trupe do “Pânico” e soube fazer seu nome de forma independente ao longo dos anos.

Entretanto, apesar do bom faturamento e da imagem altamente lucrativa no mercado publicitário, Sabrina nunca foi uma campeã de audiência. Nos cinco anos à frente do “Programa da Sabrina”, sua primeira experiência solo, a apresentadora “suou” para manter-se no ar. E foi só engravidar que o programa acabou descontinuado.

Em seu “segundo ato” na Record, é sintomático que chegou o momento de Sabrina crescer. O auxílio de uma boa fonoaudióloga e algumas aulas de postura seriam muito bem-vindas.

Com alguns ajustes e sem recorrer a personagens, ela pode deixar de ser apenas a apresentadora engraçadinha e carismática para ser a comunicadora popular e abrangente que almeja.