Engenheiro ituveravense fala sobre trabalho na Holanda

O Engenheiro Eletricista Estevão Borges Rocha Pereira, formado em Itajubá-MG, residente  atualmente em Drachten, Norte dos Países Baixos, na Holanda. Há pouco mais de um ano ele trabalha na Empresa BD Kiestra (Becton Dickinson).

Em entrevista concedida ao Jornal O Progresso, Estevão fala sobre seu trabalho na Europa, o que motivou a escolher o país para atuar profissionalmente. O jovem também fala sobre o mercado e aceitação de profissionais brasileiros, sua profissão, adaptação, dificuldades e vantagens de viver no exterior.

“Os profissionais brasileiros são competentes e se adaptam facilmente em diferentes culturas de empresas, sendo candidatos de mesmo nível a qualquer outro país”, frisa.

Casado com Viviani Guedes dos Santos, Estevão é filho do bancário aposentado e professor Edson Alexandre Rocha Pereira (Edinho) e Lélia Borges do Nascimento Rocha Pereira, ele tem as irmãs Clarissa Borges Rocha Pereira e Carolina Borges Rocha Paim.

Progresso: Há quanto tempo está na Holanda? Por que escolheu este país para viver e atuar profissionalmente?

Estevão Borges Rocha Pereira: Moro no país há pouco mais de um ano. Na última empresa que trabalhei no Brasil conheci pessoas que estavam deixando o Brasil para trabalhar nos Países Baixos e isso me deixou intrigado. Nesse momento passei a pesquisar muito sobre o país e possibilidades de trabalho que eventualmente me levaram a realizar entrevistas e posteriormente a uma oportunidade real. Os Países Baixos possuem empresas que empregam o mais alto nível de tecnologia em produtos e linhas de produção, sendo referência para engenheiros ou profissionais de tecnologia. É um país conhecido pelo alto custo de vida, mas também por oferecer uma boa qualidade de vida com uma boa infraestrutura, Saúde e Educação, principalmente para a constituição de uma família e criação de filhos.

Progresso: Qual ramo de atuação da empresa e suas principais funções?

Estevão: O principal mercado da BD é a Indústria Médica, desde insumos aos mais variados equipamentos de diagnósticos. Atuo principalmente na escolha de componentes elétricos que se adequem nas normas pertinentes até a integração prática, incluindo testes desses componentes em um sistema completo e complexo.

Progresso: Como é o mercado na Europa e a aceitação de profissionais brasileiros?

Estevão: Tenho visto uma forte demanda por profissionais de engenharia no geral. A grande  maioria das empresas busca um quadro de funcionários multicultural independentemente do país de origem. Os profissionais brasileiros são competentes e se adaptam facilmente em diferentes culturas de empresas, sendo candidatos de mesmo nível a qualquer outro país.

Progresso: Por que escolheu esta profissão?

Estevão: Desde criança sempre tive afinidade e gosto por eletrônica e tecnologia. Sempre fui muito curioso no funcionamento de dispositivos elétrico-eletrônicos e sempre sobrava para mim aqueles consertos de um ventilador ou computador. Engenharia era, naquele momento, a escolha mais pertinente. Continuo gostando muito da profissão e dos desafios que ela me proporciona.

Progresso: Como foi sua adaptação ao país? Quais as principais dificuldades no início?

Estevão: As principais dificuldades no início foram a adaptação ao clima frio do país e adaptação a uma nova cultura, que inclui comidas e uma língua diferente. A adaptação é gradual e acontece todos os dias, ser flexível e saber respeitar a cultura do país ajuda na adaptação.

Progresso: Quais as vantagens de trabalhar no exterior para jovens profissionais brasileiros?

Estevão: Trabalhar no exterior é lidar com o desconhecido todos os dias e isso ajuda a nossa capacidade de solução de problemas e desafios. O termo “Soft Skills” é cada dia mais comum em processos de seleção. Trata-se de habilidades comportamentais, que incluem habilidade de comunicação, línguas e relacionamentos interpessoais, habilidades essas que são testadas diariamente quando se trabalha fora do país. Tudo isso, em minha opinião, reforça a autoconfiança de um profissional, o que pode, eventualmente, fazer a diferença na escolha de um candidato em um mercado acirrado.