Ituverava em Reminiscência #9

Um esboço da história de uma cidade que nasceu às margens de um rio, apresentaremos aos nossos leitores. Aconteceu em 1810, à maneira dos bravos bandeirantes, rasgando regiões íngremes, atravessando lugares pontilhados de insetos patogênicos indiferentes aos riscos da selva, o destemido sertanejo Fabiano Alves Freitas, atraído pela uberdade desta região, desviou-se do caminho da Vila de Nossa Senhora da Franca do Imperador, vindo estacionar junto ao Rio do Carmo.

O encanto e a magna beleza da cascata deixaram-no maravilhado. A terra, fértil e dadivosa povoou de sonhos róseos a mente do lavrador. Iniciou a derrubada das matas, a formação das pastagens e o cultivo da terra. Esta, generosa e boa, lhe recompensou a fartar o seu labor.

Movido de fé cristã destas que removem montanhas, erigiu a uns 600 metros a oeste da cachoeira a capela sob a invocação de Nossa Senhora do Carmo.

1815 foi o marco inicial da nossa história. Na capelinha (onde hoje está o Tiro de Guerra) eram feitos os rituais religiosos congregando um pequeno número de sertanejos.

As primeiras casinhas rústicas levantaram-se nas imediações do templo. Certamente, ninguém cuidaria que 143 anos mais tarde (1958) se estenderia a oeste uma linda cidade, estuante de progresso. A notícia da fertilidade do solo e das grandes riquezas existentes atraiu os forasteiros.

Em 1847 o povoado foi elevado a distrito e passou a chamar Distrito de Paz de Nossa Senhora do Carmo da Franca do Imperador. A Capela passou à Freguesia.

Em 06 de maio de 1851 foi instalada a primeira escola. Seguiram-se outras para auxiliar a alfabetização do crescente povoado. O histórico 10 de Março de 1883 foi o maior acontecimento, o sonho dourado dos habitantes do distrito: a sua emancipação político administrativa.

No dia 07 de setembro do mesmo ano a comuna se engalanou para festejar a libertação da pátria e a instalação da primeira Câmara Municipal. O entusiasmo tomou conta de todos. Cinco anos depois passou à cabeça de Comarca.

No largo de Nossa Senhora do Carmo, conhecido então por Largo Velho, viam-se a igreja e à direita desta o antigo prédio da cadeia pública, onde funcionavam ainda o Fórum, a Intendência e a Câmara.

Ao sul do largo do Carmo outro se formara, denominado de Largo do Rosário (hoje Largo Velho), com a respectiva capela que, se reconstruída de tempo em tempo, perdura até hoje. A cidade foi estendendo-se a oeste galgando aclive como se quisesse, lá de cima, contemplar mais desembaraçadamente a cascata romântica de que se enamorara Fabiano Alves de Freitas.

Em 1889 o legislador informado da magnificência do quadro que a cascata romântica oferece, não titubeou em trocar o nome de Carmo da Franca para o atual Ituverava. Hoje Ituverava conta com duas regiões distintas: a velha e a nova.

A natureza prodigiosa auxiliou dando-nos uma boa topografia. Temos ruas pavimentadas, praças ajardinadas, largas avenidas, boas escolas primária e secundária. Uma indústria no seu nascedouro, mas que promete. Um bom e honesto comércio em todos os ramos. Bons serviços hospitalares, assistência social incentivada pelo Rotary Club local. Da estação rodoviária partem linhas de ônibus para muitas regiões. O bairro da Estação, promissor onde se acha a Vila Industrial, está prestes a ligar-se com o Centro.

(Texto publicado nos anos 50 pela Revista Comarca de Ituverava)