Ituverava em Reminiscência #3

(Continuação da semana passada)

Carta Patente

A 13 de julho de 1836, a Câmara Municipal de Franca dirigiu um ofício ao presidente da província sugerindo a supressão do 4° Distrito do Carmo, um dos responsáveis pelo sistemático atraso na remessa de informações urgentes pedidas pela governança da província em virtude da sua distância da Vila e dificuldade de comunicação.

Advogando a supressão, diz a Câmara em certo trecho referindo-se ao 4° Distrito, que nele havia “uma Capela que foi curada mas que há anos está sem Capelão”, e tendo morrido João Alves, eretor e selador da dita capela, o Arraialzinho que ia começando está reduzido a quase nada, tem morrido alguns nomes que mais figura lá faziam; muitos poucos restam para que ali possa conservar um Distrito sobre si, porque a muita gente que tem é miúda e da última classe.

O Alferes João Alves de Figueiredo

O fundador de Ituverava aparece, pela primeira vez, na lista de moradores de 1815, como morador número 120. Sendo registrado com 61 anos, viúvo, branco, “novo, entrante”, natural de Lisboa (Portugal). Essa naturalidade muda em algumas listas dos anos seguintes, mas por comodismo de seus organizadores. Como a maioria dos habitantes era das Gerais, davam ao Alferes a mesma procedência.


Quando entrou na região, ele já era um homem rico. Com seus quatro filhos, João, José, Ana e Vitória, instalou-se com 36 escravos e 7 agregados. Cultivava, assim como os outros, milho, feijão, arroz e algodão; era criador de gado bovino e engordava porcos. Registrou seu ferro de marcar gado.
Votou e foi votado na primeira eleição de Juiz de Paz e Suplente Escrivão do Arraial do Carmo. Morava na fazenda Alagoas, onde eram criadas mais de 800 cabeças de gado.


Uma consulta no Arquivo Mineiro de Belo Horizonte mostrou que o Alferes andou pelas Gerais na segunda metade do século XVIII, em companhia de seu irmão, o Capitão José Alves de Figueiredo.


No livro de Registro de Sesmaria existe a concessão de uma capela ao Capitão José Alves de Figueiredo, com data de 28 de julho de 1788 no sertão entre os rios Grande e Sapucaí de meia légua de terra em quadra, que deveria ser marcada. O registro, muito sucinto, nada mais diz, quer quanto ao local quer quanto ao receptor da doação.


Entretanto, num dos livros de Registros de Patentes e Nombramentos, com data de 29 de maio de 1776, existe o seguinte registro.
“Dom Antônio de Noronha do Conselho de Sua Majestade, governador e Capitão General da Capitania de Minas Gerais e nela presidente das Juntas da Real Fazenda etc., faço saber aos que esta minha Carta Patente virem, que atendendo para prover o posto de Capitão desde o princípio da criação da Companhia de Ordenança de Pé do Distrito dos Serranos da Aiuroca da Vila São João, comarca do Rio das Mortes, e se deve prover o dito posto em pessoa assistente no Distrito de conhecida inteligência, zelo e atividade a concorrerem estas circunstâncias na do Alferes da mesma Companhia.


José Alves de Figueiredo, um dos propostos na forma das reais ordens pelos Oficiais da comarca da Vila com assistência do Capitão Mor das Ordenanças e esperar do dito Alferes que em tudo que for encarregado no real serviço se haverá com satisfação, desempenhando o conceito que de sua pessoa forma.


Pela faculdade que vossa majestade me permite no Capitão 19° do Regimento dos Governadores para provimento de semelhantes postos, hei de nomear e prover ao dito Alferes José Alves de Figueiredo no posto de Capitão da Companhia das Ordenanças de Pé do Distrito dos Serranos de Aiuroca da Vila São João Del Rei, comarca do Rio das Mortes. Posto que se acha vago desde princípio de criação da dita Companhia, a qual se compõem de 60 soldados com seus oficiais respectivos e o dito Capitão residirá sempre no distrito dela, pena que não o fazendo se lhe dar baixa no Real Serviço. (continua na próxima edição)